CURITIBA, PE E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - A rodada de pesquisas Genial/Quaest divulgada no final de abril, com as intenções de votos na corrida pelo governo de dez estados, indica um cenário desafiador para candidatos petistas e vantagem para aliados de Flávio Bolsonaro (PL) nos dois maiores colégios eleitorais do país.

Dos 10 estados com os levantamentos, em 3 há vantagem de políticos afinados com Flávio -São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Apoiadores de Lula (PT) despontam à frente em 2 (Rio de Janeiro e Pernambuco).

Além disso, em 3 estados há empate técnico (Bahia, Pará e Rio Grande do Sul), em 1 (Goiás) a vantagem é de um aliado de Ronaldo Caiado (PSD) e, em outro (Ceará), um quadro indefinido de candidaturas que, dependendo da configuração, poderia ser favorável tanto a Lula quanto a Flávio.

Da lista das pesquisas Genial/Quaest, o PT tem pré-candidatos próprios na Bahia, no Ceará e em São Paulo. Neste último, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) aparece atrás do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Flávio, nos cenários de primeiro e segundo turno.

Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) tem empate técnico com ACM Neto (União Brasil). No Ceará, os cenários são díspares a depender de quem lidera a chapa petista para enfrentar o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que se tornou crítico acentuado de Lula e flertou com aliança que incluiria o PL da família Bolsonaro.

Levando em conta os demais partidos, aliados de Lula lideram isoladamente em Pernambuco com João Campos (PSB) e no Rio de Janeiro com Eduardo Paes (PSD) -cujo partido terá Caiado na disputa ao Planalto.

Candidatos do PL também enfrentam dificuldades nos estados. O partido tem possíveis candidatos em 6 dos 10 estados mapeados, mas lidera isoladamente apenas no Paraná com o senador Sergio Moro, recém-filiado ao partido.

No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) aparece numericamente atrás, mas em empate técnico com Juliana Brizola (PDT). Dentre os demais nomes do PL, Douglas Ruas aparece em segundo no Rio de Janeiro, Mário Couto em terceiro no Pará e Wilder Morais fica em terceiro ou quarto em Goiás, a depender do cenário. O empresário Flávio Roscoe foi testado em Minas Gerais, mas aparece com apenas 2%.

Por outro lado, aliados de Flávio que estão em outros partidos enfrentam um cenário mais confortável. É o caso de Tarcísio em São Paulo e do senador Cleitinho (Republicanos) em Minas Gerais, que lideram em seus respectivos estados.

São Paulo e Minas são os dois estados brasileiros com o maior número de eleitores, mais de 34 milhões e quase 16,5 milhões, respectivamente, segundo números da última disputa.

Os presidenciáveis Ronaldo Caiado e Romeu Zema (Novo) enfrentam cenários distintos em seus próprios redutos eleitorais.

Aliado de Caiado em Goiás, o governador Daniel Vilela (MDB) aparece na frente, enquanto o cenário em Minas é complexo para Zema, onde seu aliado, Mateus Simões (PSD), figura apenas em quarto lugar.

Na corrida ao governo mineiro, Cleitinho, que é ligado ao bolsonarismo, aparece à frente, com 30%, mas ele ainda não confirmou se entrará na disputa, e o próprio PL ainda estuda incluir Flávio Roscoe nas urnas.

O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) aparece em segundo lugar, com 14%, mas ele hoje está distante do PT. Na disputa de outubro, Lula agora defende a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB), que marca 8%, na terceira posição.

Em Goiás, o governador Daniel Vilela (MDB) lidera com 33%, contra 21% do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Nomes do PT e do PL aparecem na sequência: a deputada federal petista Adriana Accorsi tem 10% e o senador Wilder Morais, 9%.

Os palanques regionais de Caiado seguem frágeis também em outros estados. Em Minas, Mateus Simões segue aliado de Zema, enquanto em Pernambuco a governadora Raquel Lyra (PSD) tende a apoiar o presidente Lula, assim como Paes no Rio.

No Paraná, Sandro Alex, pré-candidato do PSD escolhido pelo atual governador paranaense, Ratinho Junior (PSD), registra apenas 5% das intenções de voto. A expectativa do grupo é que ele cresça, já que a pesquisa apontou que 80% dos eleitores aprovam o atual governo paranaense.

As pesquisas da Quaest apontaram um cenário mais acirrado em três estados: Pará, Bahia e Rio Grande do Sul.

Apoiadora de Lula, a governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), aparece com 19%, tecnicamente empatada com o ex-prefeito de Ananindeua Dr. Daniel Santos (Podemos), que marca 22% e não tem um posicionamento definido para a eleição presidencial.

Na Bahia, o cenário é de empate técnico tanto em primeiro como segundo turno -na etapa final, ACM Neto tem 41%, contra 38% de Jerônimo Rodrigues.

ACM Neto tem indicado apoio a Caiado, mas seus dois candidatos ao Senado, João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos), vão dar palanque a Flávio Bolsonaro.

O Rio Grande do Sul replica o cenário de polarização nacional, com um empate técnico entre Juliana Brizola e Luciano Zucco no primeiro turno, mas vantagem da pedetista na segunda rodada. A neta de Leonel Brizola, aliada de Lula, marca 24% das intenções de voto na primeira etapa de votação, contra 21% do deputado federal do PL.

No Ceará, Ciro Gomes lidera contra o governador Elmano de Freitas (PT), mas perderia em cenário contra Camilo Santana (PT).

No primeiro turno, em uma configuração com o atual governador e sem Camilo, Ciro tem 41% das intenções e Elmano aparece com 32%. Já em um cenário de primeiro turno considerando Camilo em vez de Elmano, Ciro fica com 33%, enquanto o ex-ministro da Educação de Lula marca 40%.