SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Envolvido no caso "Dark Horse" e em meio a suspeita de "rachadinha" em seu gabinete, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) acumula em seu currículo trabalhos como ator, secretário de Cultura e produtor de cinema.

Comprovantes de pagamento e extratos bancários de Gardênia Morais, ex-funcionária do parlamentar na Câmara dos Deputados, indicam que ela devolveu parte do salário a pessoas ligadas a ele enquanto trabalhava no gabinete. O deputado não se manifestou aos pedidos de posicionamento feitos pela reportagem.

Já foi protagonista de novela no início dos anos 2000, secretário especial de Cultura no governo de Jair Bolsonaro (PL) e, agora, integra os produtores e roteiristas do filme "Dark Horse", que conta a vida do ex-presidente.

Frias foi eleito deputado federal pelo estado de São Paulo, em 2022 com 122.564 votos. Ele é um dos citados nas investigações sobre o uso do dinheiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme sobre Bolsonaro.

Áudios e conversas revelados pela agência de notícias Intercept Brasil mostram que o deputado manteve contato e agradeceu o apoio de Vorcaro. "Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando", disse ao ex-banqueiro.

À coluna Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, Frias disse não ter "nenhuma preocupação com isso" e afirmou que "apenas produziu o filme".

Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, dirigido pela produtora do filme, Karina Gama.

Por muito tempo, o ex-secretário da Cultura foi rosto conhecido na televisão. Estreou em 1996, no seriado "Caça-talentos", da Rede Globo. Passou ainda por programas nas emissoras Band, RedeTV! e Record antes de tomar o rumo da política.

Em 2004, interpretou o deputado corrupto Thomas Jefferson na novela "Senhora do destino", ainda na TV Globo. O seu maior sucesso é de cinco anos antes, quando protagonizou a novela juvenil Malhação. Ele fazia o personagem Rodrigo, par romântico da atriz Priscila Fantin. Participar da novela funcionava como porta de entrada para muitos dos atores de sucesso da emissora, e foi assim também com Frias.

À frente da Secretaria Especial da Cultura, entre 2020 e 2022, atuou contra leis de fomento à área.

Sua gestão foi marcada por críticas às leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, mecanismos de repasse de recursos federais para a cultura, e ataques à Lei Rouanet, que permite financiamento privado a iniciativas do setor com isenção parcial do Imposto de Renda.

Enquanto esteve à frente da Secretaria de Cultura, a pasta teve baixa execução orçamentária. Dos R$ 1,77 bilhão planejado em 2020, foram usados R$ 608,7 milhões. Do total aprovado em 2021, R$ 1,69 bilhão, foram empenhados R$ 620,1 milhões, segundo o Portal da Transparência.