Especialistas debatem falhas e possíveis soluções para o desenvolvimento de JF

Na primeira matéria de uma série de reportagens sobre temas específicos, o Portal ACESSA.com traz um debate a respeito de economia e desenvolvimento

Nathália Carvalho
*Colaboração
27/7/2012
Distrito Industrial

O Portal ACESSA.com dá início a uma série de reportagens especiais voltadas para as Eleições 2012. O objetivo é apurar possíveis falhas, problemas e apresentar propostas para diferentes setores, como economia e desenvolvimento, transporte e trânsito, saúde, educação e segurança.

A análise dos segmentos será feita com base em instituições e autoridades representantes de cada ramo. Neste primeiro momento, pretende-se abordar alguns pontos importantes a respeito de questões econômicas e de desenvolvimento na cidade.

Um dos problemas identificados na área é a falta de planejamento técnico e espacial, principalmente aquele voltado às áreas indústrias. "Não houve ordenamento no que já foi realizado, principalmente pela intensa expansão populacional. É preciso realizar um planejamento e melhorias urbanas nessas áreas, principalmente nos distritos Industrial e do bairro Milho Branco", aponta o economista, coordenador do Centro Industrial de Juiz de Fora e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Antônio Flávio Luca do Nascimento.

Apesar da cidade concentrar na indústria um dos setores mais importantes de sua economia, Nascimento explica que a adequação da estrutura física desses espaços é um fator preponderante para o crescimento produtivo. "Não podemos permitir que haja situações constrangedoras para os próprios empresários, como falta de asfaltamento nas ruas dos centros industriais, por exemplo. As condições básicas de estruturação e de qualidade é que impulsionam a produtividade de um município e o potencializam."

Outra deficiência apontada pelo economista está relacionada à questão geográfica da cidade. "Por estar localizada em uma região de vale, a cidade acaba tendo dificuldade de disponibilizar áreas para o desenvolvimento de plantas industriais, diferentemente de outras cidades do Triângulo Mineiro, por exemplo, que são planícies." Tendo em vista o dificultador geográfico da cidade, Nascimento destaca que é necessário haver maior diálogo entre políticas públicas e ambientais, ao lado dos interesses econômicos. "As áreas que estão disponíveis possuem restrições ambientais e acabam embargando a instalação de uma nova indústria na cidade, principalmente as de grande porte", expõe.

Para ele, é importante que haja significativa preocupação com as questões de sustentabilidade, mas Nascimento destaca que o termo envolve o equilíbrio entre o social e o econômico. "O desenvolvimento da cidade emperra pela rigidez de alguns setores. Em determinados casos, é necessário que haja maior diálogo e não que ações sejam limitadas tão somente pelas questões ambientais."

Uma saída apontada pelo economista seria a criação de um condomínio empresarial, uma forma de arranjo produtivo local, que reuniria diferentes classes do ramo empresarial. "Este tipo de estrutura, como já é feita em outras cidades da região, como Ubá, traz a sobrevivência da micro em comparação com a média empresa." Para ele, este arranjo promove, de forma organizada, a possibilidade para que este conjunto obtenha desenvolvimento. "É importante que Juiz de Fora tenha referências, seja da indústria alimentícia ou de vestuário, que se una e potencialize o comércio."

Estrutura comercial

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Juiz de Fora possuía 20.695 empresas registradas em 2010, as quais empregavam cerca de 165.200 pessoas. O forte potencial para o comércio acaba atraindo o interesse dos pequenos e médios empresários, contudo, existem fatores que impossibilitam o desenvolvimento contundente deste setor, conforme avalia o presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio), Emerson Beloti.

De uma forma geral, Beloti avalia que "a cidade está totalmente centralizada em um único grande ponto. Apesar de termos os outros expoentes comerciais, como nos bairros São Pedro, Benfica e São Mateus, a região central continua sendo a principal referência. Isso acaba trazendo alguns problemas pontuais, como falta de segurança, aluguéis muito elevados e dificuldade de mobilidade urbana."

Com relação ao transporte, de uma forma geral, o comerciante acredita serem necessárias ações que tragam o cliente para as lojas com conforto, o que esbarra na questão do trânsito intenso. "Precisamos incentivar a construção de edifícios garagem e que sejam rotativos, com segurança, antes que a situação piore ainda mais. Não adianta pedir que as pessoas deixem seus carros e venham de ônibus se não há qualidade no transporte." Ele pontua que o trânsito acaba ocasionando problemas para que os clientes dirijam-se até os bairros e causa picos de movimentação no comércio.

Outra questão analisada por Beloti refere-se à presença dos ambulantes nas ruas. Para ele, é necessário que haja um local adequado para estes profissionais, com espaço e conforto para trabalhar. "Eles estão ocupando nossos passeios, aglomerando ainda mais comércio no mesmo local. É necessário levá-los para um espaço onde não percam a clientela", defende.

A conglomeração de comerciantes dentro de um mesmo local acaba sugerindo o aparecimento de um outro problema: o preço dos aluguéis. "Por saber da preferência do comércio centralizado, há uma extrema valorização do imóvel e os proprietários cobram preços elevados para as lojas", explica.

Ele completa, enfatizando a importância comercial de Juiz de Fora diante as outras cidades da região. Para Beloti, por ser um polo de referência na Zona da Mata mineira, a cidade precisa se preparar melhor para atender às demandas. "Juiz de Fora tem uma grande responsabilidade econômica e percebemos que, cada vez mais, recebemos pessoas e comerciantes provenientes de outras cidades". Com base nisso, o presidente do Sindicomércio acredita que iniciativas como construção de shopping centers e centros industriais em diferentes pontos da cidade seria o ponto-chave de expansão para o setor econômico, mais precisamente, comercial.

Possíveis soluções

Para o diretor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Lourival Batista, um dos pilares de atuação do Executivo deve ser pautado pela chamada produtividade sistêmica. Ele, que foi um dos idealizadores da Agenda de Desenvolvimento da Zona da Mata, documento entregue à Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) há cerca de um ano, acredita que o foco deve ser a manutenção da qualidade do serviço prestado, o que serve como base para o desenvolvimento da cidade.

Batista explica que, de uma forma geral, essa atuação deve ser direcionada para a formação de capital humano, no desempenho institucional, questões de deslocamento e ambientais. A primeira estaria ligada à qualidade de setores como educação e saúde. "Estar bem equipado nestes quesitos auxilia no desenvolvimento da produtividade."

O desempenho institucional está ligado à questão do poder público conseguir manter um rápido e fácil atendimento ao cidadão. "Precisamos que os problemas da cidade sejam resolvidos de forma prática, sem que seja necessário fazer abaixo assinado para isso, por exemplo", explica. E outra preocupação deve estar relacionada com a questão ambiental, tendo em vista uma necessidade de expandir as áreas verdes da cidade. "É preciso fazer um levantamento que seja capaz de apresentar as carências neste setor, mas Juiz de Fora deve pensar nisso a longo prazo."

No que refere-se ao deslocamento, entende-se que Juiz de Fora está em uma situação complicada quanto aos transportes coletivo e particular. "Para o desenvolvimento, é necessário reduzir custos, realizar políticas públicas urgentes, como a implantação de bilhetes únicos ou a racionalização de rotas."

*Nathália Carvalho é estudante do 8º período de Comunicação Social da UFJF

Os textos são revisados por Mariana Benicá

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