SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pré-candidato a presidente, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) defendeu nesta sexta-feira (1º), Dia do Trabalho, a ideia de que crianças possam trabalhar no Brasil.

"A esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança. Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe não sei quantos cents por cada jornal entregue no tempo que tem. Aqui, proibido, você está escravizando criança. É lamentável, mas tenho certeza que nós vamos mudar isso", disse ele ao podcast Inteligência Ltda..

A declaração foi dada no final do programa. Zema afirmou que trabalha desde os 14 anos e disse que acompanhava o pai o dia todo, contava parafusos, porcas, e o ajudava a embrulhar as peças.

"Infelizmente, no Brasil, se criou essa ideia de que jovem não pode trabalhar. Eu sei que o estudo é prioritário, mas toda criança pode estar ajudando com questões simples, com questões que estão ao alcance dela."

A Constituição Federal proíbe qualquer trabalho a menores de 16 anos. A única exceção é a condição de menor aprendiz, a partir de 14 anos.

Já a CLT fixa que, apesar de uma autorização condicional, o trabalho do menor de idade não pode ser realizado em locais prejudiciais à sua formação, ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social e em horários e locais que não permitam a frequência à escola.

A reportagem entrou em contato com a equipe do ex-governador, mas ainda não obteve retorno.

No clima de pré-campanha, Zema tem intensificado as declarações públicas. Mais recentemente, se envolveu em troca de ataques com o STF (Supremo Tribunal Federal) ao publicar vídeos satíricos em que ministros como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli aparecem em convescotes.

Mas a cerca de cinco meses das eleições, o ex-governador soma 4% das intenções de voto para presidente, segundo pesquisa Datafolha de abril. O mineiro está em um patamar abaixo do do presidente Lula (PT), que tem 39%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que marca 35%.

No degrau do ex-governador de Minas, estão Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Renan Santos (Missão), com 2%, Aldo Rebelo (DC), com 1%, e Cabo Daciolo (Mobiliza), com 1%. Brancos e nulos são 10%, e 4% estão indecisos.

O mineiro também é cotado para a vice de Flávio, apesar de uma aliança nesse desenho não ser consensual entre os bolsonaristas. Como mostrou o Painel, do jornal Folha de S.Paulo, Zema tem dito que vai manter a candidatura até o fim, mas integrantes do Novo não descartam uma composição mais perto das convenções.