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    O curioso caso de Mário Helênio

    Ailton Alves Ailton Alves 26/01/2009

    Foto do Estádio
Municipal Como Benjamin Button (o personagem do filme de David Fincher, que deve roubar a cena na próxima cerimônia do Oscar), Mário Helênio (o nosso estádio) parece que também retrocedeu no tempo. Só hoje, aos 20 anos de idade, descobrimos que temos defeitos antigos, de nascença, de quando ainda tínhamos a mais tenra existência. São 16 esses defeitos, que quase nos impedem de sermos grandes, ou de jogar contra os grandes. E se isso fosse pouco, ainda estamos perdendo a beleza, à medida que rejuvenescemos.

    Quando velhos, nunca precisamos de placar eletrônico. Estava bom e charmoso o marcador manual (Tupi x Visitante), com o caminhar do menino do placar, com o numeral à mão. Dia desses, agora que estamos jovens, ganhamos um presente (de grego), uma peça usada vinda dos nossos amigos de Belo Horizonte. Está lá, jogado às traças, atrapalhando o caminho dos atletas para o vestiário, o tal do placar eletrônico.

    Quando velhos, nunca precisamos de proteção para as chuvas. O relato da história de alguns grandes jogos do Galo, para o mal e para o bem, vem sempre acompanhado desse componente das águas. Choveu a cântaros (como se diz na Galiléia) naquele jogo do Sampaio Corrêa, na estréia de Müller e na recente conquista da Taça Minas. Em Macondo, a cidade de Garcia Marques, choveu durante quatro anos, 11 meses e dois dias, e isso não atrapalhou em nada os cem anos da solidão. Agora, com a juventude batendo à porta, ganhamos um telhado que pode impedir gripe mas nunca manter a estética de quem olha o estádio de longe.

    Quando velhos, nunca precisamos isolar a torcida adversária com muro de concreto - embora nos dias de hoje isso não seja anormal (toda cidade tem ou teve seu muro, de Berlin a Gaza).

    Mas a verdade é que estava bom o cordão humano de policiais, como isolamento - isso, além de segurança, nos dava o prazer sádico de ofender a torcida rival nas barbas das autoridades. Agora, quando jovens, ganhamos a crueldade de colocar quem torce para o outro time entre dois muros de concreto.

    Mas, esse rejuvenescimento deve ser exigência da própria juventude. Talvez seja o tal bem dos tempos. Nós, os velhos, é que complicamos as coisas, não entendemos direito essa coisa chamada modernidade.

    Benjamin Button nasce aos 80 anos e encontra o auge da beleza, maturidade e felicidade aos 43 anos de idade. Essa informação pode servir para dar o Oscar a Brad Pitt e também para prever a vida útil do Mário Helênio. Nascemos aos 63 anos. Como nunca fomos tão belos, maduros e felizes como em 2008, o nosso estádio vai até 2051.

    ***

    Escrevo antes da estréia do Tupi no campeonato mineiro. Que ansiedade! Que angústia! Sonhos misturados com pesadelos. Ganhamos, perdemos, empatamos? De qualquer forma, faltam 17 jogos e 97 dias para o Galo ser campeão mineiro.

    Ailton Alves é jornalista e cronista esportivo
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