Matheus BrumMatheus Brum24/03/2016

Mais um vexame rubro-negro

Vexame. Essa foi a palavra que ficou na boca dos mais de 12 mil torcedores que estiveram presentes ao Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Voltando a jogar em Juiz de Fora quase três anos depois da derrota para a Ponte Preta por 2 a 0 pelo Campeonato Brasileiro de 2013, o Flamengo demonstrou os mesmos problemas de sempre: falta de organização, de um cérebro pensante, defesa consistente e jogadas ensaiadas, e amargou mais uma derrota diante do seu torcedor e deu adeus à Copa da Primeira Liga ou Copa Sul-Minas-Rio, ao perder pelo placar mínimo para o Atlético-PR. O único gol da partida foi marcado aos dezesseis minutos do segundo tempo pelo camisa 10 do furacão, Marcos Guilherme.

A grande surpresa da noite foi a escalação do rubro-negro carioca. Depois de afirmar que iria jogar com o time considerado titular, Muricy Ramalho voltou atrás e levou a campo uma equipe mista. Pará, Márcio Araújo, Everton, Gabriel e Felipe Vizeu entraram na equipe. Tirando Gabriel e Vizeu, todos os outros fizeram pouquíssimas partidas no ano, o que já geraria, por si só, uma falta de entrosamento entre os atletas. Na coletiva após a partida, perguntado sobre as mudanças, o treinador respondeu que isso era o certo a se fazer. "Tem que fazer o que é o correto. Não adianta colocar um time que não tenha capacidade física de aguentar. Por que a gente tem que respeitar o atleta, e infelizmente, estamos sem treinar, só jogando. Então, tinha que parar. Sábado (enfrenta o Volta Redonda) eu também vou parar."

Por mais que esse discurso seja usado por outros jogadores como Márcio Araújo e Paulo Victor ao final da partida, e venha se repetindo sempre que um resultado ruim chega, Muricy destacou que a comissão técnica "já foi avisada que pode haver risco de lesões (por causa dessa sequência de jogos), já tivemos algumas, e estamos evitando e com certeza vai haver rodízio a todo o momento, independente do jogo que é."

Empurrado pelo barulho da torcida, o Flamengo começou melhor, utilizando muitas jogadas pela direita, principalmente com Gabriel. Jogando no esquema com três atacantes, Gabriel, Everton e Felipe Vizeu, o trio se movimentava na frente, confundindo a marcação adversária. Os laterais atleticanos Pará (esquerda) e Eduardo (direita) sofreram nos primeiros minutos. Aos quinze, mais uma jogada de Gabriel pela direita, que rola para Willian Arão no bico direito da grande área, que chuta com perigo à esquerda do gol defendido por Weverton. Três minutos depois, escanteio para o rubro-negro carioca e Juan quase abre o placar, fazendo a bola "tirar tinta" da trave direita do goleiro atleticano após cabeçada.

Depois do furor inicial, o time carioca começou a perder o ritmo, muito por conta dos velhos problemas de articulação de jogadas. O meio de campo titular foi composto por Márcio Araújo, Willian Arão e Alan Patrick. O último, fez uma partida muito ruim, errando passes laterais de forma infantil. Toda a armação ficava por conta de Arão, que não estava numa noite inspirada. O camisa 5 até comandou o time no início do jogo, mas, com o passar do tempo, foi ficando cada vez mais apagado por causa da sucessão de erros, principalmente nos passes. Com o meio de campo perdido, o controle do jogo passou para a equipe paranaense, que, com calma conseguia organizar seu jogo, principalmente através dos pés dos dois volantes, Jadson e Otávio, que acionavam a habilidade de Marcos Guilherme e Nikão, que estavam sempre trocando de posições. Além disso, tinham no comando de ataque o Walter, que emagreceu, mas vem sendo questionado pela torcida e imprensa pelo rendimentos nas últimas pelejas. Nessa quarta feira, ele foi muito bem. Segurava a bola no ataque, arriscava cruzamentos e lançamentos sempre perigosos, e arriscava de longe, uma de suas especialidades. Ao contrário do centroavante carioca, o camisa 18 conseguia se sobressair. Por causa desse contexto, o time comandado pelo técnico Paulo Autuori conseguiu equilibrar a partida até os trinta e oito minutos, quando Alan Patrick inicia uma jogada pelo meio, abre para Jorge na esquerda, e corre para área para cabecear, exigindo uma grande defesa do arqueiro atleticano. Após esse lance, nenhuma jogada de perigo aconteceu, e a partida se encaminhou para o intervalo sem grandes emoções.

O "Mais Querido" voltou diferente para o segundo tempo. Sheik entrou no lugar de Everton. Independente dessa mudança, o panorama não mudou. Pouca criatividade do Flamengo, que insistia em bolas pelas pontas e cruzamentos, e o Atlético quando conseguia, controlava a bola no meio, e ficava a espera de uma falha da zaga rubro-negra. Até que ela aconteceu. Aos quinze minutos, Paulo André lança, Pablo dá uma "casquinha" de cabeça, e Walter pega um voleio de direita, no bico esquerdo da grande área, exigindo uma grande defesa de Paulo Victor. Na sequência, cobrança de escanteio pela canhota, a zaga do Flamengo corta, a bola sobra com Nikão perto da bandeirinha do lado esquerdo, ele rola para Marcos Guilherme, perto da meia lua, ajeitar com toda a tranquilidade do mundo, escolher o canto, e de perna direita "encher o pé" e colocar a pelota no fundo do barbante.

Depois disso, a torcida e o time mandante sentiram. Tanto que houveram duas chances, ambas com o atacante Pablo, do CAP aumentar o placar. Em ambas, Paulo Victor foi importante.

Tentando melhorar a equipe, Muricy resolveu colocar Cirino e Ederson, nos lugares de Gabriel e Alan Patrick, respectivamente. O time ganhou mais velocidade e qualidade técnica, mas continuava pecando na falta de organização tática. O camisa 7 ainda perde uma chance incrível de empatar o jogo, minutos depois de entrar, ao driblar dois jogadores na direita, ficar cara-a-cara com o arqueiro adversário, e, na hora de tentar a cavadinha de esquerda, mandar a bola por cima do travessão.

O panorama a partir disso não foi muito diferente do que acostumamos. A torcida, mesmo chateada, fez a sua festa, continuou cantando e incentivando, mas o time não demonstrava reação. Sheik errava todos os passes que tentava, o buraco entre o meio e o ataque, cada vez mais aumentava, dado o desespero da situação. Virou aquele "Deus nos acuda", com o Wallace indo para o ataque. O Atlético "fechou a casinha", segurava a bola quando precisava, e amarrou o jogo até o apito final de Leandro Pedro Vuaden, garantindo a vaga para a final, contra o Fluminense.

Questionado sobre o ataque, que há 305 minutos não marca, Muricy foi "curto e grosso", em sua coletiva de menos de seis minutos. "Não só esse jogo (criamos chances). A gente acha que quando o time cria, falta o último detalhe. Uma hora a bola vai entrar, e o time vai voltar a fazer gol. Anima a gente porque cria muito."

Ao final do jogo, descendo para o campo, vi um pai com seu filho, e a criança perguntou: "Pai, por que perdemos?". E ele respondeu: "Isso é futebol, filho. Se não aproveitar as chances criadas, vamos perder." E é essa a lição que fica. Enquanto o meio e o ataque não se combinarem, as chances de vitória irão diminuir. E, deixo aqui um conselho para a diretoria, se os preços para Flamengo e Botafogo continuarem a R$ 100, teremos um público extremamente baixo para uma partida dessa importância. Quando o time está jogando mal, o melhor a se fazer é trazer a torcida para junto dele. E como se faz isso? Com ingressos mais baratos, ora bolas.

Ficha técnica

FLAMENGO-RJ 0 X 1 ATLÉTICO-PR

Local: Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, em Juiz de Fora (MG)

Data: 23 de março de 2016 (Quarta-feira)

Horário: 21h30 (de Brasília)

Árbitro: Leandro Vuaden (RS)

Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Jorge Eduardo Bernardi (RS)

Renda: R$ 442.795,00

Público: 11.735 pagantes / 12.917 presentes

Cartões amarelos: Pará e Jadson (Atlético-PR)

GOLS: Marcos Guilherme, aos 16min do segundo tempo (Atlético-PR)

FLAMENGO: Paulo Victor, Pará, Wallace, Juan e Jorge; Márcio Araújo, Willian Arão e Alan Patrick (Ederson); Everton (Emerson Sheik), Gabriel (Marcelo Cirino) e Felipe Vizeu

Técnico: Muricy Ramalho

ATLÉTICO-PR: Weverton, Eduardo, Thiago Heleno, Paulo André e Pará (Bruno); Otávio, Jadson, Nikão (Hernani) e Marcos Guilherme; Pablo e Walter (André Lima)

Técnico: Paulo Autuori

Estatísticas

Posse de bola: Flamengo: 58% / Atlético-PR: 42%

Escanteios: Flamengo: 10 / Atlético-PR: 7

Finalizações: Flamengo: 10 / Atlético-PR: 14

Faltas: Flamengo: 16 / Atlético-PR: 20

Impedimentos: Flamengo: 3 / Atlético-PR: 4


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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Matheus BrumMatheus Brum24/03/2016

Mais um vexame rubro-negro

Vexame. Essa foi a palavra que ficou na boca dos mais de 12 mil torcedores que estiveram presentes ao Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Voltando a jogar em Juiz de Fora quase três anos depois da derrota para a Ponte Preta por 2 a 0 pelo Campeonato Brasileiro de 2013, o Flamengo demonstrou os mesmos problemas de sempre: falta de organização, de um cérebro pensante, defesa consistente e jogadas ensaiadas, e amargou mais uma derrota diante do seu torcedor e deu adeus à Copa da Primeira Liga ou Copa Sul-Minas-Rio, ao perder pelo placar mínimo para o Atlético-PR. O único gol da partida foi marcado aos dezesseis minutos do segundo tempo pelo camisa 10 do furacão, Marcos Guilherme.

A grande surpresa da noite foi a escalação do rubro-negro carioca. Depois de afirmar que iria jogar com o time considerado titular, Muricy Ramalho voltou atrás e levou a campo uma equipe mista. Pará, Márcio Araújo, Everton, Gabriel e Felipe Vizeu entraram na equipe. Tirando Gabriel e Vizeu, todos os outros fizeram pouquíssimas partidas no ano, o que já geraria, por si só, uma falta de entrosamento entre os atletas. Na coletiva após a partida, perguntado sobre as mudanças, o treinador respondeu que isso era o certo a se fazer. "Tem que fazer o que é o correto. Não adianta colocar um time que não tenha capacidade física de aguentar. Por que a gente tem que respeitar o atleta, e infelizmente, estamos sem treinar, só jogando. Então, tinha que parar. Sábado (enfrenta o Volta Redonda) eu também vou parar."

Por mais que esse discurso seja usado por outros jogadores como Márcio Araújo e Paulo Victor ao final da partida, e venha se repetindo sempre que um resultado ruim chega, Muricy destacou que a comissão técnica "já foi avisada que pode haver risco de lesões (por causa dessa sequência de jogos), já tivemos algumas, e estamos evitando e com certeza vai haver rodízio a todo o momento, independente do jogo que é."

Empurrado pelo barulho da torcida, o Flamengo começou melhor, utilizando muitas jogadas pela direita, principalmente com Gabriel. Jogando no esquema com três atacantes, Gabriel, Everton e Felipe Vizeu, o trio se movimentava na frente, confundindo a marcação adversária. Os laterais atleticanos Pará (esquerda) e Eduardo (direita) sofreram nos primeiros minutos. Aos quinze, mais uma jogada de Gabriel pela direita, que rola para Willian Arão no bico direito da grande área, que chuta com perigo à esquerda do gol defendido por Weverton. Três minutos depois, escanteio para o rubro-negro carioca e Juan quase abre o placar, fazendo a bola "tirar tinta" da trave direita do goleiro atleticano após cabeçada.

Depois do furor inicial, o time carioca começou a perder o ritmo, muito por conta dos velhos problemas de articulação de jogadas. O meio de campo titular foi composto por Márcio Araújo, Willian Arão e Alan Patrick. O último, fez uma partida muito ruim, errando passes laterais de forma infantil. Toda a armação ficava por conta de Arão, que não estava numa noite inspirada. O camisa 5 até comandou o time no início do jogo, mas, com o passar do tempo, foi ficando cada vez mais apagado por causa da sucessão de erros, principalmente nos passes. Com o meio de campo perdido, o controle do jogo passou para a equipe paranaense, que, com calma conseguia organizar seu jogo, principalmente através dos pés dos dois volantes, Jadson e Otávio, que acionavam a habilidade de Marcos Guilherme e Nikão, que estavam sempre trocando de posições. Além disso, tinham no comando de ataque o Walter, que emagreceu, mas vem sendo questionado pela torcida e imprensa pelo rendimentos nas últimas pelejas. Nessa quarta feira, ele foi muito bem. Segurava a bola no ataque, arriscava cruzamentos e lançamentos sempre perigosos, e arriscava de longe, uma de suas especialidades. Ao contrário do centroavante carioca, o camisa 18 conseguia se sobressair. Por causa desse contexto, o time comandado pelo técnico Paulo Autuori conseguiu equilibrar a partida até os trinta e oito minutos, quando Alan Patrick inicia uma jogada pelo meio, abre para Jorge na esquerda, e corre para área para cabecear, exigindo uma grande defesa do arqueiro atleticano. Após esse lance, nenhuma jogada de perigo aconteceu, e a partida se encaminhou para o intervalo sem grandes emoções.

O "Mais Querido" voltou diferente para o segundo tempo. Sheik entrou no lugar de Everton. Independente dessa mudança, o panorama não mudou. Pouca criatividade do Flamengo, que insistia em bolas pelas pontas e cruzamentos, e o Atlético quando conseguia, controlava a bola no meio, e ficava a espera de uma falha da zaga rubro-negra. Até que ela aconteceu. Aos quinze minutos, Paulo André lança, Pablo dá uma "casquinha" de cabeça, e Walter pega um voleio de direita, no bico esquerdo da grande área, exigindo uma grande defesa de Paulo Victor. Na sequência, cobrança de escanteio pela canhota, a zaga do Flamengo corta, a bola sobra com Nikão perto da bandeirinha do lado esquerdo, ele rola para Marcos Guilherme, perto da meia lua, ajeitar com toda a tranquilidade do mundo, escolher o canto, e de perna direita "encher o pé" e colocar a pelota no fundo do barbante.

Depois disso, a torcida e o time mandante sentiram. Tanto que houveram duas chances, ambas com o atacante Pablo, do CAP aumentar o placar. Em ambas, Paulo Victor foi importante.

Tentando melhorar a equipe, Muricy resolveu colocar Cirino e Ederson, nos lugares de Gabriel e Alan Patrick, respectivamente. O time ganhou mais velocidade e qualidade técnica, mas continuava pecando na falta de organização tática. O camisa 7 ainda perde uma chance incrível de empatar o jogo, minutos depois de entrar, ao driblar dois jogadores na direita, ficar cara-a-cara com o arqueiro adversário, e, na hora de tentar a cavadinha de esquerda, mandar a bola por cima do travessão.

O panorama a partir disso não foi muito diferente do que acostumamos. A torcida, mesmo chateada, fez a sua festa, continuou cantando e incentivando, mas o time não demonstrava reação. Sheik errava todos os passes que tentava, o buraco entre o meio e o ataque, cada vez mais aumentava, dado o desespero da situação. Virou aquele "Deus nos acuda", com o Wallace indo para o ataque. O Atlético "fechou a casinha", segurava a bola quando precisava, e amarrou o jogo até o apito final de Leandro Pedro Vuaden, garantindo a vaga para a final, contra o Fluminense.

Questionado sobre o ataque, que há 305 minutos não marca, Muricy foi "curto e grosso", em sua coletiva de menos de seis minutos. "Não só esse jogo (criamos chances). A gente acha que quando o time cria, falta o último detalhe. Uma hora a bola vai entrar, e o time vai voltar a fazer gol. Anima a gente porque cria muito."

Ao final do jogo, descendo para o campo, vi um pai com seu filho, e a criança perguntou: "Pai, por que perdemos?". E ele respondeu: "Isso é futebol, filho. Se não aproveitar as chances criadas, vamos perder." E é essa a lição que fica. Enquanto o meio e o ataque não se combinarem, as chances de vitória irão diminuir. E, deixo aqui um conselho para a diretoria, se os preços para Flamengo e Botafogo continuarem a R$ 100, teremos um público extremamente baixo para uma partida dessa importância. Quando o time está jogando mal, o melhor a se fazer é trazer a torcida para junto dele. E como se faz isso? Com ingressos mais baratos, ora bolas.

Ficha técnica

FLAMENGO-RJ 0 X 1 ATLÉTICO-PR

Local: Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, em Juiz de Fora (MG)

Data: 23 de março de 2016 (Quarta-feira)

Horário: 21h30 (de Brasília)

Árbitro: Leandro Vuaden (RS)

Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Jorge Eduardo Bernardi (RS)

Renda: R$ 442.795,00

Público: 11.735 pagantes / 12.917 presentes

Cartões amarelos: Pará e Jadson (Atlético-PR)

GOLS: Marcos Guilherme, aos 16min do segundo tempo (Atlético-PR)

FLAMENGO: Paulo Victor, Pará, Wallace, Juan e Jorge; Márcio Araújo, Willian Arão e Alan Patrick (Ederson); Everton (Emerson Sheik), Gabriel (Marcelo Cirino) e Felipe Vizeu

Técnico: Muricy Ramalho

ATLÉTICO-PR: Weverton, Eduardo, Thiago Heleno, Paulo André e Pará (Bruno); Otávio, Jadson, Nikão (Hernani) e Marcos Guilherme; Pablo e Walter (André Lima)

Técnico: Paulo Autuori

Estatísticas

Posse de bola: Flamengo: 58% / Atlético-PR: 42%

Escanteios: Flamengo: 10 / Atlético-PR: 7

Finalizações: Flamengo: 10 / Atlético-PR: 14

Faltas: Flamengo: 16 / Atlético-PR: 20

Impedimentos: Flamengo: 3 / Atlético-PR: 4


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

Matheus BrumMatheus Brum24/03/2016

Mais um vexame rubro-negro

Vexame. Essa foi a palavra que ficou na boca dos mais de 12 mil torcedores que estiveram presentes ao Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Voltando a jogar em Juiz de Fora quase três anos depois da derrota para a Ponte Preta por 2 a 0 pelo Campeonato Brasileiro de 2013, o Flamengo demonstrou os mesmos problemas de sempre: falta de organização, de um cérebro pensante, defesa consistente e jogadas ensaiadas, e amargou mais uma derrota diante do seu torcedor e deu adeus à Copa da Primeira Liga ou Copa Sul-Minas-Rio, ao perder pelo placar mínimo para o Atlético-PR. O único gol da partida foi marcado aos dezesseis minutos do segundo tempo pelo camisa 10 do furacão, Marcos Guilherme.

A grande surpresa da noite foi a escalação do rubro-negro carioca. Depois de afirmar que iria jogar com o time considerado titular, Muricy Ramalho voltou atrás e levou a campo uma equipe mista. Pará, Márcio Araújo, Everton, Gabriel e Felipe Vizeu entraram na equipe. Tirando Gabriel e Vizeu, todos os outros fizeram pouquíssimas partidas no ano, o que já geraria, por si só, uma falta de entrosamento entre os atletas. Na coletiva após a partida, perguntado sobre as mudanças, o treinador respondeu que isso era o certo a se fazer. "Tem que fazer o que é o correto. Não adianta colocar um time que não tenha capacidade física de aguentar. Por que a gente tem que respeitar o atleta, e infelizmente, estamos sem treinar, só jogando. Então, tinha que parar. Sábado (enfrenta o Volta Redonda) eu também vou parar."

Por mais que esse discurso seja usado por outros jogadores como Márcio Araújo e Paulo Victor ao final da partida, e venha se repetindo sempre que um resultado ruim chega, Muricy destacou que a comissão técnica "já foi avisada que pode haver risco de lesões (por causa dessa sequência de jogos), já tivemos algumas, e estamos evitando e com certeza vai haver rodízio a todo o momento, independente do jogo que é."

Empurrado pelo barulho da torcida, o Flamengo começou melhor, utilizando muitas jogadas pela direita, principalmente com Gabriel. Jogando no esquema com três atacantes, Gabriel, Everton e Felipe Vizeu, o trio se movimentava na frente, confundindo a marcação adversária. Os laterais atleticanos Pará (esquerda) e Eduardo (direita) sofreram nos primeiros minutos. Aos quinze, mais uma jogada de Gabriel pela direita, que rola para Willian Arão no bico direito da grande área, que chuta com perigo à esquerda do gol defendido por Weverton. Três minutos depois, escanteio para o rubro-negro carioca e Juan quase abre o placar, fazendo a bola "tirar tinta" da trave direita do goleiro atleticano após cabeçada.

Depois do furor inicial, o time carioca começou a perder o ritmo, muito por conta dos velhos problemas de articulação de jogadas. O meio de campo titular foi composto por Márcio Araújo, Willian Arão e Alan Patrick. O último, fez uma partida muito ruim, errando passes laterais de forma infantil. Toda a armação ficava por conta de Arão, que não estava numa noite inspirada. O camisa 5 até comandou o time no início do jogo, mas, com o passar do tempo, foi ficando cada vez mais apagado por causa da sucessão de erros, principalmente nos passes. Com o meio de campo perdido, o controle do jogo passou para a equipe paranaense, que, com calma conseguia organizar seu jogo, principalmente através dos pés dos dois volantes, Jadson e Otávio, que acionavam a habilidade de Marcos Guilherme e Nikão, que estavam sempre trocando de posições. Além disso, tinham no comando de ataque o Walter, que emagreceu, mas vem sendo questionado pela torcida e imprensa pelo rendimentos nas últimas pelejas. Nessa quarta feira, ele foi muito bem. Segurava a bola no ataque, arriscava cruzamentos e lançamentos sempre perigosos, e arriscava de longe, uma de suas especialidades. Ao contrário do centroavante carioca, o camisa 18 conseguia se sobressair. Por causa desse contexto, o time comandado pelo técnico Paulo Autuori conseguiu equilibrar a partida até os trinta e oito minutos, quando Alan Patrick inicia uma jogada pelo meio, abre para Jorge na esquerda, e corre para área para cabecear, exigindo uma grande defesa do arqueiro atleticano. Após esse lance, nenhuma jogada de perigo aconteceu, e a partida se encaminhou para o intervalo sem grandes emoções.

O "Mais Querido" voltou diferente para o segundo tempo. Sheik entrou no lugar de Everton. Independente dessa mudança, o panorama não mudou. Pouca criatividade do Flamengo, que insistia em bolas pelas pontas e cruzamentos, e o Atlético quando conseguia, controlava a bola no meio, e ficava a espera de uma falha da zaga rubro-negra. Até que ela aconteceu. Aos quinze minutos, Paulo André lança, Pablo dá uma "casquinha" de cabeça, e Walter pega um voleio de direita, no bico esquerdo da grande área, exigindo uma grande defesa de Paulo Victor. Na sequência, cobrança de escanteio pela canhota, a zaga do Flamengo corta, a bola sobra com Nikão perto da bandeirinha do lado esquerdo, ele rola para Marcos Guilherme, perto da meia lua, ajeitar com toda a tranquilidade do mundo, escolher o canto, e de perna direita "encher o pé" e colocar a pelota no fundo do barbante.

Depois disso, a torcida e o time mandante sentiram. Tanto que houveram duas chances, ambas com o atacante Pablo, do CAP aumentar o placar. Em ambas, Paulo Victor foi importante.

Tentando melhorar a equipe, Muricy resolveu colocar Cirino e Ederson, nos lugares de Gabriel e Alan Patrick, respectivamente. O time ganhou mais velocidade e qualidade técnica, mas continuava pecando na falta de organização tática. O camisa 7 ainda perde uma chance incrível de empatar o jogo, minutos depois de entrar, ao driblar dois jogadores na direita, ficar cara-a-cara com o arqueiro adversário, e, na hora de tentar a cavadinha de esquerda, mandar a bola por cima do travessão.

O panorama a partir disso não foi muito diferente do que acostumamos. A torcida, mesmo chateada, fez a sua festa, continuou cantando e incentivando, mas o time não demonstrava reação. Sheik errava todos os passes que tentava, o buraco entre o meio e o ataque, cada vez mais aumentava, dado o desespero da situação. Virou aquele "Deus nos acuda", com o Wallace indo para o ataque. O Atlético "fechou a casinha", segurava a bola quando precisava, e amarrou o jogo até o apito final de Leandro Pedro Vuaden, garantindo a vaga para a final, contra o Fluminense.

Questionado sobre o ataque, que há 305 minutos não marca, Muricy foi "curto e grosso", em sua coletiva de menos de seis minutos. "Não só esse jogo (criamos chances). A gente acha que quando o time cria, falta o último detalhe. Uma hora a bola vai entrar, e o time vai voltar a fazer gol. Anima a gente porque cria muito."

Ao final do jogo, descendo para o campo, vi um pai com seu filho, e a criança perguntou: "Pai, por que perdemos?". E ele respondeu: "Isso é futebol, filho. Se não aproveitar as chances criadas, vamos perder." E é essa a lição que fica. Enquanto o meio e o ataque não se combinarem, as chances de vitória irão diminuir. E, deixo aqui um conselho para a diretoria, se os preços para Flamengo e Botafogo continuarem a R$ 100, teremos um público extremamente baixo para uma partida dessa importância. Quando o time está jogando mal, o melhor a se fazer é trazer a torcida para junto dele. E como se faz isso? Com ingressos mais baratos, ora bolas.

Ficha técnica

FLAMENGO-RJ 0 X 1 ATLÉTICO-PR

Local: Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, em Juiz de Fora (MG)

Data: 23 de março de 2016 (Quarta-feira)

Horário: 21h30 (de Brasília)

Árbitro: Leandro Vuaden (RS)

Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Jorge Eduardo Bernardi (RS)

Renda: R$ 442.795,00

Público: 11.735 pagantes / 12.917 presentes

Cartões amarelos: Pará e Jadson (Atlético-PR)

GOLS: Marcos Guilherme, aos 16min do segundo tempo (Atlético-PR)

FLAMENGO: Paulo Victor, Pará, Wallace, Juan e Jorge; Márcio Araújo, Willian Arão e Alan Patrick (Ederson); Everton (Emerson Sheik), Gabriel (Marcelo Cirino) e Felipe Vizeu

Técnico: Muricy Ramalho

ATLÉTICO-PR: Weverton, Eduardo, Thiago Heleno, Paulo André e Pará (Bruno); Otávio, Jadson, Nikão (Hernani) e Marcos Guilherme; Pablo e Walter (André Lima)

Técnico: Paulo Autuori

Estatísticas

Posse de bola: Flamengo: 58% / Atlético-PR: 42%

Escanteios: Flamengo: 10 / Atlético-PR: 7

Finalizações: Flamengo: 10 / Atlético-PR: 14

Faltas: Flamengo: 16 / Atlético-PR: 20

Impedimentos: Flamengo: 3 / Atlético-PR: 4


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com