Uma história de saudade que durava mais de 50 anos ganhou um ponto final emocionante no Campo das Vertentes. Duas telas sacras do Santuário de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, furtadas na década de 1970, foram devolvidas à comunidade nesta quinta-feira (16).

As obras, conhecidas como "Duas Telas de Doutores", que retratam Santo Agostinho e São Jerônimo, foram recuperadas após o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) flagrá-las à venda no Instagram de um antiquário paulista.

Para tentar despistar a fiscalização, o forro original do teto da igreja havia sido cortado ao meio e transformado em dois quadros com molduras independentes. Após o MPMG emitir um alerta, os detentores das peças aceitaram devolvê-las voluntariamente por meio da Campanha Boa Fé.

Emoção na comunidade

O retorno das telas comoveu os moradores, especialmente os mais antigos, que guardavam memórias de infância das pinturas. A aposentada Sônia Resende do Amaral, de 77 anos, ajudou a fazer o reconhecimento das peças. "Eu me lembro muito bem desses quadros. Foi uma graça que recebemos. Não imaginava que eles retornariam", comemorou.

FOTO: MPMG -

Para o pároco local, padre Geraldo Sérgio França, o momento é histórico. "A lembrança mais comum aqui é daquilo que se foi. Hoje nós celebramos aquilo que volta. Foi bonito ver a lágrima nos olhos de tantas pessoas idosas", relatou.

Ainda há mais de 700 objetos desaparecidos

Segundo o MPMG, cerca de 700 objetos sacros continuam desaparecidos de igrejas históricas mineiras. O órgão utiliza o sistema Sondar, que mapeia obras de arte com inteligência artificial e recebe denúncias da população para resgatar o patrimônio do estado. As telas recuperadas agora serão reintegradas ao teto do santuário.

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