BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (14) que omitiu seu contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, por causa de uma cláusula de confidencialidade no contrato a respeito do financiamento do filme "Dark Horse" ("azarão" em inglês).
A produção feita para homenagear seu pai, Jair Bolsonaro (PL), foi bancada com verba de Vorcaro, segundo relevou o site The Intercept Brasil. O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para produzir o filme, e um áudio de setembro de 2025 mostra o senador do PL cobrando mais recursos de Vorcaro, a quem chama de irmão.
Em entrevista à Globonews, Flávio negou que parte da verba tenha sido usada para financiar despesas de seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos, como suspeita a Polícia Federal.
"Quando eu falo, quando eu nego, na verdade, que eu conhecia, que eu tinha contato com ele [Vorcaro] é porque tinha uma cláusula de confidencialidade nesse contrato. Minha relação com ele era exclusivamente para o filme. Se eu falo assim 'não, eu tenho, eu conheço o Vorcaro'. A pergunta seguinte qual ia ser? 'Qual era a sua relação com ele?' Eu ia ter que falar do filme. Foi só por isso que eu me eximi", disse o senador.
Em outro momento, Flávio disse não ter mentido, mas que não poderia descumprir o contrato. Como mostrou a Folha de S.Paulo, o fato de ele ter dito, em março, que não conhecia Vorcaro levou a uma quebra de confiança entre aliados e integrantes da direita.
Flávio ainda afirmou que não haverá novas surpresas em relação a sua ligação com Vorcaro. "Não tem absolutamente nada", disse.
Questionado sobre ter pedido dinheiro a um banqueiro que era alvo de investigações, Flávio disse que "não tinha como saber o que o Brasil não sabia" em dezembro de 2024, quando teve início a relação. O senador continuou cobrando a verba até a véspera da prisão do dono do Master, em novembro de 2025.
Flávio afirmou que, mesmo nesse período, Vorcaro era apenas "acusado". "Eu torcia para que ele esclarecesse", emendou.
O senador afirmou mais uma vez não ser acusado de nada e cobrou que não se misture "alhos com bugalhos". Ele voltou a insistir na instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o Banco Master como estratégia de defesa e atacou seu adversário eleitoral, o PT.
"Não estou pedindo dinheiro, não estou praticando extorsão. Ele parou de honrar seus compromissos, estava descumprindo o contrato. [...] Não vou aceitar me vincularem a esses contatos espúrios que o governo do PT tem com Vorcaro", disse.
Segundo a reportagem do Intercept, os recursos de Vorcaro para o filme passaram por um fundo administrado por Paulo Calixto, advogado de Bolsonaro. Flávio afirmou que toda a verba foi destinada à produção e negou que o irmão tenha se beneficiado.
"Todos os recursos que foram aportados nesse fundo, que é específico para esse filme, são integralmente utilizados para fazer o filme", disse.
"Para colocar de pé uma estrutura dessa, criar um fundo, cuidar das questões legais, de burocracia, você tem que contratar um advogado, um advogado de confiança do Eduardo. [...] O advogado é gestor do fundo também", completou.
