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    Curso de informática para pessoas com deficiência visual Curso possibilita encarar mercado de trabalho com mais autonomia


    Guilherme Oliveira
    Colaboração*
    16/07/2007

    A perda total da visão, aos 16 anos, de Rosani Martins, por mais incrível que pareça, acendeu uma luz para que ela, enfim, trilhasse seu próprio caminho. Até então, ela era analfabeta. Destino ou força de vontade, a verdade é que hoje, aos 41 anos, ela cursa a sua segunda faculdade. Formada em história pela UFJF, está a caminho do diploma do curso de Comunicação Social.

    "Depois que fiquei cega é que ganhei lugar no mundo. Antes eu tinha visão sub normal, não era uma pessoa com visão normal e nem cega totalmente, não sabia o que fazer", conta.

    Agora, Rosani (foto abaixo) e mais 17 alunos, também com deficiências visuais, enfrentam uma nova etapa. Entrar no mundo da informática. Desde setembro de 2006, a Associação dos Cegos promove o curso, um projeto que possibilita que pessoas com deficiência visual tenham melhores oportunidades de inclusão no mercado de trabalho tão limitado.

    "Virei a rainha do e-mail. Voltei a me comunicar com as pessoas. Antes eu ficava restrita a mim ou a uma pessoa que sabia braile. Voltei a escrever cartas para amigos, sou apaixonada por escrever cartas e isso para mim é fundamental, agora posso. Saber informática não é mais uma exigência, é uma realidade", diz Rosani.

    foto de Rosani Martins Professor do curso, Antônio Pedro Namhan, também com deficência visual, trabalha com o sistema operacional Dos Vox, um leitor de tela que quando uma tecla é tocada, uma voz humana emite o som de determinada letra, por exemplo, e vai passo a passo explicando todos os comandos.

    "O objetivo central do curso é preparar os alunos para que eles possam ter conhecimento para fazer pesquisas na internet, arrumar emprego, trabalhar em determinadas firmas, enviando e recebendo e-mails. As empresas, a partir de 200 funcionários, são obrigadas a liberar uma cota para pessoas com deficência. E dentro dessas cotas elas muitas vezes exigem conhecimento de informática porque acreditam que a pessoa com deficência visual não tenha condições de conhecer", revela.

    foto de Lucas Chagas

    Para a aluna Dilma Rosa, de 41 anos, o curso além de deixá-la mais independente, tem contribuído também para outros cursos extras que ela faz, como o de inglês.

    "Eu faço a prova, em braile, junto com os outros alunos no curso de idiomas. Trago a prova aqui na associação e eu mesma digito e mando por e-mail para o meu professor corrigir", conta Dilma que também é formada em História e perdeu a visão aos 15 anos.

    Entrar no mercado de trabalho, ajudar nos trabalhos escolares, são muitos os motivos que fazem com que os alunos possam realmente enxergar um futuro mais promissor.

    foto de Lucas Chagas Para o aluno Felipe Marques, aprender informática talvez seja o começo de um futuro profissional no meio. "Além de ajudar na escola, posso agora fazer pesquisas na internet. Está sendo muito bom. Gosto muito e quem sabe um dia não vou trabalhar com informática", conta.

    O curso acontece três vezes por semana, com duração de uma 1h30 cada aula. Atualmente são quatro turmas. Uma delas já está em fase de conclusão. As pessoas com deficências visuais interessadas no curso devem procurar a Associação dos Cegos para se cadastrarem para as próxima turmas. O telefone é (32) 2101-2469.

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