O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado no próximo dia 02 - data que motivou a criação do Abril Azul -, foi instituído pela ONU com o objetivo de combater o preconceito e a desinformação, promovendo inclusão, acesso aos direitos e apoio a pessoas autistas. Entre os muitos desafios enfrentados pelas pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) está a seletividade alimentar, fazendo com que a relação entre nutrição e autismo receba atenção constante no cotidiano das famílias atípicas.

A seletividade alimentar é uma restrição severa e consistente a certos alimentos e pode ser causada por hipersensibilidade sensorial, o que muitas vezes resulta no baixo consumo de alimentos nutritivos, levando a riscos de desnutrição e obesidade, como explica a nutricionista e mãe atípica, Luciana Xavier Portugal. “A seletividade alimentar não é uma questão de preferência, mas sim de sensibilidade sensorial, que diz respeito ao sabor, cor e textura do alimento, ou ainda ao barulho que esse alimento fará dentro da boca durante a mastigação. O autista seleciona sua alimentação de acordo com essas características dos alimentos e tem muita resistência a mudanças de padrões”, detalha a professora do curso de Nutrição da Estácio.

Para a profissional, a compreensão dessa dinâmica e de se manter padrões durante as refeições é fundamental para uma melhor qualidade de vida e de alimentação às pessoas com o espectro. “É de extrema importância seguir alguns padrões durante a alimentação dos autistas, como por exemplo: que ela seja feita em local adequado; que o cuidador esteja tranquilo e nunca com pressa, pois muitas vezes exigirá paciência e tempo; que o talher seja adequado; que o prato não tenha muitas informações, tenha cor única e que não interfira na coloração dos alimentos”, indica a nutricionista.

A Lei nº 15.131/2025 garante o direito à nutrição adequada e terapia nutricional para pessoas com Transtorno do Espectro Autista no Brasil. Para Luciana, é essencial o auxílio profissional para dar assistência nos casos de padrões alimentares seletivos e melhorar a qualidade de alimentação dos autistas. “O acompanhamento com profissionais de nutrição é indispensável nos casos de seletividade alimentar, principalmente se este profissional for especialista no tema. Esses profissionais fornecerão estratégias que poderão ser usadas nesse processo de melhoria e de introdução de novos alimentos e em novas texturas. Para as famílias que não possuem plano de saúde, é importante que busquem orientações nas unidades básicas de saúde sobre esse direito. Um indivíduo bem alimentado está bem nutrido, mas quando existe a seletividade alimentar, esse indivíduo está apenas se alimentando, mas não está se nutrindo, já que na maioria das vezes ele escolhe algum alimento específico e passa meses ou anos de sua vida se alimentando só com aquele tipo. Junto com uma equipe multidisciplinar de atenção básica, essa família atípica saberá como poderá evoluir para atender às necessidades desse autista seletivo”, explica a profissional.

Atenção especial às mães cuidadoras

A nutricionista destaca que nos casos de seletividade alimentar, não são somente eles que correm o risco de serem acometidos a deficiências nutricionais significativas, mas também seus cuidadores, que na maioria das vezes é a mãe do autista. “Estudos recentes apontam que a alimentação seletiva dos filhos autistas acaba transformando a mãe cuidadora também em uma pessoa seletiva, já que ela precisa lidar com diversas demandas do filho, de tratamentos e terapias, além dos cuidados domésticos. Se essa mãe se tornar também seletiva, ela passará a sofrer com a falta de nutrientes em uma fase importante da vida da mulher: nutrientes importantes para o sono e para a saúde mental, podendo levar essa mãe à obesidade e a doenças crônicas. Por isso a mãe atípica também precisa de atenção especial no que diz respeito à alimentação”, finaliza a professora do curso de Nutrição da Estácio.

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