BRASÍLIA, DF, E GUARUJÁ, SP (FOLHAPRESS) - A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) minimizou a queda nas intenções de voto do senador na pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22), apontando que o resultado foi melhor que o esperado e que Lula (PT) oscilou para cima no segundo turno, mas dentro da margem de erro.
O recuo de quatro pontos percentuais no primeiro turno foi tratado por dois aliados de Flávio como "um arranhão". Eles consideram que a intenção de voto do pré-candidato do PL migrou, majoritariamente, para outros nomes da direita, enquanto Lula só variou dois pontos -o que, na visão do grupo, indica que o eleitorado voltaria para Flávio no segundo turno.
O entorno do presidente da República também esperava uma queda maior de Flávio, após a revelação de que ele pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para financiar o filme "Dark Horse" e o visitou em casa quando ele já usava tornozeleira eletrônica.
No primeiro turno, Flávio caiu de 35 para 31 pontos, enquanto Lula passou de 38 para 40, na comparação com o levantamento divulgado no último sábado (16).
No segundo turno, porém, Lula tem 47% das intenções de voto e Flávio, 43%. Antes, eles estavam empatados. Desde a última semana, o petista oscilou dois pontos percentuais para cima, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), dois pontos para baixo, no limite da margem de erro.
Dessa forma, aliados celebram o fato de, diante da crise, Flávio não ter se distanciado do patamar da pesquisa anterior. Agora, apontam a consolidação do pré-candidato do PL e avaliam que qualquer discussão sobre troca de candidatura está morta.
Outro ponto que anima os bolsonaristas é a rejeição de Lula. O petista tem 45% dos entrevistados afirmando que não votariam nele (antes eram 47%). Flávio ultrapassou apenas numericamente o presidente, sendo rejeitado por 46% (antes eram 43%), uma situação de empate.
"Flávio continua viável, Lula continua com rejeição alta. A rejeição de Flávio é reversível. A pesquisa prova que a candidatura é altamente competitiva. Mesmo com fortes ataques nos últimos sete dias, alterou pouco", afirma o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).
O senador Efraim Filho (PL-PB), pré-candidato ao Governo da Paraíba, diz que a pesquisa mostra que a candidatura de Flávio continua competitiva.
"Acho que o resultado coloca por água abaixo qualquer discussão sobre mudança de candidatura do nosso campo, do PL. Agora é tratar de recuperar esses pontos perdidos. A candidatura continua competitiva e vamos trabalhar para voltar para o empate", afirma.
Duda Lima, marqueteiro do PL, afirmou a jornalistas na tarde desta sexta que os números do Datafolha estão dentro do esperado e de acordo com outras pesquisas analisadas pelo partido.
"O estrago foi, e daqui para a frente ele [Flávio Bolsonaro] volta a subir, começa a recuperar", disse após participação em evento do grupo Esfera no Guarujá (SP). "Não é que as pessoas vão esquecer, é que outras variáveis vão passar a valer."
Enquanto isso, membros da cúpula do PT dizem que a rejeição registrada pela pesquisa se alinha ao que vinha sendo monitorado pelo partido e que a tendência é de que o desgaste à imagem do senador aumente. O vice-presidente do partido, Jilmar Tatto, afirma que o caso também deve afastar membros do centrão que buscavam se associar a Flávio.
Outros aliados de Lula avaliam que a queda de Flávio foi ainda menor do que o esperado por eles, dada a repercussão do caso. Interlocutores do presidente também apontam que Lula ainda precisa diminuir a rejeição e apostam no começo da campanha via televisão para alcançar essa meta.
Há o entendimento de que a campanha televisionada deve colocar Lula e Flávio em pé de igualdade e reforçar o desgaste do senador frente ao presidente. Por enquanto, a disputa pela narrativa tem se dado principalmente pelas redes sociais, nas quais o petista ainda fica para trás quando comparado ao rival, observam aliados.
Governistas também apostam no impacto das entregas da gestão para manter a melhora do desempenho contra o filho mais velho de Bolsonaro. "Temos uma expectativa de crescimento sólido e constante", diz o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS). "As entregas do governo, as ações e a postura internacional sobretudo com os EUA tiveram reflexo com certeza."
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, atribui os resultados a uma decepção sentida pelos eleitores de Flávio diante da revelação do envolvimento do senador com o escândalo bancário -a corrupção é um dos principais pontos associados pela direita a Lula e ao PT.
"Uma parte do eleitorado bolsonarista foi por anos mobilizada pelo tema da corrupção e, ao se deparar com a realidade das investigações da Polícia Federal sobre Flávio, isso teve um impacto forte e um clima de desencantamento", diz. "Quando vieram à tona as revelações sobre Vorcaro e Banco Master, o que era desconfiança se confirmou como decepção."
Na linha de reforço ao desgaste da imagem de Flávio, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirma que a pesquisa reflete os impactos do escândalo e tende a fortalecer Lula na disputa.
"Depois do escândalo do 'Dark Horse', o povo começou a ligar os pontos e o resultado apareceu na pesquisa. Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro enquanto o castelo de mentiras deles vai desmoronando", escreveu.
O chefe da articulação política do governo, José Guimarães, usou o mesmo tom de otimismo, em publicação via X (antigo Twitter).
"É o Brasil indicando que prefere a verdade em vez da mentira. Que prefere um Estado justo, que cuida das pessoas, em vez de um projeto de Estado mínimo, que só é mínimo para os pobres. A pesquisa de hoje mostra que os brasileiros estão atentos à verdade. E a verdade liberta!", escreveu.
