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    Domingo, 28 de abril de 2019, atualizada às 11h30  e às 11h desta segunda, 29

    Morre, aos 45 anos, o dançarino libanês Tufic Nabak  

    Jorge Júnior
    Editor

    O libanês Tufic Nabk, de 45 anos, morreu, por volta das 5h30 deste domingo, 28 de abril, vítima de um tumor no pescoço. O dançarino estava internado desde o dia 25 de fevereiro no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora. O corpo será velado a partir das 13h, no Cemitério Parque da Saudade. O enterro será às 16h, na capela 2.

    Tufic Nabak nasceu na cidade de Ras Baalbeck, no Líbano. O dançarino atuava no cenário artístico desde 1983, mas em 1990 mudou-se para o Brasil, juntamente com sua família, por causa da Guerra Civil.

    Grande divulgador da cultura árabe, Tufic começou a dançar aos dez anos em seu país, dentro de colégios e teatros, mas foi em 1998, em terras brasileiras, que ele deu início a carreira profissional.

    Em entrevista concedida ao Portal ACESSA.com, em maio de 2013, ele contou que leu um anúncio no jornal, que estavam selecionando bailarinos para atuarem no filme "Lavoura Arcaica", de Luiz Fernando Carvalho. "Então, fiz a minha inscrição e fui aprovado. No longa, atuei como elenco de apoio, consultor de língua e cultura árabe, colaborando ainda nas cenas em que dançavam o Dabke, uma tradição árabe que se tornou a minha especialidade."

    Depois dessa atuação, Nabak se especializou, dançou em algumas cidades, fez curso de teatro no Grupo Divulgação e no GTA, com o professor Marcos Marinho e, em 2001, fundou o Grupo Nabak, no Clube Sírio e Libanês. "O grupo teve origem nas gravações do filme e na participação do Desfile Sesquicentenário de Juiz de Fora, em comemoração aos 150 anos da cidade".

    À época, o libanês lembrou que "a maior dificuldade foi erguer um projeto sem verba e apoio. A presidente do clube nos cedeu o espaço e comecei a comprar os materiais que eram necessários para manter o grupo".

    Aliada às suas atividades, Nabak concluiu, em 2003, em Santos Dumont, o curso de Turismo. "Depois de passar pela faculdade de engenharia na Universidade Federal de Juiz de Fora [UFJF], e por um curso técnico em prótese dentária, ambos não finalizados, encarei esse desafio, onde me descobri", contou Tufic, em entrevista ao Portal ACESSA.com.

    Reconhecimento

    Logo após a criação - do projeto pioneiro - Nabak participou da novela "O Clone", da Rede Globo, em 2002. Mas o reconhecimento nacional e internacional, segundo ele mesmo afirma, veio em 2006, quando ganhou o prêmio de Primeira Categoria Dupla Nacional, no Mercado Persa, em São Paulo. "É um evento de destaque, que atrai pessoas do mundo todo, chegando a cerca de 10 mil visitantes."

    Depois disso, o trabalho desenvolvido pelo libanês ganhou repercussão em todos os cantos do Brasil, como Brasília, Curitiba, Recife, Fortaleza, Rio e São Paulo. Mas, sete anos depois, o libanês retornou aos estúdios da TV, desta vez, para ser entrevistado pelo jornalista Jô Soares. Além da matéria, o bailarino realizou uma apresentação de danças folclóricas árabes no final da entrevista, durante o programa.

    Em 2011, o grupo Nabak obteve, do Consulado Geral do Líbano no Rio de Janeiro, reconhecimento pelo trabalho de divulgação e preservação da cultura libanesa no Brasil. "Quando comecei foi tudo muito difícil, sem saber se ia dar certo e sem apoio. Mas conseguimos colher os frutos que plantamos, com um trabalho sério, de qualidade e com muita felicidade. Criar um grupo é fácil, mas manter é muito complicado. Agora, tudo é diferente. Temos o nosso espaço, e as pessoas e a mídia estão sempre de portas abertas para nós", comemorou.

    No grupo, ele além de produzir e organizar eventos voltados para a cultura árabe, o libanês ministrava curso de língua árabe, palestras, workshops, oficinas, avaliações de bailarinas e cursos profissionalizantes de danças folclóricas.

    Em 2012, Tufic Nabak foi convidado pela bailarina libanesa Amani para estar entres os mestres convidados do Amani Oriental Festival, em Beirute, para representar o país na sua terra. O bailarino se apresentou no show de gala, ministrou workshop e fez parte do corpo do júri do evento.

    Outros projetos

    Além disso, Tufic teve grandes trabalhos em curtas-metragens, editoriais de revistas, artigos de jornais e televisão. O dançarino ministrou aulas de Dabke para o núcleo libanês da minissérie "Dois Irmãos". Em  maio de 2018, o libanês realizou, no Clube Sírio Libanês, a XVII Feira Cultural Árabe de Juiz de Fora, com mais de 70 apresentações de bailarinos mineiros e do Rio de Janeiro. Seu mais recente trabalho foi como preparador e coreógrafo do elenco da novela "Órfãos da Terra", também da Globo.

    Tufic também era autor do livro "Um Líbano inesquecível", lançado em 2013.

    Entrevista no Programa do Jô

    Homenagem

    Pelas redes sociais vários amigos, alunos e parceiros se manifestaram, deixando uma mensagem para o divulgador da cultura árabe.

    "Conheço o Tufic desde 2004. Uma pessoa maravilhosa. Foi um grande amigo e irmão. Aprendi muito com ele. Sempre muito querido, abrilhantava os eventos para onde ia. Se dedicava muito ao ensinar o Dabke. Aqui na minha cidade, em Teresópolis (RJ), ele fez diversos shows comigo e as alunas se encantavam pelo bailarino e pessoa maravilhosa que ele era. Único bailarino libanês no Brasil. Conseguiu conquistar muitas coisas com seu talento e garra. O mundo da dança árabe não será mais o mesmo, ficou um enorme vazio. Grande amigo e grande mestre"
    Aryana Rebelo

    "Tufic Nabak estará sempre na lembrança"
    Michelli Nahid

    "Tufic foi meu mestre, parcerio na dança árabe, se tornou meu grande amigo e da minha família. Doeu muito quando enviei a foto de minha filha que nasceu para ele conhecer e já não foi mais possível, pos ele não ficava acordado. Ele sempre torceu muito para eu e meu espos engravidarmos, pois não podíamos. Ele acompanhou, mesmo de longe, o nosso milagre. O titio Tufic se foi sem conhecer a nossa Manuzinha. Sempre tive orgulho de dizer que sou bailarina Selo Nabak, pois Tufic sempre foi uma pessoa de um coração enorme, um profissional extraordinário, impulsionou muito a cultura árabe aqui no Brasil. Ensinou e incentivou muitos bailarinos a fazer uma trajetória profissional maravilhosa. Ele alegrava os palcos, agora está alegrando o céu”
    Cíntia Barros

    "Hoje é o dia dança. .. e não poderia deixar de homenagear o Tufic Nabak, que tanto nos ensinou e nos fez conhecer uma cultura tão linda. Só nós, bailarinas (os) que tivemos a honra de conviver com ele, sabemos que a dança vem da alma e é o que nos move a cada dia para sermos pessoas melhores e mais felizes. Palmas para ele..."
    Gi Jácome

    "Ao meu amigo, Tufic Nabak, parceiro em vários eventos por esse Brasil, fica uma enorme saudade das risadas e longas conversas. A dança árabe, que consegue unir várias pessoas de várias cidades e países diferentes, perdeu uma grande pessoa..Deixo aqui todo o meu respeito a você meu irmão !! Siga seu caminho e seja muito feliz."Marcio Mansur

    "Meus sentimentos e que Deus abençoe toda família Nabak. O céu recebeu hoje um dos grandes representantes da cultura árabe no Brasil. Um bailarino atencioso e sempre querido com todos os colegas do nosso meio. Uma pessoa maravilhosa e exemplar que vai deixar saudades. Tufic Nabak, obrigada por tantos feitos"
    Letícia Soares

    "Shukran, amigo. Vá em paz com os anjos do Senhor. No coração, todas as boas memórias de tudo que vivemos. Com a certeza de Jesus lhe acolhendo em seus braços, minha eterna gratidão"
    Grife Crys

    "Amor e gratidão definem todo o tempo, toda nossa história juntos. Obrigada meu irmão Tufic Nabak"
    Nanci Rocha

    "Sei que é uma questão de tempo para nos reencontramos e dançarmos juntos novamente. Sou muito grata por todos os anos de convivência, parceira e amizade. Como você diria: 'show shaly',  até breve"
    Shalimar Mattar

    "Muito triste dizer que meu amigo Tufic Nabak se foi. Há pouco tempo, foi contratado pela Rede Globo para ensinar sua cultura ao elenco, estava tão feliz. Vá em paz meu amigo, você fará falta a nós e ao Sírio Libanês de Juiz de Fora"
    Annaelise Fritz Machado

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