Pedofilia em rede social corresponde a 40% das denúncias contra a pornografia infantil na internet Das 2.404 denúncias registradas na Central Nacional de Crimes Cibernéticos em 2011, 976 são referentes a casos de pedofilia em um site de relacionamentos

Victor Machado
Colaboração*
2/3/2011

As denúncias contra a pornografia infantil em redes sociais correspondem à 40% dos registros feitos pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos em 2011. Das 2.404 delações feitas à central, de 1º de janeiro a 1º de março de 2011, 976 são referentes a casos de pedofilia em um dos sites de relacionamentos mais utilizados no Brasil. Em 2010, 15.396 denúncias de pornografia infantil — das 32.255 registradas — tinham relação com a rede social. Naquele ano, o percentual foi de 47%.

O delegado titular da Polícia Federal (PF), Cláudio Nogueira, confirma que grande parte dos crimes de pedofilia acontece em sites de relacionamento. "Normalmente, algum adulto passa-se por criança para ludibriar a vítima. É importante que os pais acompanhem, constantemente, os passos dos filhos em sites de relacionamento e, principalmente, percebam quem são os amigos dele", comenta.

Nogueira afirma que a vulnerabilidade pode ser evitada, com pequenas medidas e orienta que os pais devem tomar cuidados básicos para evitar esse tipo de crime. "Muitas vezes, o pai e a mãe pensam que os filhos estão mais seguros em casa do que brincando na rua. Mas eles esquecem que a criança ou o adolescente podem estar sendo vítimas de algum pedófilo. Por isso, a importância de tomar cuidados mínimos", afirma.

Entre as maneiras de prevenção apontadas pelo delegado, está o bloqueio à entrada em determinados sites. Segundo o delegado, os próprios programas de acesso à internet possuem ferramentas que bloqueiam páginas de sexo ou com conteúdo inapropriado. Durante palestra ocorrida na última terça-feira, 1º de março, na Câmara Municipal, Nogueira destacou que o pedófilo pode estar dentro de casa ou ser uma pessoa próxima, que parece estar acima de qualquer suspeita.

"Normalmente são pessoas com as quais se convive socialmente, sem motivo para desconfiança. Desconfie de quem presenteia seu filho, de quem é gentil, amável e educado, pois por traz dessa pessoa pode haver um aliciador de menores", explicou. De acordo com ele, o pedófilo usa o tempo que for necessário para ganhar a confiança e se aproximar das crianças. "Temos que educar nossos filhos a usar a rede mundial de computadores e alertá-los que, como na rua, a internet também tem lugares que não se deve visitar."

Nogueira disse sobre a utilidade da internet, como meio de pesquisa, por exemplo, e aconselhou que os pais naveguem na internet junto com seus filhos e que estabeleçam regras razoáveis para serem cumpridas pelas crianças.

O delegado também aponta como medida de prevenção, o cuidado em autorizar o filho a ir a uma lan house. "Sempre que possível, deve ser evitado. O perigo da internet já está dentro de casa, fora dela, os pais não conseguem controlar", explica. A Polícia Federal já vem fazendo contatos com a Câmara Municipal a fim de criar medidas para fazer um cadastramento obrigatório de todos os usuários de lan houses da cidade. "Seria uma forma de controle do que é acessado nesses locais e, principalmente, por quem foi acessado", afirma.

Como denunciar

O controle desse tipo de crime por parte da PF é feito por meio de denúncias e checagem de conteúdos acessados. Cláudio Nogueira explica que o órgão possui peritos especializados em descobrir e investigar os atos pela internet e que toda denúncia é encaminhada para Brasília, onde é feito o processo de investigação. "Existe uma equipe e formas específicas de chegar aos criminosos", aponta o delegado. Ele acrescenta a importância das denúncias, que podem ser feitas pelo Disque 100.

Além das ações de combate à pedofilia, Nogueira alerta que toda a população deve ficar atenta aos crimes cometidos pela internet. "As pessoas têm costume de dar muita atenção aos amigos virtuais, que podem ser criminosos". Segundo ele, os crimes pela rede têm aumentado e o principal motivo é o crescimento do acesso e a falta de cuidados dos usuários.

Maioria dos crimes cibernéticos ocorre em rede social

Levando-se em conta todos os tipos de crimes cibernéticos denunciados em 2011 — intolerância religiosa, racismo, neonazismo, tráfico de pessoas, pornografia infantil, maus tratos contra animais, xenofobia, apologia e incitação a crimes contra a vida e homofobia —, 62% (3.949 das 6.370) foram cometidos por meio do site de relacionamentos. Em 2010, a rede social foi responsável por receber 65% das denúncias (44.399 das 68.319).

*Victor Machado é estudante do 7º período de Comunicação Social da Estácio de Sá

*Colaborou Clecius Campos

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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