Das plataformas de petróleo para o artesanato

Fernando Bettencourt divide-se entre os trabalhos na perfuração de poços e artesanato em Juiz de Fora

Eduardo Maia
Repórter
31/08/2014
Fernando

Ocupar o tempo ocioso com uma ação que valoriza, acima de tudo, a criatividade. Com o cuidado, a técnica e um trabalho manual com poucas ferramentas, o supervisor de convés Fernando Gualter de Mattos Bettencourt, 58 anos, resgata elementos que são descartados para transformá-los em obras de arte.

Fernando trabalha na área de perfuração de poços de petróleo em uma off shore. Há 18 anos no ramo, tem um regime de trabalho que lhe propõe ficar 21 dias em alto mar e o mesmo período em sua casa, no bairro Santa Cecília, em Juiz de Fora. Nos dias que descansa, ele se dedica a outro ofício: ao de artesão.

"O artesanato veio por acaso. Trabalhava na perfuração de poços e, nas horas ociosas, a gente procurava ocupar o tempo. Fazíamos peças usando cabo de atracação. Depois comecei a trabalhar com jornal, madeira e certa época com cordão encerado. Só que é inviável, porque fica mais caro e não compensava. Hoje eu trabalho com bambu, jornal e barbante. Não uso com meio de vida, mais como hobbie. Qualquer lucro que vem é bem-vindo, é uma terapia para mim", conta.

Natural das ilhas dos Açores, em Portugal, Bettencourt morou em Angola e chegou ao Brasil na década de 70. Além de Juiz de Fora, passou por Volta Redonda e Vassouras, no Rio de Janeiro e São José dos Campos (SP). Nos dias que fica na cidade, na companhia da esposa Celeste e da filha Alice, Fernando faz da área da laje de casa o seu ateliê. Ali, dedica boa parte da sua semana manuseando jornais, barbantes e transformando-os em cestos, suportes para plantas e até em uma espreguiçadeira que produziu com madeira e técnicas de macramé.

"Fico no mínimo cinco dias por semana, uma média de oito a dez horas por dia. A prática chama atenção porque não uso quase ferramenta alguma. Os barbantes trabalho com nó. Já os jornais, uso uma pequena antena de rádio para enrolar. Depois de pronto, cubro os cestos com verniz branco para conservar o material", mostra.

Agora, a intenção de Fernando é levar o seu trabalho ao conhecimento das pessoas. "Já estou expondo na casa de cultura aqui no bairro São Mateus e já levei algumas peças para o pessoal da Casa de Cultura da UFJF para expor lá. Eles abrem o espaço a cada primeiro sábado do mês e em breve eu devo expor o meu trabalho lá."

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