SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de São Paulo realizou, na manhã desta segunda-feira (1º), uma operação para investigar suspeitas de desvios em um contrato firmado entre a Prefeitura e o ICB (Instituto Conhecer Brasil). Os mandados de busca e apreensão miram a Secretaria Municipal de Inovação, a casa de Karina Ferreira da Gama e as sedes de duas entidades comandadas por ela: o próprio ICB e a Go UP Entertainment, produtora do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro (PL).

Veja o que se sabe sobre a operação.

Quais são os principais alvos da operação policial?

A Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão na sede da Go UP Entertainment, produtora do filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro (PL), na casa da dona da produtora, Karina Ferreira da Gama, na sede da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e na sede do Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina.

O que motivou a operação?

A operação, autorizada pela Vara de Garantias do TJ-SP, decorre de uma investigação policial sobre um contrato entre o Instituto Conhecer Brasil e a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) na Prefeitura de São Paulo para o fornecimento de Wi-Fi gratuito, no valor de R$ 108 milhões.

Quais foram os sinais de alerta detectados?

Conforme a Folha de S.Paulo informou na última quinta-feira (28), a Polícia Civil pediu à Justiça acesso a movimentações financeiras sigilosas de Karina e do ICB, presidido por ela. A solicitação inclui relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre movimentações atípicas e operações suspeitas no CPF de Karina e no CNPJ do instituto.

Quais crimes estão sendo investigados?

A investigação trata dos crimes de frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas ou rendas públicas.

Qual é a principal suspeita da polícia?

A polícia suspeita que o Instituto Conhecer Brasil foi contratado irregularmente pela prefeitura por um valor acima do praticado pelo mercado, e que houve pagamentos sem que os serviços fossem prestados. Cada ponto de Wi-Fi contratado pelo instituto custou R$ 1.800, enquanto a Prodam, empresa pública municipal de tecnologia, presta serviços idênticos por R$ 230 de implantação e R$ 306 de manutenção mensal por ponto.

Qual a possível ligação entre a verba municipal e o filme sobre Bolsonaro?

A polícia suspeita que parte do dinheiro desviado do contrato de Wi-Fi tenha sido destinada à produção do filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro. Os elementos de inteligência financeira indicam a potencial ocorrência de financiamento cruzado ilícito, com envio de recursos do instituto para a produtora, além de possível lavagem de dinheiro por meio de empresas subcontratadas e outras organizações sociais geridas pela investigada.

Qual a posição da Prefeitura de São Paulo e de Karina Ferreira da Gama?

A Prefeitura de São Paulo afirmou que colabora com as investigações, que todo o material requisitado já havia sido disponibilizado às autoridades e é de acesso público e que a contratação do Instituto Conhecer Brasil seguiu os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Já Karina negou que o filme sobre Bolsonaro tenha recebido dinheiro de pessoas ou empresas brasileiras e afirmou que a contratação pela prefeitura ocorreu de maneira regular, sem ligação com o filme 'Dark Horse'.

Qual foi a reação de Flávio Bolsonaro?

"[Não] tem nada a ver com o filme", disse Flávio a jornalistas ao ser questionado sobre a ação policial após chegar a um evento no Rio de Janeiro nesta manhã. Como mostrado pelo portal The Intercept, Flávio Bolsonaro trocou mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pedindo recursos financeiros para o filme de seu pai.