A ofensiva das forças de segurança contra o Comando Vermelho (CV) na Zona da Mata ganhou novos capítulos nesta semana. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) obteve a condenação de dois integrantes do núcleo familiar de um braço da facção em Ubá, resultado direto da Operação Shenzi, ação que, desde fevereiro, já acumula dezenas de prisões e vem desmontando a estrutura criminosa da organização na região.

Os dois réus foram considerados culpados pelos crimes de organização criminosa e coação no curso do processo, recebendo penas que variam entre quatro e cinco anos de prisão em regime inicial fechado. Outras ações penais envolvendo o mesmo grupo seguem em andamento e aguardam julgamento.

Shenzi

Deflagrada pelo MPMG em parceria com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), a Operação Shenzi teve como foco a repressão ao tráfico de drogas e a crimes violentos, incluindo homicídios atribuídos à facção. O balanço da ação impressiona:

  • 30 prisões em flagrante,
  • 45 prisões temporárias,
  • 46 mandados de busca e apreensão.

As diligências ocorreram em Ubá, Visconde do Rio Branco e Juiz de Fora, fortalecendo a repressão a uma rede que atuava de forma alinhada à cúpula do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.

Operação Meetinghouse amplia cerco e prende lideranças

Meses após Shenzi, o combate ao CV na Zona da Mata avançou com a deflagração da Operação Meetinghouse, ação coordenada entre o MPMG, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e forças de segurança dos dois estados.

A ofensiva, realizada em 18 de novembro, teve como alvo lideranças e operadores logísticos da facção responsáveis pelo tráfico de drogas, armas e pela execução de homicídios na região. O saldo parcial revela o impacto:

  • 27 mandados de busca e apreensão
  • 28 prisões temporárias
  • 16 prisões em flagrante
  • 2 prisões preventivas

Além disso, as equipes apreenderam cocaína, crack, maconha, armas, munições, bombas artesanais, dinheiro, veículos, equipamentos eletrônicos e determinaram a indisponibilidade de imóveis utilizados pela facção.

Duas lideranças da facção no estado foram capturadas no Rio de Janeiro. Também houve prisões em Tocantins (14), Ubá (8), Além Paraíba (1), Eugenópolis (1) e Rio Pomba (2). Cerca de 60 mandados judiciais foram cumpridos pelo Gaeco, pela Polícia Militar e pelas polícias penais de Minas e do Rio.

Pressão nacional: lideranças do CV transferidas para presídios federais

O cerco ao Comando Vermelho não se limita à Zona da Mata. Como desdobramento da intensificação da repressão ao grupo, sete presos suspeitos de liderarem a facção no Rio de Janeiro foram transferidos para presídios federais de segurança máxima, reforçando a estratégia nacional de desarticulação do crime organizado.

Governo e MP reforçam integração

As operações Shenzi e Meetinghouse mostram a consolidação de uma estratégia integrada entre Ministério Público, polícias militares e penais dos dois estados. Segundo fontes envolvidas nas ações, o alinhamento de inteligência tem permitido atingir desde a base operacional até o alto escalão da facção.

Juntas, as ofensivas já somam mais de uma centena de prisões, um volume que aponta para o maior ciclo de golpes consecutivos contra o Comando Vermelho na Zona da Mata em anos.

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