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    Turibio Santos comemora 65 anos em apresentação solo Mestre do violão interpreta peças que aproximam Tom Jobim e Villa-Lobos em Mistura Brasileira, repertório que leva ao Central na programação do 19º Festival



    Fernanda Fernandes
    Repórter
    14/07/2008

    O violão é um instrumento propício para harmonizar o clássico e o popular, e ninguém cumpre melhor essa tarefa que o maior violonista brasileiro vivo, Turibio Santos, que traz o repertório de seu novo CD para a programação do 19º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.

    O disco Mistura brasileira é o sexagégimo quinto gravado pelo mestre e foi lançado pelo selo Delira no ano em que Turibio festeja seus 65 anos, completados março de 2008. "A coincidência é um gancho jornalístico", brinca.

    Gaspar Sanz, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro fazem parte do programa, que também mostra certo parentesco entre músicas de Tom Jobim e de Villa-Lobos. "Tom se inspirou muito em Villa-Lobos, em particular nos estudos para violão. Mostro um pouco como isso evoluiu. Na cadência do Concerto de Violão ele tem a idéia de Garota de Ipanema. Não é plágio. É inspiração mesmo", diz Turibio, que vê a mesma lógica entre Modinha e o Estudo nº8, entre o Samba de uma nota só e o Estudo nº4.

    Turibio vem pesquisando esse parentesco próximo há muito tempo. "O próprio Tom Jobim que me jogou nessa, porque ele brincou uma vez comigo. No disco até escrevi isso. Eu estava na casa dele e ele começou a brincar, disse 'Turibio, violão pra harmonia não é muito bom. Bom é o piano', e começou a tocar o Estudo nº4 do Villa-Lobos no piano de cor, o que é uma coisa muito complicada. Aí eu vi que ele tinha estudado aquilo profundamente e corri atrás."

    foto da capa do CD Mistura Brasileira No encarte do CD, Turibio conta a história e descreve como a peça composta por Villa-Lobos na década de 20 é um estudo premonitório de todas as harmonias do que seria chamado quarenta anos depois de bossa-nova.

    O disco é também uma maneira menos formal de voltar aos estudos de Villa-Lobos, gravados em 1962 por Turibio em registro histórico, feito a convite da esposa do compositor.

    O violonista conheceu Villa-Lobos um ano antes da morte dele, em 1958, em uma palestra sobre a obra para violão. Dois anos depois, foi criado o Museu Villa-Lobos, dirigido pela viúva do músico, Arminda, até sua morte. Desde 1986, Turibio assumiu a direção da instituição.

    Entusiasta dos festivais

    Turibio Santos diz que já perdeu a conta de quantas vezes esteve no Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. "O festival é uma muito emocionante, um esforço maravilhoso. Se acontecesse uma coisa feito o ensino musical de Juiz de Fora em todas as cidades, o Brasil era o país mais feliz do mundo", idealiza. Entusiasta dos festivais, Turibio assumiu a direção de um evento em Vassouras, que começa em 16 de julho, dia seguinte ao seu concerto em Juiz de Fora.

    Embora passe por Juiz de Fora durante quase todas as edições do festival, já faz alguns anos que Turibio não toca na cidade. Já é tradição sua presença nem que seja para abrir o curso de violão, deixando a oficina a cargo de seus assistentes Graça Allan e Clayton Vetromilla.

    Avesso a chamar a música clássica de erudita, Turibio diz que seu foco é a música instrumental. "Erudito deve ser coisa de algum boboca de academia. Isso não existe em linguagem nenhuma. Você não diz musique erudite, em francês. É preciso enterrar esse nome pavoroso", decreta, explicando que, durante as oficinas só não se pratica o acompanhamento de samba, por exemplo, mas até choro entra no rol.

    foto da capa do CD O Guarani foto da capa do CD Romanceiro foto da capa do CD Violão Amigo

    Maranhense radicado no Rio desde 1946, Turibio gravou 65 discos e lançou vários livros e métodos de violão. Sua extensa e produtiva carreira o levou a diversas partes do mundo, dividindo o palco com nomes como Yehudi Menuhin, M. Rostropovitch e J. P. Rampal.

    Além de ser referência obrigatória na interpretação dos estudos de Villa-Lobos, o violonista também é conhecido pela redescoberta e gravação de João Pernambuco, Garoto e Dilermando Reis.

    Somam-se a tantas obras a criação da Orquestra de Violões do Rio de Janeiro e da Orquestra Brasileira de Violões, sendo também o padrinho da Orquestra Petrobras Pró-Música. Turibio é ainda membro-fundador do Conseil D'Entraide Musicale, da Unesco, Chevalier de la Legion D'Honneur, e Oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul.

    Turibio Santos apresenta-se no dia 15 de julho, às 20h30, no Cine-Theatro Central (Praça João Pessoa, s/nº). Confira a programação completa no site do Centro Cultural Pró-Música.

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