SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Integrantes da família de proprietários da empresa Ypê, empresa no centro de mobilização digital da direita bolsonarista, financiaram a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022 com doações no total de R$ 1,5 milhão para o segundo turno das eleições.
O caso envolvendo produtos da Química Amparo, responsável pela Ypê, passou de um alerta sanitário da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para um debate político.
No último dia 7, a agência reguladora determinou o recolhimento de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes de lotes com final 1 após avaliação técnica de risco sanitário. Bolsonaristas, contudo, passaram a afirmar que a empresa era perseguida por ter contribuído para a eleição do ex-presidente.
Dentre os donos, Eduardo Beira foi o maior doador e destinou R$ 750 mil. Já Antônio Ricardo, Ana Maria e Waldir Beira doaram R$ 250.000 cada. No total, os representantes da Ypê financiaram o equivalente à metade da maior doação de Bolsonaro naquele ano, feita pelo empresário e ex-pastor Fabiano Zettel, envolvido no caso do Banco Master.
Zettel é apontado pela PF (Polícia Federal) como responsável por fazer pagamentos ilícitos e criar contratos falsos para Daniel Vorcaro, dono do banco e cunhado do empresário.
Desde 2015, o financiamento empresarial a candidatos é proibido no Brasil, mas empresários e executivos ainda influenciam eleições por meio de doações como pessoas físicas.
De acordo com o que foi declarado, 70% dos recursos financeiros da campanha de Bolsonaro vieram de quase 4 mil doadores individuais, o equivalente a quase R$90 milhões.
Enquanto isso, o presidente Lula (PT), então candidato, liderou os repasses do Fundo Eleitoral ?reserva de dinheiro público usado para financiar campanhas de políticos. Ele teve apenas 7% do gasto de campanha de recursos privados, um total de R$ 9,7 milhões, distribuídos entre 142 doadores.
A maior parte veio do empresário Altair Vilar, fundador do Grupo Cartão de Todos, rede de descontos em serviços de saúde. Ainda no primeiro turno, ele doou R$ 600 mil à campanha do petista.
Altair já foi vereador e vice-prefeito pelo PT (Partido dos Trabalhadores) em Ipatinga (MG). Apesar de investir na campanha de Lula, saiu do partido processado por infidelidade partidária após troca-lo pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), segundo o jornal O Globo.
