SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um candidato a presidente do Brasil na eleição deste ano não faria diferença para 65% dos eleitores, segundo Datafolha divulgado neste sábado (20).
Para 17%, o apoio do estadunidense aumentaria a vontade de votar no candidato. Do lado oposto, 15% falam que a vontade de votar no político diminuiria se ele fosse apoiado por Trump. Não sabem 3%.
O instituto ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 17 e 18 de junho, em 139 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-09956/2026.
Trump tem apoiado a família Bolsonaro, representada na disputa presidencial pelo senador Flávio (PL-RJ). Ao mesmo tempo, faz críticas públicas ao governo do presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, apesar de acenos pontuais ao petista.
Nesta sexta-feira (19), Trump afirmou em entrevista ao site Axios que Lula é "muito volátil" e que não se importa com o brasileiro.
Dois dias antes, o estadunidense chamou de perigosa a situação política do Brasil e reforçou alinhamento com o bolsonarismo. Trump citou em tom de pesar a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, ainda que o confundindo com Flávio, e deu a entender que as eleições no Brasil não são confiáveis.
Na declaração a favor do clã, dada a jornalistas, Trump fez referência à condenação de Eduardo, no STF (Supremo Tribunal Federal), por coação no curso do processo. "O Brasil se tornou um país um pouco complicado, certo? Politicamente. Ficou um pouco perigoso do ponto de vista político", afirmou.
Para os Estados Unidos, a condenação é exemplo de perseguição política, argumento já utilizado em outros episódios envolvendo a família, como o julgamento que levou à prisão do patriarca Jair Bolsonaro (PL) por liderar um golpe de Estado.
Já Lula subiu o tom contra Trump, depois de momentos em que tentou uma aproximação, como o episódio em que os dois falaram de uma "excelente química" entre eles, em 2025.
Durante evento no G7 nesta quarta-feira (17), Lula chamou Trump de "imperador" e disse não suportar o comportamento do governo americano. O petista deixou claro que os Estados Unidos não deveriam se meter nas eleições no Brasil.
Apesar de a interferência ser um temor confesso de uma ala do governo, não há muitos indícios de que o apoio de Trump possa fazer uma diferença significativa no desempenho de um presidenciável no país, como mostrou o Datafolha.
O próprio político é no Brasil uma figura polarizada. Segundo uma pesquisa AtlasIntel de junho, 54,8% da população têm uma imagem negativa dele, contra 41,7% que têm uma imagem positiva.
Em outros países, o apoio de Trump ora esteve ao lado de políticos vencedores, ora não. Um exemplo positivo para o estadunidense é o do argentino Milei, aliado que conseguiu em 2025 vitória surpreendente nas eleições legislativas, representando o populismo de direita no hemisfério sul.
Na época, Trump afirmou que Milei contou com "muita ajuda" de Washington para o sucesso. O mesmo não aconteceu na Hungria, onde, mesmo com o apoio do presidente dos EUA, Viktor Orbán deixou o governo após 16 anos no poder.
O Datafolha aponta que, embora o apoio de Trump possa mobilizar eleitores já engajados em pontos polarizados, é pouco provável que tenha mais influência que fatores domésticos, como a economia.
O impacto do apoio de Trump é maior em grupos já perpassados pela polarização. Entre os segmentos analisados pelo Datafolha, é maior a porcentagem dos que dizem que o apoio de Trump aumentaria a chance de votar em um candidato entre aqueles que apontam o PL como partido de preferência (42%) ou cuja intenção de voto é em Flávio Bolsonaro (32%).
Já os que mais acham que um apoio traria o efeito inverso estão entre grupos como os daqueles com intenção de voto em Lula (23%) ou que se dizem de esquerda ou centro-esquerda (24%).