BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, disse que o pedido de extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) ainda aguarda resposta dos Estados Unidos.
Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) determinou a abertura do processo de extradição de Ramagem, que tramita no Departamento de Estado.
A condenação definitiva do núcleo central da trama golpista, do qual o parlamentar fazia parte, foi decretada por Moraes em 25 de novembro.
A declaração foi dada em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados
Na ocasião, o ministro afirmou que a detenção pelo ICE, serviço de imigração dos Estados Unidos, não ocorreu em razão de um pedido de extradição, mas por questões relacionadas à legislação migratória americana.
Ramagem foi detido pelo serviço de imigração dos EUA em abril. Autoridades brasileiras afirmaram, à época, que a ação ocorreu no âmbito da cooperação entre os dois países.
Dias depois, ele foi solto e, na sequência, o Departamento do Estado, por meio do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, acusou o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, sem citar seu nome, de ter "manipulado" o sistema migratório para contornar canais formais, classificando a atuação como uma extensão de "perseguição política" em território americano.
O ministro da Justiça disse, entretanto, que todos os atos operacionais, tais quais abordagem, detenção, teriam sido integralmente executados por autoridades norte-americanas.
"Não houve participação do oficialato da PF em atividades operacionais ou decisórias", disse.
A prisão e sua posterior liberação abriram uma nova frente de atrito entre o Brasil e o governo de Donald Trump, expondo versões conflitantes e um ambiente político propenso à escalada de tensões.
Durante a audiência pública, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), chegou a criticar a postura do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por não comparecer em duas audiências em que foi chamado.
Ele foi interrompido por parlamentares governistas enquanto questionava o ministro sobre uma possível demissão de Andrei Rodrigues.
