SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que o governo não pode conviver com "inimigo dentro de casa" ao comentar sobre a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O parlamentar articulou a derrubada da indicação de Jorge Messias a uma vaga para o STF na última quarta-feira e, no dia seguinte, a derrubada do veto do presidente Lula (PT) ao projeto de lei da dosimetria, que reduz as penas dos condenados por golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em entrevista à GloboNews, a petista classificou como vergonhosa a derrubada do veto. "Aqueles que votaram para derrubar o veto, e inclusive o presidente Davi, levam no seu currículo a vergonha daquela tarde", disse a deputada.
Indagada sobre a relação com Alcolumbre e a estratégia a partir de agora, declarou que "o presidente Davi foi correto sim na maioria dos casos e o governo também foi correto com ele na maioria dos casos na tramitação das matérias".
"Agora eu acho que se está entrando num jogo eleitoral, o governo tem que demarcar o seu campo", prosseguiu. "O que não pode a gente ir para uma disputa eleitoral com o inimigo dentro de casa, isso não pode acontecer, e a gente está disputando um projeto de país."
Questionada se considera Alcolumbre um "inimigo dentro de casa", a deputada recuou e disse que não o vê dessa forma, mas voltou a criticar sua atuação. Segundo ela, se o comportamento se mantiver, o senador "não vai ser um amigo, vai estar em outro palanque".
Gleisi também defendeu cautela nas alianças políticas. Para ela, acordos com partidos de centro são necessários, mas não devem incluir atores que possam enfraquecer o governo.
"Acho que precisa ter aliança, sim, mas aliança só com quem vai estar no palanque com o presidente", diz.
A deputada afirmou ainda que há uma "responsabilidade histórica" de impedir o retorno da extrema-direita ao poder e voltou a criticar o governo de Jair Bolsonaro, que classificou como um período de retrocessos.
Sobre a possibilidade de uma indicação feminina ao STF, disse ver a ideia com simpatia, mas afirmou que a decisão cabe ao presidente.
