RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Depois de lidar com prefeitos, governadores e parlamentares de todo o país como secretário de Assuntos Federativos no Palácio do Planalto, André Ceciliano (PT) poderia concorrer a deputado federal neste ano. Mas optou por tentar voltar à Alerj (Assembleia Legislativa do RJ), como candidato a deputado estadual.
O plano de Ceciliano é voltar a presidir a Alerj a partir de 2027, na esteira de mais uma crise na Casa, com a prisão do último ex-dirigente, Rodrigo Bacellar (União Brasil), e de dois outros deputados da Casa por indícios de corrupção e associação com o tráfico, TH Joias (expulso do MDB) e Thiago Rangel (Avante).
O petista assumiu pela primeira vez a presidência da Alerj em 2017, com as licenças médicas do presidente Jorge Picciani e do primeiro vice, Wagner Montes. Seguiu até 2019, quando foi eleito pela primeira vez pelos pares para chefiar a Casa, sendo reeleito em 2021.
O atual presidente da Alerj é Douglas Ruas (PL). Antes dele, dos cinco presidentes eleitos pelos deputados estaduais para presidir a Casa neste século -Sérgio Cabral (PSDB/PMDB), Jorge Picciani (PMDB), Paulo Melo (PMDB), André Ceciliano (PT) e Rodrigo Bacellar (União Brasil)--, apenas Ceciliano não foi preso.
Embora considere que a atual crise possa ajudar no "processo de depuração por que o parlamento estadual precisa passar, mantendo os muito bons deputados que lá estão e mandando para casa quem não honra a confiança neles depositada", ele afirma que a Alerj já teve momentos de reconhecimento por parte da população.
"Foi de lá que saiu a política de cotas nas universidades, o fim do voto secreto para cassação de deputados, o passe livre de estudantes. É possível sim requalificar a Alerj, mas isso passa fundamentalmente pela consciência do voto, pelo eleitor", diz Ceciliano.
O discurso em parte cauteloso e com referências positivas à Alerj obviamente tem a ver com 2027, mas é antes reflexo do perfil moderado e diplomático do petista, articulador experiente que se relaciona bem com diferentes correntes internas da Casa.
Sobre suas gestões, Ceciliano afirma que descentralizou recursos e cortou custos. "Economizei R$ 500 milhões anualmente de um orçamento de R$1,2 a R$ 1,3 bilhão [hoje é de R$ 1,6 bi]. Todo processo de licitação era filmado. A gente moralizou a casa."
Uma das ações destacadas por ele e outros deputados foi a criação de uma Assessoria Fiscal na Alerj, dirigida pelo economista e professor Mauro Osório (UFRJ) e da qual fez parte a engenheira Magda Chambriard, atual presidente da Petrobras.
Por encomenda da Alerj, UFRJ e a UFRRJ também elaboraram uma Matriz de Insumo-Produto, para planejar investimentos no estado, elaborada por uma equipe integrada pela economista Esther Dweck, atual ministra da Gestão.
A carreira política de seu filho, Andrezinho Ceciliano (PT), prefeito de Paracambi (município que ele próprio já comandou por duas vezes), também é motivo para o ex-presidente da Alerj optar pela candidatura a estadual, seja para ficar mais próximo dele ou para evitar que deputados federais resistissem a dedicar emendas para o município -o que poderia ocorrer caso ele decidisse sair candidato ao Congresso Nacional.