Depois de descer tudo, o eleitor subiu no carro do filho e se deslocou até a Igreja Metodista, a 1,5 quilômetro da Uerj. Na igreja, encontrou filas e, mesmo tendo prioridade, ainda precisou esperar uma hora para conseguir digitar seus votos na urna.
Nunca levei tanto tempo para votar. Da outra vez, foi muito mais rápido, lamentou o eleitor. Mas, no fim, consegui deixar meu voto.
O número de eleitores com deficiência aumentou de 1,3 milhão em 2022 para 1,9 milhão. Para acompanhar o crescimento, a Justiça Eleitoral ampliou o número de colégios com acessibilidade e cadastrou 220,5 mil seções eleitorais adaptadas. Nas últimas eleições, as salas com essas condições eram 156,2 mil.
As mudanças buscam garantir mais autonomia, segundo a Justiça Eleitoral. O número de eleitores com dificuldades de locomoção chega a 617 mil. Há ainda 319 mil com deficiência visual, 182 mil com deficiência auditiva e 64 mil que registraram dificuldade para o exercício do voto. A categoria Outros reuniu 994.472 registros.
Sem elevador
Embora tenha dificuldade de locomoção e use bengala, Isaura dos Santos, de 77 anos, precisou subir escadas para votar no Colégio Estadual Senor Abravanel, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Não tem elevador para a gente subir. E no escuro, com a lâmpada apagada. Como pode uma situação dessa?, criticou. Sempre venho votar, mas melhoria, que é bom, a gente não vê. É daí para pior.
A atriz Isabela Quadros foi acompanhar a mãe, Maria Lídia Gomes de Matos, de 85 anos, no mesmo local de votação que Isaura. A psicóloga tem limitações na fala e nos movimentos desde um acidente vascular cerebral, mas não abriu mão de participar das eleições.
A escola não tem estrutura para receber uma pessoa na condição dela, mas, com boa vontade, com a ajuda das pessoas [ela conseguiu votar]. A mesária foi incrível. Sem palavras, elogiou.
Maria Lídia se emocionou ao dar entrevista na saída do local de votação e garantiu: deu tudo certo.
Vistorias nos locais de votação
A Justiça Eleitoral reconheceu o desafio da acessibilidade mesmo antes do pleito. Em comunicado no próprio site, informou que grande parte dos imóveis utilizados nas eleições são das redes públicas de ensino ou instituições parceiras, cujas condições físicas podem mudar ao longo dos anos.
"Por isso, os tribunais regionais eleitorais (TREs) e as zonas eleitorais realizam vistorias periódicas para atualizar as informações e identificar as condições oferecidas", informa a Justiça Eleitoral, em seu site.
Eleitores com deficiência têm prioridade garantida e podem entrar na cabine com um acompanhante, mesmo que não tenha realizado a solicitação antecipada. No caso de optar pelo acompanhante, a pessoa escolhida precisava ter 18 anos e não estar a serviço da Justiça Eleitoral, partidos ou coligações.
Como forma de garantir acessibilidade, as urnas contam com teclado em braile, para atender a pessoas cegas ou com baixa visão. Um dispositivo também dá instruções, por áudio, sobre como votar. Para usá-lo, só é permitido o uso de fones de ouvido fornecidos pela Justiça Eleitoral.
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