Lucas Soares Lucas Soares 13/01/2014

Teremos Brasileirão em 2014?

Héverton e André SantosAs decisões judiciais da última semana recolocaram o Fluminense, rebaixado em campo, na Série B, mantendo os pontos do Portuguesa e do Flamengo sob a alegação de que o Estatuto do Torcedor havia sido desrespeitado no ato de publicação da sentença, o que só aconteceu na noite do dia útil após a rodada final do Brasileirão de 2013.

A questão que envolve os três clubes é bastante complexa, com vários pontos de vista e que, no final da conta, todos, menos a Portuguesa, estão errados: CBF, STJD, Flamengo e Fluminense. Com tantas versões e objetivos diferentes para o desfecho dessa história, resta saber como a justiça, que tem como símbolo uma Deusa de olhos vendados segurando uma espada e uma balança, irá se portar. 

O principal erro, ao meu ver, parte da CBF. Se em um campeonato de escola temos um mesário que diz qual jogador pode ou não entrar em campo, como em um torneio profissional o delegado da partida não atua fazendo essa fiscalização? E outra, se o Estatuto manda que as sentenças sejam cumpridas apenas após a publicação, porque a entidade máxima do futebol não tomou essa atitude imediatamente após as punições?

O STJD, um órgão destinado exclusivamente para causas esportivas, ignorou a Lei Federal, julgando toda a situação envolvendo a perda de pontos baseada em um único artigo do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, desqualificando outros artigos que dariam margem para interpretação. E eu nem vou citar o fato de todos os auditores terem ido para a audiência com votos prontos, nas duas instâncias. Vai que a acusação é grave demais?

Flamengo errou também. O Rubro-Negro, ao meu ver, estava ciente da suspensão do André Santos. O escalou acreditando no princípio da suspensão automática, e que o atleta já teria cumprido no jogo anterior. Um erro inadmissível, amador e que poderia custar um inédito rebaixamento, não fosse a Portuguesa, a única aparentemente inocente na história. Afinal, a Lusa alegou que o advogado designado para a defesa teria informado apenas uma partida de suspensão, e todos os outros documentos disponíveis pela CBF apontavam que Héverton teria condição de jogo.

Já o Fluminense se tornou o vilão de toda a história por ser beneficiado novamente por movimentos extra-campo. Poderia ter ficado quieto, não se movido na história e talvez a repercussão não fosse tão grande. Mas quando se manda um advogado como parte interessada no processo, acaba prejudicando sua própria argumentação de que não teve nada com o imbróglio.

Brasileirão 2014

Já prevendo uma enxurrada de liminares mantendo os pontos de Portuguesa e Flamengo, outras tirando os pontos dos dois clubes, a CBF vai acabar se vendo sem saída. O final dessa história, conforme a imprensa vem noticiando, é novamente um campeonato com 24 clubes, e mata-mata no final. Mas o Estatuto do Torcedor proíbe tal medida. Ou seja, essa história está longe de acabar...


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

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Lucas Soares Lucas Soares 13/01/2014

Teremos Brasileirão em 2014?

Héverton e André SantosAs decisões judiciais da última semana recolocaram o Fluminense, rebaixado em campo, na Série B, mantendo os pontos do Portuguesa e do Flamengo sob a alegação de que o Estatuto do Torcedor havia sido desrespeitado no ato de publicação da sentença, o que só aconteceu na noite do dia útil após a rodada final do Brasileirão de 2013.

A questão que envolve os três clubes é bastante complexa, com vários pontos de vista e que, no final da conta, todos, menos a Portuguesa, estão errados: CBF, STJD, Flamengo e Fluminense. Com tantas versões e objetivos diferentes para o desfecho dessa história, resta saber como a justiça, que tem como símbolo uma Deusa de olhos vendados segurando uma espada e uma balança, irá se portar. 

O principal erro, ao meu ver, parte da CBF. Se em um campeonato de escola temos um mesário que diz qual jogador pode ou não entrar em campo, como em um torneio profissional o delegado da partida não atua fazendo essa fiscalização? E outra, se o Estatuto manda que as sentenças sejam cumpridas apenas após a publicação, porque a entidade máxima do futebol não tomou essa atitude imediatamente após as punições?

O STJD, um órgão destinado exclusivamente para causas esportivas, ignorou a Lei Federal, julgando toda a situação envolvendo a perda de pontos baseada em um único artigo do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, desqualificando outros artigos que dariam margem para interpretação. E eu nem vou citar o fato de todos os auditores terem ido para a audiência com votos prontos, nas duas instâncias. Vai que a acusação é grave demais?

Flamengo errou também. O Rubro-Negro, ao meu ver, estava ciente da suspensão do André Santos. O escalou acreditando no princípio da suspensão automática, e que o atleta já teria cumprido no jogo anterior. Um erro inadmissível, amador e que poderia custar um inédito rebaixamento, não fosse a Portuguesa, a única aparentemente inocente na história. Afinal, a Lusa alegou que o advogado designado para a defesa teria informado apenas uma partida de suspensão, e todos os outros documentos disponíveis pela CBF apontavam que Héverton teria condição de jogo.

Já o Fluminense se tornou o vilão de toda a história por ser beneficiado novamente por movimentos extra-campo. Poderia ter ficado quieto, não se movido na história e talvez a repercussão não fosse tão grande. Mas quando se manda um advogado como parte interessada no processo, acaba prejudicando sua própria argumentação de que não teve nada com o imbróglio.

Brasileirão 2014

Já prevendo uma enxurrada de liminares mantendo os pontos de Portuguesa e Flamengo, outras tirando os pontos dos dois clubes, a CBF vai acabar se vendo sem saída. O final dessa história, conforme a imprensa vem noticiando, é novamente um campeonato com 24 clubes, e mata-mata no final. Mas o Estatuto do Torcedor proíbe tal medida. Ou seja, essa história está longe de acabar...


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

Lucas Soares Lucas Soares 13/01/2014

Teremos Brasileirão em 2014?

Héverton e André SantosAs decisões judiciais da última semana recolocaram o Fluminense, rebaixado em campo, na Série B, mantendo os pontos do Portuguesa e do Flamengo sob a alegação de que o Estatuto do Torcedor havia sido desrespeitado no ato de publicação da sentença, o que só aconteceu na noite do dia útil após a rodada final do Brasileirão de 2013.

A questão que envolve os três clubes é bastante complexa, com vários pontos de vista e que, no final da conta, todos, menos a Portuguesa, estão errados: CBF, STJD, Flamengo e Fluminense. Com tantas versões e objetivos diferentes para o desfecho dessa história, resta saber como a justiça, que tem como símbolo uma Deusa de olhos vendados segurando uma espada e uma balança, irá se portar. 

O principal erro, ao meu ver, parte da CBF. Se em um campeonato de escola temos um mesário que diz qual jogador pode ou não entrar em campo, como em um torneio profissional o delegado da partida não atua fazendo essa fiscalização? E outra, se o Estatuto manda que as sentenças sejam cumpridas apenas após a publicação, porque a entidade máxima do futebol não tomou essa atitude imediatamente após as punições?

O STJD, um órgão destinado exclusivamente para causas esportivas, ignorou a Lei Federal, julgando toda a situação envolvendo a perda de pontos baseada em um único artigo do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, desqualificando outros artigos que dariam margem para interpretação. E eu nem vou citar o fato de todos os auditores terem ido para a audiência com votos prontos, nas duas instâncias. Vai que a acusação é grave demais?

Flamengo errou também. O Rubro-Negro, ao meu ver, estava ciente da suspensão do André Santos. O escalou acreditando no princípio da suspensão automática, e que o atleta já teria cumprido no jogo anterior. Um erro inadmissível, amador e que poderia custar um inédito rebaixamento, não fosse a Portuguesa, a única aparentemente inocente na história. Afinal, a Lusa alegou que o advogado designado para a defesa teria informado apenas uma partida de suspensão, e todos os outros documentos disponíveis pela CBF apontavam que Héverton teria condição de jogo.

Já o Fluminense se tornou o vilão de toda a história por ser beneficiado novamente por movimentos extra-campo. Poderia ter ficado quieto, não se movido na história e talvez a repercussão não fosse tão grande. Mas quando se manda um advogado como parte interessada no processo, acaba prejudicando sua própria argumentação de que não teve nada com o imbróglio.

Brasileirão 2014

Já prevendo uma enxurrada de liminares mantendo os pontos de Portuguesa e Flamengo, outras tirando os pontos dos dois clubes, a CBF vai acabar se vendo sem saída. O final dessa história, conforme a imprensa vem noticiando, é novamente um campeonato com 24 clubes, e mata-mata no final. Mas o Estatuto do Torcedor proíbe tal medida. Ou seja, essa história está longe de acabar...


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.