WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT) adotou tom cauteloso ao ser questionado nesta quinta-feira (7) sobre a operação da Polícia Federal que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no âmbito do caso Master.

Em entrevista a jornalistas nos Estados Unidos, onde cumpre agenda, Lula evitou citar o nome do parlamentar e disse esperar que todos os investigados sejam inocentes.

"Você percebe que é difícil falar de uma coisa que eu estou aqui [nos EUA] e aconteceu no Brasil. Há uma decisão do ministro André Mendonça de que houvesse a operação, ela foi feita. A Polícia Federal cumpriu uma decisão judicial. Eu espero que todas as pessoas investigadas sejam inocentes", afirmou o presidente.

A PF cumpriu nesta quinta mandados de busca e apreensão em endereços de Nogueira em nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro ligados ao Banco Master. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e resultou também na prisão temporária de Felipe Vorcaro, primo do dono do banco, Daniel Vorcaro.

Entre as suspeitas investigadas estão pagamentos mensais de até R$ 500 mil ao senador, a apresentação da chamada "emenda Master"-que ampliaria a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante -e o custeio de despesas pessoais de Nogueira, como hospedagens, voos em jatinho e restaurantes.

Nos bastidores, porém, o cálculo do Planalto é diferente do tom público adotado por Lula, como mostrou a coluna Painel, da Folha. de S.Paulo.

Ministros e auxiliares do presidente afirmam que o governo pretende usar a operação como munição eleitoral contra Nogueira. A ordem por ora é evitar ataques diretos para não associar a investigação ao presidente -o fato de Lula estar nos EUA foi até comemorado por um ministro, que avaliou que "quanto mais distante, melhor".

No fim do ano passado, Ciro Nogueira havia procurado Lula e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), pedindo que ambos os lados evitassem ataques mútuos com menções ao caso Master. Aliados do presidente dizem que nenhuma garantia foi dada.