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    Juliana Machada Juliana Machado 28/04/2015

    Bons ventos

    O cenário é conhecido e alguns não aguentam mais ouvir falar sobre este assunto: crise hídrica-energética. Sim, juntas. Como se fossem uma coisa só. É assim que eu entendo a situação. Em recente discussão com um grupo de amigos chegamos a esta conclusão: Acreditávamos que as hidrelétricas eram puro luxo, quando na verdade eu as encaro como um imenso elefante branco. Sei que existem vantagens, mas na minha balança ecológica, estas não compensam. Ao devastar uma enorme área verde para construir uma barragem, há a redução significativa na diversidade de espécies vegetais e como consequência, uma queda drástica na emissão de oxigênio e captura de gás carbônico. Esta obra imensa desvia o curso dos rios e causa impacto nas águas e na vida que ali pulsa. Sabe-se que várias espécies de animais desaparecem. Árvores são mortas, inundadas e viram material orgânico no fundo das águas. Perdem-se as áreas marginais dos rios que hoje sabemos ser tão fundamentais ao equilíbrio ecológico. O microclima se altera e há emissão de gases de efeito estufa em função da decomposição de organismos mortos. Isso tudo sem falar do impacto social na vida das populações ribeirinhas, incluindo índios e pescadores.

    Parou de chover. Os rios secaram e a água das barragens ficou escassa. Deu-se a crise energética. Deu-se a crise hídrica. Observamos perplexos tudo isso, achando mesmo que não há solução. Mas há. Existem outras formas de produção de energia. Mas as chamamos de "alternativas" e até mesmo pela nomenclatura que damos a elas, as deixamos em segundo plano. Reclamam que não são tão eficientes. Mas é claro, não nos dedicamos a desenvolvê-las de fato, porque são o plano B. Eu particularmente tenho uma simpatia pela energia eólica, produzida pelos ventos. Sei que há alguns inconvenientes, como espaço usado e barulho. Mas sei também do enorme potencial cognitivo dos nossos engenheiros para inventar uma forma bem mais inteligente de capturar essa energia. Fora a energia solar, que já dá assunto para outra matéria!

    A energia eólica é aquela produzida pelo movimento das correntes de ar. Em nosso país existe um enorme potencial para este modo de energia, conhecida como limpa já que não emite qualquer tipo de poluente na atmosfera. Muitos países do mundo já optam por investir maciçamente seus recursos e tecnologias para melhorar a produção desta energia, tendo em vista os impactos das hidrelétricas, a escassez de recursos hídricos em muitos pontos do globo, e a crise ecológica que se instala. Penso que pouco a pouco podemos introduzir cada vez mais forma de energias limpas em nosso país. Temos potencial intelectual e ambiental para isso. Resta apenas interesse.

    Em dezembro deste ano vai acontecer em Paris uma Conferência importantíssima que vai tratar de um acordo global sobre mudanças climáticas. Chefes de estado do mundo inteiro vão estar lá. Acho válido o nosso país ir pensando nestas coisas até o fim do ano. E eu desejo que bons ventos tragam boas notícias a este respeito. Estamos precisando.


    Juliana Machado é Bióloga, mestre em Ciências Biológicas - Comportamento e Biologia Animal - UFJF/MG. Doutoranda em Bioética, ética aplicada e saúde coletiva - UFRJ/UFF/UERJ e Fiocruz.

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