SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT) é visto pelo eleitorado como o mais experiente, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o mais moderno e inovador, mostra pesquisa Datafolha sobre a imagem dos pré-candidatos ao Planalto.
A sondagem elaborou 15 perguntas sobre o tema ?a maioria das entrevistas foi realizada antes da revelação, pelo site The Intercept Brasil, das conversas entre o filho de Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
No quesito experiência, o petista tem 55% ante 18% do filho mais velho do ex-presidente. É a maior diferença entre os adversários, 37 pontos percentuais. No segmento dos eleitores não alinhados, Lula atinge 52% ante 8% de Flávio, alcançando uma diferença ainda maior, de 44 pontos percentuais.
Na pesquisa, eleitores não alinhados são aqueles que, numa escala de 1 a 5, sendo 1 o bolsonarista mais convicto e 5 o petista mais convicto, escolhem o 3.
O senador lidera a pergunta sobre qual dos pré-candidatos seria o mais moderno e o mais inovador nesta eleição. Flávio tem 31% ante 26% de Lula. No segmento dos não alinhados, o filho 01 de Bolsonaro tem 22% ante 11% do atual presidente, e a diferença vai a 11 pontos percentuais.
De 12 a 13 de maio, o Datafolha ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais. Na amostra total, a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Já para não alinhados, a margem é de quatro pontos para mais ou para menos.
Desde o ano passado, Lula e Flávio tentam adaptar as suas imagens. O senador investiu em uma persona moderada, ligada ao setor financeiro do país. Ainda em 2025, reuniu-se com expoentes do PIB na capital paulista, um almoço na sede do banco suíço UBS e outro na casa do empresário Gabriel Rocha Kanner, sobrinho de Flávio Rocha, dono da Riachuelo. Ao mesmo tempo, buscou dialogar, nas redes sociais, com grupos minorizados, como a comunidade LGBTQIA+, e com o eleitorado feminino.
No entanto, as revelações do caso "Dark Horse" devem atrapalhar as pretensões do senador de expandir o seu eleitorado no segmento dos indecisos. Na semana passada, o site Intercept mostrou que Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse" . A Polícia Federal suspeita que parte da quantia tenha se destinado a bancar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Em paralelo, o presidente trocou, em janeiro do ano passado, Paulo Pimenta, do comando da Secom, por Sidônio Palmeira. A avaliação era de que os feitos do governo não estavam sendo passados com clareza para a população. Desde então, Sidônio investiu nas redes, buscando uma linguagem mais descontraída.
Mesmo assim, a comunicação continua a ser ponto sensível para o PT. A idade é outra questão de imagem que deve ser explorada no pleito: Lula tem 80 anos, e Flávio, 45. Nas redes, o petista busca mostrar disposição, postando com frequência vídeos das suas já tradicionais corridinhas.
A pesquisa Datafolha aborda nesta rodada também características negativas. No quesito moralidade pública, o petista foi visto como "o mais corrupto" por 46% dos entrevistados, ante 30% de seu principal adversário. Do outro lado, Flávio é o pré-candidato que mais defende os ricos (53%), em contraste com Lula (18%).
Por curiosidade, os dois pré-candidatos ficam bem próximos quando a pergunta é sobre quem se comunica melhor a linguagem da juventude brasileira. O petista marca 32%, e o senador, 29%.
A margem também é pequena quando a pergunta é sobre quem é o mais preparado para combater a violência. Para 33%, Flávio e, para 29%, Lula. O bolsonarismo sempre se caracterizou pelo discurso linha dura na segurança pública. O ex-presidente Bolsonaro foi capitão do Exército, e Flávio, enquanto esteve na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) como deputado estadual, ecoou o discurso para combater o crime.
Na semana passada, o atual presidente lançou o Programa Brasil Contra O Crime Organizado, com investimento de R$ 11 bilhões. Em meio à onda de feminícidios pelo país, o petista surge como quem mais defende as mulheres (38%), seguido pelo senador (19%). Por fim, Lula (52%) tem larga vantagem em relação a seu concorrente (23%) ?diferença de 29 pontos? no quesito quem "tem mais a cara da população brasileira".
É também grande a diferença na pergunta sobre autoritarismo: 40% enxergam Flávio Bolsonaro como mais autoritário do que Lula, que tem 26%. Ainda que os dois pré-candidatos apareçam sempre à frente nas 15 categorias analisadas pelo Datafolha, outros pré-candidatos chamam a atenção em algumas delas.
Ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) fica em terceiro no questionamento sobre combate à violência e soma 5%; Renan Santos (Missão) marca 4% na pergunta sobre a comunicação dos jovens; Samara Martins (UP) chega 8% na defesa das mulheres; Cabo Daciolo (Mobiliza) é lembrado por ter "Deus no coração" (4%), uma categoria em que Lula aparece à frente (33%), seguido por Flávio (27%); Romeu Zema (Novo) destaca-se na terceira posição na pergunta sobre qual político é o mais moderno e o mais inovador, com 5%.
No cenário geral, a pesquisa mostrou o presidente empatado com o senador na simulação de segundo turno das eleições presidenciais. O Datafolha mostrou Lula e Flávio com 45% das intenções de voto cada um na simulação de segundo turno. Outros 9% dizem que votariam em branco ou nulo, e 1% afirma que não sabe.
O cenário muda no primeiro turno. O presidente apareceu com 38% dos votos, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%, Zema e Caiado têm 3%, Renan Santos, 2%, e Cabo Daciolo, 1%. Outros 9% dizem que votarão branco ou nulo e, 3%, afirmam que não sabem.
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