Juiz de Fora - MG

Terça-feira, 23 de junho de 2009, atualizada às 14h45

Trabalhadores e usuários da AMAC protestam contra transformação da entidade em ONG

Patrícia Rossini
*Colaboração

Guilherme Arêas
Repórter

Trabalhadores, usuários e sindicalistas protestaram, nesta terça-feira, 23,  contra a proposta de transformar a AMAC em organização não governamental (ONG), apresentada pela Prefeitura em resposta ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público Estadual (MPE). O movimento começou nas escadarias da Câmara Municipal e, após muitos se revezarem ao microfone, os manifestantes saíram em passeata pelas ruas do Centro, até a Praça da Estação.

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juiz de Fora (Sinserpu), Cosme Nogueira, explica que a manifestação tem o objetivo de chamar a atenção da sociedade. "Precisamos conscientizar a população e preservar a AMAC. Eles (o executivo municipal) querem transformar em ONG e não aceitamos isso."

Para o vereador Roberto Cupolillo (Betão-PT), a contraproposta é a pior alternativa. "Transformando em ONG, a entidade vai precisar de captar recursos e não terá garantia de repasses do município. Também não há garantia de manutenção do emprego das pessoas que trabalham na AMAC e nem da manutenção dos projetos sociais, que são muito importantes para a comunidade."

Nesta terça, os funcionários da AMAC também cruzaram os braços. Conforme o balanço da Prefeitura, a paralisação atingiu todas as 23 creches municipais. Os Curumins e a sede administrativa da AMAC funcionaram parcialmente. Já os programas que funcionam 24 horas por dia, como o Casa da Cidadania, Casa Aberta, Casa Abrigo, Casa do Aconchego e Núcleo do Cidadão de Rua, funcionaram normalmente nesta terça-feira.

Assistidos

Segundo estimativa de Nogueira, cerca de mil pessoas participaram do ato público, entre trabalhadores e assistidos pela AMAC. A aposentada Euzira Cândia Godinho, que há treze anos participa dos projetos sociais da associação, marcou presença. "Vim para dar uma força ao movimento. Faço ginástica na AMAC e participo de vários eventos, tenho medo de ficar sem essa assistência."

A diarista Eliete Nunes dos Santos, que tem um filho de três anos na creche do bairro Linhares, também reivindicou. "Quem é mãe e precisa trabalhar fora para sustentar a casa não pode ficar sem a creche. Onde eu vou deixar o meu filho para poder ir para o serviço, se as creches da AMAC acabarem?". Ana Lúcia Sotelo de Souza, também tem a mesma preocupação. Ela trabalha como diarista e tem um filho de dois anos. "Recebo por dia de trabalho e me preocupo com a manutenção da creche. Não tenho com quem deixar meu filho e nem posso pagar para alguém cuidar dele enquanto trabalho."

foto de manifestação foto de manifestação
Ministério Público visita programas da AMAC

Nesta quarta-feira, 24 de junho, uma comissão formada por três procuradores do Ministério Público Estadual e dois do Ministério Público do Trabalho vêm a Juiz de Fora para conhecerem os programas sociais desenvolvidos pela AMAC. Os promotores propuseram a assinatura de um TAC pedindo o rompimento do vínculo empregatício com mais de dois mil funcionários contratados sem concurso, além da realização de uma seleção pública para o provimento dos cargos.

A visita do Ministério Público é vista pelo Executivo como a chance de encontrar uma saída mais diplomática para a situação. No encontro com os promotores, o prefeito Custódio Mattos e o procurador geral do município, Gustavo Henrique Vieira, vão discutir o conteúdo do TAC.

*Patrícia Rossini é estudante de Comunicação Social da UFJF

Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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