Moradores de Conselheiro Lafaiete relataram problemas de saúde, constrangimentos e prejuízos econômicos provocados pelo mau cheiro da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Bananeiras, operada pela Copasa no Bairro Cidade Satélite. As reclamações foram apresentadas nessa segunda-feira (10), durante audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Segundo os moradores, o problema existe há cerca de 16 anos, desde a inauguração da estação, em 2010. O odor, descrito como semelhante ao de ovo podre, é associado à emissão de gás sulfídrico (H?S) durante o tratamento do esgoto. Os relatos apontam que o cheiro se intensifica à noite, principalmente no inverno, e pode atingir diferentes regiões da cidade conforme a direção dos ventos.

Durante a audiência, moradores também relataram complicações respiratórias, desvalorização dos imóveis e impactos no comércio. Segundo os depoimentos, o odor dificulta a realização de encontros familiares e afasta clientes de estabelecimentos comerciais, levando alguns negócios a fechar as portas.

O deputado Lucas Lasmar (Rede), autor do pedido da audiência, apresentou um histórico das reclamações e das medidas adotadas ao longo dos anos. Segundo ele, moradores ingressaram com uma ação judicial um ano depois do início da operação da ETE. Um laudo da Agência Reguladora de Saneamento e Energia de Minas Gerais (Arsae-MG), de 2013, também registrou o problema.

Em 2018, a Copasa firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público e o município para reduzir a emissão de gases na estação. Como o problema persistiu, moradores recorreram novamente à Justiça, e a empresa foi condenada a pagar R$4 mil por danos morais.

Um novo laudo pericial, elaborado em agosto de 2026, apontou que a ETE Bananeiras mantém potencial técnico para gerar mau cheiro em sua área de influência. O documento também registra que algumas residências estão a aproximadamente 100 metros das estruturas operacionais e dos leitos de secagem de lodo.

A Copasa anunciou R$36,8 milhões em investimentos para modernizar a estação. O cronograma prevê o início das obras em 2028 e a conclusão em 2030. Para Lasmar, o prazo é motivo de preocupação para os moradores.

Copasa prevê mudança no sistema de tratamento

Representantes da Copasa afirmaram durante a audiência que a empresa busca alternativas para solucionar o problema. A companhia firmou parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para realizar medições mais precisas dos odores e estudar medidas de mitigação.

Entre as alternativas avaliadas está o aprimoramento do sistema de biofiltro. A Copasa também informou que o processo de tratamento de esgoto será remodelado. Atualmente, a ETE utiliza um sistema anaeróbio, sem presença de oxigênio. A proposta é substituí-lo por um sistema aeróbio, com oferta de oxigênio.

Segundo o superintendente de Tratamento de Esgoto da Copasa, Filipe Santos, a mudança deve impedir que as bactérias responsáveis pelo processo produzam gás sulfídrico, reduzindo o mau cheiro.

Arsae fará nova fiscalização

O gerente de Fiscalização Operacional da Arsae, Lucas Pessoa, informou que a agência já realizou fiscalizações na ETE Bananeiras e pretende fazer uma nova inspeção no local.

Segundo ele, o mau cheiro pode estar relacionado a diferentes fatores, como vazão acima da capacidade prevista, falhas no tratamento e lançamento de esgoto não doméstico.

Pessoa afirmou ainda que a interrupção das atividades da estação não seria uma solução, pois poderia fazer com que o esgoto fosse lançado diretamente no rio, provocando impactos ambientais e agravando o problema.

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Esgoto

Lucas Lasmar - Reprodução

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