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Como a sociedade analisa a deficiência hoje em dia?




Sheila Rosskamp
Psicóloga, consultora de inclusão
social da pessoa com deficiência da Agência de Desenvolvimento
ilustração de deficiência

Antigamente as pessoas com deficiência eram vistas como um peso para a família, pois não conseguiam nem ao menos sair de casa pela falta de acessibilidade. Dificilmente iam para a escola e raramente conseguiam um emprego.

Hoje a realidade é outra: apesar do culto excessivo ao corpo perfeito, criou-se a Lei de Cotas, obrigando as empresas a contratarem um percentual de pessoas com alguma deficiência. Todos parecem estar preocupados com a questão da responsabilidade social.

A cada dia, 500 brasileiros tornam-se deficientes físicos, mas as deficiências ainda são vistas como uma realidade muito distante para muitas pessoas. Segundo o dicionário Aurélio, a deficiência é definida como "falta, falha, imperfeição, insuficiência".

Se formos pensar em todos os tipos de deficiência como a deficiência mental, visual, auditiva ou ainda comportamental, emocional, financeira, esses números se tornam assustadores. Vendo por esse prisma, todo indivíduo tem um tipo de deficiência e terá alguma deficiência física se viver o bastante.

Mas é difícil aceitar esse fato, pois as deficiências ainda suscitam fortes emoções... No Brasil, há 10 anos vem sendo feito um trabalho de inclusão de todo tipo de pessoa à sociedade e muita coisa está melhorando, através da melhora em tecnologias, reabilitação, leis, acessibilidade, transporte, emprego...

Visivelmente já existe uma forte mudança na maneira de tratar a pessoa diferente, evitando se referir a ela através de termos com significado negativo, por exemplo: idiota, imbecil, tolo, aleijado, etc; e não mais mostrando os maus dos contos infantis, novelas, filmes e desenhos animados como sujeitos com algum tipo de deficiência, como ocorria antigamente. Hoje já existe uma mentalidade de respeito às diferenças. Com todo esse avanço ficou claro que a verdadeira força está na mente.

Não basta a sociedade mudar, as pessoas com deficiência também precisam superar seus conflitos gerados pela deficiência como a depressão, inconformismo, revolta, isolamento, inatividade e passividade.

Algumas deficiências trazem também alterações cognitivas como alteração no pensamento, dificuldades na memória, na atenção, percepção, raciocínio, planejamento, distúrbios de aprendizado, entre outras, sendo necessário uma avaliação de um psicólogo com experiência em reabilitação de pacientes neurológicos, para fazer um mapeamento de suas dificuldades e um levantamento de suas habilidades e posteriormente sua colocação no mercado de trabalho.

De nada adianta se lamentar, deve-se enfrentar o medo de situações novas, falar sobre suas dificuldades e limitações, elaborar o luto pelas perdas sofridas de sonhos que não poderão mais ser realizados. O ideal é promover as adaptações necessárias para sua maior autonomia e "aceitar" sua condição, sem receio nem vergonha.


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