Pedido de solução para fim dos barulhos De janeiro a abril, o 27º BPM registrou 244 ocorrências de perturbação do sossego no bairro Alto dos Passos

Guilherme Oliveira
Colaboração*
14/05/2007

Aluga-se uma casa espaçosa, no bairro Alto dos Passos. Motivo: os incômodos provocados por várias pessoas que freqüentam o bairro, principalmente, aos finais de semana.

Anésio Vicente, 72 anos de idade, morador do bairro desde 1977, tomou a decisão por vários motivos que atingem a rua Severiano Sarmento, que conta com seis bares. O professor universitário aposentado alega. "Colocam carros na porta da garagem e não se encontra o dono. Às vezes, a polícia não vem. Gosto do bairro, mas não tem mais condições", diz.

Além dessas reclamações, Anésio destaca a altura do som dos carros, a qualquer hora do dia, como principal fator de incômodo. Consumo de bebidas alcoólicas por crianças e adolescentes e também o uso de drogas ilícitas são outras queixas dos moradores da região.

Para o morador do bairro, José Romero, 76 anos, há 50 no bairro, a saída de moradores tem sido uma constante. "Isso prejudica demais. O barulho vai até de madrugada, a maior parte já quer vender suas casas", conta, ele que não tem interesse em deixar o local.

Amarildo Sá, advogado, é morador do bairro há três anos, e cita os mesmos problemas já destacados e cobra mais atitude dos órgãos responsáveis. "Moramos numa ilha rodeada por bares. O problema nem são os bares, mas algumas pessoas que os freqüentam. O cara que vai beber a cerveja dele é tranqüilo, não atrapalha. Precisamos de mais presença do juizado da infância e juventude, crianças de 12 anos estão bebendo. Eles têm que vir aqui não para apagar incêndio, mas fazer um trabalho preventivo. Se você fala com o cara para tirar o carro da frente da garagem ele até joga a garrafa em cima do seu carro", diz.

Segundo o assessor do 27º Batalhão Polícia Militar, capitão Paulo Alex, a corporação tem feito todos os esforços para coibir qualquer tipo de abuso. "Os bares são mais questões de alvará com a Secretaria de Política Urbana. Se o estabelecimento tem alvará, ele funciona. Agora, se o morador se sentir prejudicado, ele deve acionar a polícia".

De janeiro a abril deste ano, o capitão informa que já foram feitas 244 ocorrências relativas a perturbação do sossego. "É um tipo de ocorrência que segue sempre o mesmo patamar de números", diz.

Mulher 
sentada em uma mesa de bar Sobre a ocorrência em relação aos veículos estacionados, Paulo Alex explica que a vítima tem que aguardar a chegada da Polícia Militar no local. "Se a pessoa que chamou não estiver no local, ou não quiser se identificar, não há crime presumido. Em alguns casos existe a demora por questões de outras ocorrências, como homicídio ou lesão corporal que são prioridade nesse caso", explica.

Verly Olivetti é proprietário de um dos bares há apenas dois meses e diz que já conversou com outros donos para juntos tentarem diminuir os efeitos negativos para os moradores e reconheceu. "Eu não moraria aqui nem por decreto. No meu bar eu respeito. A TV não fica numa altura alta. A gente tem conversado, estamos investigando os problemas. Evito vender bebidas no balcão, assim as pessoas não param a rua", diz.

Até mesmo para os que não se sentem incomodados, como é o caso do morador Fausto Sirimago, 65 anos, e que gosta da agitação do bairro, reconhece a reclamação dos moradores. "Não me incomoda, mas que atrapalha, atrapalha. Os comerciantes são bons, teria que ter é mais prevenção. Domingo passado, dia 6 de maio, isso aqui virou uma bagunça", diz.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Políticas Urbanas (SPU) da Prefeitura de Juiz de Fora, todos os bares do bairro já foram fiscalizados para se adequarem ao novo Código de Posturas.

Os bares que mantêm mesas e cadeiras nas calçadas estão licenciadas em sua maioria e as que não estão são autuados e podem ter as mesas e cadeiras apreendidas, como já aconteceu com seis estabelecimentos.

Quanto a poluição sonora, a assessoria da SPU informa que a fiscalização atua a partir de quinta-feira, regularmente, usando equipamento chamado decibelímetro, que mede o nível de decibéis do local. O som permitido até às 22h pode chegar a 70 decibéis e depois deste horário, 60 decibéis. Os bares que passam esta marca são notificados e também autuados.

*Guilherme Oliveira é estudante de Comunicação Social da UFJF

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