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    Alexandre Ank: os desafios de um paraolímpico

    Mesmo com as dificuldades de apoio público/privado, os atletas do Parapan-Americanos garantiram quase o dobro de medalhas que o Pan-Americano pelo Brasil

    Angeliza Lopes
    Repórter
    20/08/2015
    medalhista

    O mesatenista Alexandre Ank retornou à Juiz de Fora esta semana com a medalha de bicampeão, conquistada nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, no Canadá. O ponto mais alto do pódio foi conquistado na disputa por equipes nas classes 3 e 4 do Tênis de Mesa, ao lado de Welder Knaf e David Freitas que integram o time brasileiro. Já na classe 4 individual, ele garantiu o bronze, mesmo se recuperando de um pinçamento na cervical nervosa. Igual a Ank, outros tantos atletas retornaram para o país como medalhistas, garantindo ao Brasil primeiro lugar no ranking de medalhas, com total de 257 entre ouro (109), prata (74) e bronze (74). Quase o dobro das conquistas do Pan-Americano, que chegou a 141 no total – ouro (41), prata (40) e bronze (60). Mas, a proporção dos resultados não acompanha a notoriedade investida pela mídia e apoio público/privados para estes atletas, que superam todos os limites para continuarem vivendo do esporte.

    O atleta juiz-forano acredita que o resultado exemplar dos brasileiros se deve ao empenho dos competidores, que estão cada vez mais profissionais e preparados para grandes disputas. Ele lembra que as competições do Parapan-Americano são sempre com os melhores atletas das modalidades do país, sendo que no Pan nem sempre disputam os times principais. "Mesmo assim os Estados Unidos, por exemplo, teve menos medalhas no Parapan (135) que o Brasil como terceiro colocado no Pan (141). Isso mostra a garra dos competidores brasileiros, que mesmo com baixo investimento público e privado conseguem excelentes resultados", destaca.

    Lei Agnelo Piva

    Competindo há 12 anos profissionalmente, o mesatenista pode desfrutar da notoriedade que ganhou ao garantir as primeiras colocações por anos consecutivos em campeonatos importantes no país e fora dele. Atualmente ele defende a AABB, onde treina até quatro vezes por semana, além dos apoios da FENAABB, Suprema, Hiperroll, Federação Nacional da Cultura e Fripai, que possibilitam o custeio das viagens para as disputas.

    Mas, não foi sempre assim. Ank conta que em sua primeira competição internacional, realizada na Argentina, teve que encarar 116 horas (ida e volta) de ônibus para chegar no local da disputa. "Teve outra vez que joguei em Brasília e tinha que retornar para competir em Curitiba, mas não consegui lugar para ficar. Passei a noite dormindo no chão. A maioria das vezes pernoitava na casa de amigos", lembra.

    Igual a ele, outros atletas paraolímpicos encontram dificuldades em se manter como profissionais. Sancionada em julho de 2001, a Lei Agnelo/Piva (10.264) veio tentar minimizar a falta de investimentos público/privado no esporte. A norma representou um marco ao proporcionar um avanço na captação de recursos destinados ao desenvolvimento desportivo brasileiro e teve alteração em julho deste ano, diminuindo a desigualdade dos repasses.

    Em gráficos divulgados no site das Olimpíadas de 2016 é nítido a diferença de crescimento e destaque dos medalhistas Olímpicos e Paraolímpicos, com somatórios de 2001 a 2012. Se for comparado a diferença de valores para cada comitê, os valores são ainda mais discrepantes.

    graficografico

    Em 2012, o COB recebeu R$ 165.938.216,87, de acordo com os dados das prestações de contas do comitê. Sendo que, nesse mesmo ano, o CPB recebeu R$ 15.483.894,50 repassados pela Lei Agnelo/Piva.

    Com a aprovação da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, sancionada em julho, que teve como relator no Senado o ex-jogador Romário (PSB-RJ), os recursos sobem de 2% para 2,7% da arrecadação bruta das loterias federais destinada ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). O detalhe, porém, está no quanto cada comitê passou a receber. O documento muda a distribuição que é de 85% para o esporte olímpico e 15% para o (CPB), para 62,96% e 37,04%, respectivamente.

    Os investimentos pretendem minimizar as desigualdades para a preparação dos novos atletas paraolímpicos, com aumento estimado de R$ 90 milhões anuais na quantidade de recursos provenientes anualmente da Lei Agnelo/Piva.

    Bons espelhos

    Mesmo com esta mudança de cenário, Alexandre Ank completa que ainda sente falta de investimentos estaduais e municipais. "O município tinha o Tiago Roman que apresentava excelente desempenho no salto de trampolim, mas devido a falta de investidores, ele acabou desistindo. A juventude deveria servir de bons espelhos, mas sem apoio é muito difícil se manter em evidência."

    Futuro

    O foco agora de Alexandre Ank são as Paralimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. O atleta revela que seu maior sonho é trazer uma medalha da competição para o município. Para isso, ele enfrenta quatro etapas internacionais ainda neste ano (Bélgica, Costa Rica, Chile e Argentina) em busca de uma vaga nos Jogos.

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