Juiz de Fora - MG

Quarta-feira, 4 de agosto de 2010, atualizada às 19h14

Igreja Católica orienta fiéis sobre voto consciente e combate aborto e união homossexual

Clecius Campos
Repórter

A carta publicada pelo arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Juiz de Fora, Dom Gil Moreira, quanto à postura a ser adotada pela Igreja durante o período eleitoral traz orientações aos fiéis sobre voto consciente e sobre o comprometimento com os valores cristãos no momento de escolher as lideranças políticas.

O texto de quatro páginas incentiva a população católica a ir às urnas e escolher seus representantes na Presidência da República, no Senado, na Câmara Federal, no Governo Estadual e na Assembleia Legislativa. "Trata-se de uma oportunidade verdadeira de valorizar o voto, pois a abstenção ou a anulação certamente favorecerá candidatos não indicados para funções tão nobres como a de exercer o poder em nome do povo", escreveu Dom Gil.

Para as autoridades religiosas, foi escrita uma exortação no mesmo sentido. "Exorto a todos os padres, diáconos, religiosos, religiosas, fiéis, leigos comprometidos com serviços pastorais na Arquidiocese que não meçam esforços, visando estimular e motivar a todos os cidadãos para que participem com coragem e discernimento das próximas eleições."

O documento pede aos fiéis que considerem a honestidade dos candidatos e que só pratiquem a confissão religiosa nas urnas, votando em candidatos católicos, caso os políticos tenham capacidade de exercer os cargos a que se propuseram a assumir. "Se o candidato é de outra igreja, ou outra religião, é preciso estar atento para saber quais são suas intenções também no campo religioso. Se suspeito que ele, sendo eleito, vá conspirar contra a fé católica, em consciência, não posso conceder-lhe o voto."

Contra aborto e união homossexual

O voto é negado também a candidatos que, na visão da Igreja, não estejam comprometidos com os valores cristãos de defesa da vida e da família. Em termos mais específicos, a carta posiciona a Arquidiocese contra políticos que defendem a descriminalização do aborto e a união entre pessoas do mesmo sexo. Na carta, Dom Gil considera o aborto um grave pecado. "Há no Congresso Nacional projetos de leis que pretendem descriminalizar o aborto. Com o emprego de eufemismos tais como a interrupção da gravidez, direito da mulher sobre o seu corpo e outros, vai se tentando no Brasil legalizar a prática hedionda do assassinato de seus humanos inocentes, negando-lhes o primeiro direito que é o de viver."

Sobre a união de casais homossexuais, o problema, segundo a Igreja, é "querer equiparar a família qualquer outro tipo de união entre pessoas". Dom Gil cita o pronunciamento da Congregação para Doutrina da Fé, publicado em 2003. "Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimônio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade atual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do patrimônio comum da humanidade."

O reitor do Seminário Santo Antônio, padre João Justino, justifica a posição. "A Igreja defende a vida e sempre foi declaradamente contra o aborto e, por isso, contra uma lei que possa descriminalizar." No caso da união homossexual, ele afirma que o Catolicismo é a favor da família. "Entendemos como família a união estável entre homem e mulher, aberta à procriação. No momento em que escolhemos pessoas que poderão legislar sobre os assuntos, é preciso alertar os fiéis."

Os textos são revisados por Thaísa Tosken

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