Oscar 2020: O Caso Richard Jewell

Victor Bitarello Victor Bitarello 4/01/2020

Conduzido por um dos atores de maior destaque do cinema norte-americano atual, Sam Rockwell, no papel do advogado Watson Bryant, e contando com a segurança de ter em seu elenco uma atriz como Kathy Bates, como a mãe de Richard, Barbara "Bobi" Jewell, "O Caso Richard Jewell" é mais uma obra que, assim como outras que devem aparecer no próximo Oscar, traz graves críticas a instituições de peso e influência na vida das pessoas. Dessa vez, elas são dirigidas à polícia e à mídia.

Não é difícil ter consciência de que são áreas de extrema importância para a vida em sociedade. A polícia protege (o Estado produz normas e estas estipulam bens da vida que não podem ser agredidos. Se alguém o faz, precisamos de quem tenha legitimidade para nos proteger). O jornalismo informa. Através do jornalismo sério, somos capazes de formular opiniões, tomar decisões, saber sobre o que nos rodeia.

No entanto, a partir do momento em que essas instituições trabalham de maneira irresponsável, sem se ocuparem das devidas finalidades para as quais existem, o mal que elas são capazes de causar são imensuráveis e, muitas vezes, irreversíveis.

No longa, vemos a história de um homem expulso da polícia, Richard Jewell (Paul Walter Hauser), que sonhava em voltar para a carreira. Ao tornar-se segurança nas olimpíadas de Atlanta, nos EUA, em 1996, ele observa uma mochila deixada em um canto, durante um show. Por considerar a situação suspeita, ele relata isso para a polícia e, a tempo, muitas pessoas são evacuadas do local. Duas delas faleceram. Cem ficaram feridas. Num primeiro momento, ele é visto como um herói. Poucos dias depois, ele se torna o principal suspeito das investigações. O filme é baseado em fatos reais.

A gravidade das denúncias que o filme nos traz é muito grande.

A imprensa, representada pela personagem Kathy (Olivia Wilde), age na história apresentando um jornalismo muito mais preocupado em vender do que em informar. O jornal em que ela trabalha expõe Richard como principal suspeito, o que torna sua vida e a de sua mãe um inferno. Em minhas pesquisas, o exato envolvimento de Kathy Scruggs no fato é relativamente controverso. Portanto, optei por escrever baseado no filme.

Com relação à polícia, no caso o FBI, nos choca todos os absurdos que fazem para tornar Richard culpado. Se esforçam para forjar provas, declarações. Abusam da saúde mental do rapaz, claramente comprometida, a fim de facilitarem seu prejuízo. As críticas estão muito bem colocadas. Não há excessos, o roteiro está muito ajustado. Está correto e pontual. Um filme para se assistir, ter a atenção presa, e torcer por justiça.

Enquanto cinematografia, seu ponto mais forte é o trabalho de Kathy Bates. Ela passa todas as emoções - muitas, muitas mesmo - que a personagem pede, de maneira muito completa, com muita carga sentimental. É lindo demais ver o imenso amor que ela tem pelo filho. Dá credibilidade aos sonhos dele, que ela sabe que ele não irá conseguir realizar. Mas o faz sem tratá-lo como um bobo. Ela o respeita. Está sempre ao seu lado. Kathy Bates será a vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante este ano. Isto é uma afirmação.

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