Alceu Valença faz homenagem ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga

Turnê São João 2012 é um tributo a Gonzagão, que completaria cem anos em 2012. No repertório, músicas do Rei do Baião, além de grandes sucessos de Alceu

Andréa Moreira
Repórter
11/8/2012

Nordestino de nascimento e de alma. Um dos maiores representantes e divulgadores da cultura popular brasileira. Ao longo de 40 anos de carreira, foram dezenas de músicas gravadas em cerca de 30 álbuns. Isto é um pouco de Alceu Valença, que se apresenta neste sábado, 11 de agosto, no Cultural Bar, em Juiz de Fora, com o show que homenageia o centenário de outro grande nordestino: Luiz Gonzaga. A turnê São João 2012 chega à cidade após passar por mais de vinte cidades. O repertório do show traz grandes sucessos do Rei do Baião, como Juazeiro, Sabiá, Pau-de-Arara, Cintura Fina e Xote das Meninas. Além de composições próprias, como Coração Bobo, Pelas Ruas Que Andei, Cavalo de Pau, Belle du Jour, Táxi Lunar, entre outras.

Em entrevista, por e-mail, ao Portal ACESSA.com, Alceu Valença, revela que homenagear Luiz Gonzaga no ano de seu centenário é uma coisa que ocorre naturalmente e, mais do que isso, falar e cantar o Rei do Baião, é reavivar suas próprias origens. "Percebo que muita gente toma carona no centenário de Luiz e inventa homenagens despropositadas. Gente que não tem nada a ver com a música de Luiz grava discos dedicados a ele. Por um lado é bom, porque a arte de Gonzagão ultrapassa fronteiras e afirma sua singularidade, sua influência passa a ser mais abrangente. Mas eu achei que cabia a mim - como cabe a vários outros artistas diretamente influenciados por ele - uma releitura especial de sua obra, somada às minhas próprias composições que evidenciam determinadas semelhanças e reafirmam nossa identidade brasileira, sertaneja, agrestina, nordestina."

A influência

O músico destaca também que a influência de Luiz Gonzaga sobre suas músicas vem da sua origem e de toda a cultura produzida pelo nordeste. "Nasci e cresci em São Bento do Una, no agreste de Pernambuco, e convivi de perto com as expressões que ajudaram a consolidar a música de Gonzaga. Convivi com aboiadores, emboladores, cordelistas, cegos cantadores de feira, sanfoneiros de oito baixos e toda a mitologia do agreste e do sertão. Ao ver artistas que nada tem a ver com esta história prestarem tributos vazios ao centenário de Gonzaga, distanciados de suas propostas estéticas e conceituais, resolvi, eu mesmo, fazer esta homenagem," ressalta Alceu Valença, lembrando que ao longo de sua carreira, gravou várias canções do Rei do Baião. "Só para citar alguns sucessos, tenho em meu repertório Vem Morena, Cintura Fina, Baião e Xote das Meninas. Recentemente, gravei Sala de Reboco (assista o clipe), com participação da jovem cantora e sanfoneira Lucy Alves, do grupo Clã Brasil, da Paraíba."

O legado

Nos relatos de Luiz Gonzaga, pode se observar a admiração pelas obras de Alceu Valença. Uma das comprovações é a gravação que o Rei do Baião fez da música Plano Piloto, obra de autoria de Alceu Valença em parceria com Carlos Fernando. Mas a forte ligação existente entre estes dois representantes da cultura nordestina foi expressada no último encontro, no qual Luiz Gonzaga pede para que Alceu não deixasse o forró morrer. Segundo Alceu Valença essa é uma responsabilidade de que ele se orgulha e da qual não tem como fugir. "O Brasil precisa redescobrir sua trilha sonora, reencontrar-se com sua identidade. Este é o nosso papel enquanto representantes da verdadeira arte brasileira. O Brasil precisa ser mais culto e menos cult."

Sobre o show de logo mais, Alceu revela estar ansioso. "Adoro Minas e estou muito animado para cantar no Cultural Bar, em minha querida Juiz de Fora. Estou chegando com toda a energia e muito xote, forró, embolada e baião para vocês."

Os textos são revisados por Mariana Benicá

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