Artigo
Novos avanços no tratamento da Psoríase
::: 13/03/2003

A Psoríase (do grego psoríasis = erupção sarnenta) é doença não contagiosa que afeta 2% da população. Nos Estados Unidos, os portadores de psoríase fundaram a Psortasis Foundation e contribuem com fundos financeiros enormes para investir na qualidade de vida e na descoberta de medicamentos que curam esta doença.

A doença possui uma predisposição genética, sofre influência do clima e pode ser desencadeada por infecções, principalmente estreptocócicas (causadas por bactérias) além de ser agravada por stress. A psoríase comum se localiza de preferência nos cotovelos, joelhos, pés, mãos, couro cabeludo e região sacra. Com menos frequência pode atingir as dobras como axila e virilha, o que lembra muito micose. Neste casos, deve-se fazer um exame histopatológico ou micológico para o diagnóstico correto.

A psoríase também pode acometer as unhas, que se apresenta com pequenos furinhos (unha em dedal), ou uma unha fica descolada com uma massa debaixo dela em sua parte distal.

Existem formas que acometem as articulações, lembrando muito a artrite reumatóide. No couro cabeludo confunde muito com seborréia, mas geralmente a psoríase tem os limites muito definidos e as escamas são maiores e muito esbranquiçadas.

A coceira não é sintoma comum de psoríase. Quando este ocorre, temos que pensar na associação com micose, em pessoas muito emotivas e preocupadas ou dos produtos usados estarem agravando a dermatose.

No tratamento de psoríase, o mais importante é esclarecer o paciente sobre o caráter crônico mais benigno da doença, da não contagiosidade e sobre a importância de tomar sol (não pode ser em excesso porque senão pode piorar) e a influência do estado emocional. Quando a psoríase é muito discreta, só dos paciente tomar essas precauções ele conseguirá conviver bem com a doença sem precisar nem mesmo se tratar.

Quando a psoríase é mais intensa e gera desconforto físico e psicológico, pode ser tratada com pomadas lubrificantes locais, psoralen (PUVA), neo tigason (acitretina), ciclosporina (Sandimum Neoral), micofenolato mefotil (Celicept) ou Methotrexate. Estes medicamentos devem ser prescritos somente por médicos especialistas, já que tem alguns efeitos colaterais que podem ser totalmente previstos e controláveis.

O tratamento de psoríase tem evoluído muitíssimo. Nos últimos congressos de dermatologia nacionais e internacionais as grandes vedetes são os novos medicamentos para esta doença.

Anotem, pacientes de psoríase, vocês vão ouvir falar muito ainda de: efelizumav (xanelim), micofenolato mefetil (celicept), alefacept, etanercept, infliximab tópico e de uso do Laser Excimar ou Dye laser em formas localizadas da doença. Todos, medicamentos avançados para o tratamento da psoríase. Sabe-se que há fatores autoimunes e um gen que predispõe à psoríase. No futuro, com o desenvolvimento e aprovação da engenharia genética, poderemos controlar este gen e, portanto, a cura da psoríase estará muito mais próxima.


Cristina Mansur
é dermatologista, professora e chefe
da disciplina de Cosmiatria do Serviço
de Pós-Graduaçao em Dermatologia da UFJF.
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