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    Sábado, 4 de maio de 2019, atualizada às 12h28

    Onça-pintada não é capturada na primeira noite. Mais armadilhas serão instaladas

    Da redação

    Duas armadilhas instaladas no Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), nesta sexta-feira, 3 de maio, ainda não capturaram a onça-pintada, filmada no local, nas imediações da Mata do Krambeck e em frente ao hotel na Avenida Brasil nos últimos dias.

    A equipe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio) trouxe quatro armadilhas de laço, escondido no chão, para tentar pegar o felino. As duas restantes serão montadas neste sábado, 4.

    O método é considerado um dos mais seguros e eficazes, conforme o coordenador substituto do Centro, Rogério Cunha, que atua há 21 anos na captura de animais silvestres, e está coordenando os trabalhos nesta etapa.

    “Uma captura nunca é simples, a gente sempre subestima essa facilidade. Não é porque estamos vendo-o na área é que vamos estalar o dedo e pegá-lo. Se não conseguirmos pegar com laço, está vindo uma caixa. Esses animais são muito ressabiados de entrar em armadilha de caixa, tanto a onça-pintada quanto a parda”, explica o profissional.

    “Agora começa um processo de paciência e cálculo para o melhor entendimento dos trajetos realizados pelo animal e para o melhor posicionamento das armadilhas”, afirma o professor Artur Andriolo, do Departamento de Zoologia da UFJF, que está em campo desde o início das atividades, no dia 26, com o professor Pedro Nobre, do Colégio de Aplicação João XXIII.

    Quando a onça for alcançada, ela será levada para uma área florestal ampla, distante de área urbana, onde corra menos riscos. Na área da Mata do Krambeck, que inclui o Jardim, foram identificados perigos de o animal ser caçado, atropelado, ferido ou abatido, conforme o grau de incidente na reação de moradores com a presença do felino.

    “É preciso ter o máximo de cuidado possível na captura. Pois este é um animal extremamente valioso para a natureza, do tipo de onça-pintada mais ameaçada que se tem, que é a de Mata Atlântica. Queremos ter muita precisão nesta captura. O trabalho realizado até aqui tem sido considerado exemplar, com a divisão de tarefas e a organização – o que é uma grande vantagem nossa”, disse Rogério Cunha a equipe de profissionais, que participaram da montagem e da vigília. Nesta primeira noite, dormiram, no Jardim, seis profissionais, entre veterinários, pesquisadores e biólogos da UFJF, do Cenap e do Instituto Estadual de Florestas (IEF).

    Armadilha

    Baseada em dados de monitoramento do animal, realizado desde o dia 26 de abril, a equipe em campo escolheu um trajeto utilizado pelo felino. Em seguida, cavou um buraco, onde colocou um laço, preso a uma alavanca, sobre uma almofada. Um transmissor, instalado na área da armadilha, envia sinais sonoros à sala, no Jardim, onde a equipe se reveza de plantão na escuta dos sinais, desde o anoitecer, quando se inicia a movimentação do animal.

    Para que a onça-pintada seja atraída até a armadilha, Cunha busca direcionar a caminhada do felino até o perímetro do laço. Para isso,  espalha folhas e pequenos galhos, voltados para a estrutura, coberta com areia e folhas. Tenta calcular, inclusive, as últimas passadas do animal e fazer apenas mínimas alterações no ambiente. Por enquanto, ainda não foi utilizada isca. “A partir de agora, é proibido pisar na área”, alerta o profissional, que é biólogo e analista ambiental.

    Quando o felino pisa na almofada, a alavanca é acionada, e o laço se fecha. Ao mesmo tempo, com o movimento da estrutura, um pino encaixado ao transmissor e amarrado à alavanca se solta. Com isso, a frequência de sinais sonoros captada é alterada, alertando os profissionais. “Imediatamente vamos até o animal, para que ele passe o menor tempo possível preso”, afirma Cunha.

    Sedação, pesagem e coleta

    Para assegurar que o felino não vá escapar até que o profissional, acompanhado do médico veterinário Paulo Roberto Amaral, chegue até a onça, o laço é preso a quatro vergalhões de ferro de cerca de um metro enterrados.

    A uma distância de 15 a 20 metros, o veterinário irá atirar uma dosagem mista de anestésico local (tiletamina) e tranquilizante (zolazepam). “É um anestésico forte, potente, porém o bicho fica excitado com luz e barulho. Não sente dor. É bastante seguro com uma dosagem básica”, explica o veterinário.  “Incrivelmente para bichos maiores, como tigre e leão, é usada uma dose menor. Enquanto para cachorros, por exemplo, ela é maior”. Conforme o profissional, é preciso esperar entre 10 a 15 minutos até que o animal fique completamente sedado.

    Certificado de que não há riscos, o professor Rafael Monteiro, do Departamento de Veterinária da UFJF, será um dos responsáveis pela coleta de sangue, pelos e possivelmente urina para análise. “Queremos ainda fazer a vermifugação, para evitar que leve carrapatos e possíveis doenças para a nova área onde será acolhido.”

    A equipe ainda verificará altura, peso, comprimento, dentes e sexo. Pelas imagens captadas ainda não foi possível perceber uma caracterização definitiva da genitália. “A análise do tamanho, do tom amarelado dos dentes, do quanto os caninos estão gastos, entre outros aspectos, bem como a presença ou a ausência de dentes, são indicativos da idade do animal”, afirma o veterinário Paulo Amaral.

    Transporte e colar com GPS

    Em seguida, a onça-pintada será levada em uma jaula forrada com folhagens, em uma van do  IIEF. Conforme o plano da equipe, não será necessário injetar mais sedativos, nesta etapa. O animal vai acordado, monitorado por médico veterinário. Historicamente ele segue tranquilo, quieto, durante o transporte.

    O felino receberá um colar de aproximadamente 380g, dotado de GPS, com transmissor para monitoramento por 24 horas diárias. A cada hora, o aparelho emite sinais de localização captados pelo Cenap e compartilhados com a UFJF.

    O animal deve ficar com o aparelho por cerca de um ano. Ao chegar nesse limite, um dispositivo, conhecido como “dropoff, se desprende, e o colar se abre. A partir do último sinal emitido, é possível recuperá-lo, uma vez que a bateria do colar dura um ano e meio.

    Com informações da UFJF

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