Cão Guia Mel é pioneira em Juiz de Fora e é ela quem auxilia a estudante de Direito Marina Fernandes de Miranda

*colaboração
17/05/05

O melhor amigo do homem, além da atribuição de companheiro, ganhou mais uma função: a de guia. Deficientes físicos e visuais podem contar com o auxílio desses ilustres animais que são treinados para vencer desafios, como atravessar ruas, abrir portas, acender luzes, subir escadas e desviar de obstáculos.

No Brasil, esta prática é pouco conhecida e está sendo difundida a partir da na novela global América, através do ator Marcos Frota, que interpreta o deficiente visual Jatobá. O personagem tem uma vida independente e transita pelas avenidas do Rio de Janeiro com o cão guia Quartz, um labrador que o auxilia em diversas situações do dia-a-dia.

Em Juiz de Fora, a estudante de Direito, Marina Fernandes de Miranda (foto ao lado), 21, é a pioneira na aquisição do cão guia. Assim como na ficção, ela possui uma pastor alemão, a Mel, que chegou em sua casa com apenas três meses de idade.

Para conseguir o treinamento de Mel, Marina teve que lidar com algumas dificuldades e precisou de um espírito bastante investigativo. Fui até o canil da Polícia Militar, mas descobri que lá eles só têm o adestramento básico para cães. Em uma apresentação da PM, descobri que poderia ter ajuda em Lavras. Consegui o contato e quando a Mel fez seis meses foi levada para lá, onde permaneceu por oito meses", recorda.

Apesar de todo o stress do treinamento, em média o cão é levado a situações de risco três vezes ao dia, Mel não conseguiu exercer por muito tempo sua profissão. Segundo Marina, a cadela teve um problema de saúde, logo após o seu retorno a Juiz de Fora, e por esse motivo está de férias por um período indeterminado. "Vamos esperar a recuperação dela para avaliar se ela poderá continuar exercendo a profissão", diz.

Muitas das vezes, os usuários desses cães esbarram pela desinformação e preconceito. "Os brasileiros não estão acostumados com um cachorro na escola, em restaurantes e teatros. Assim como existem lugares que não aceitam o cão, há também aqueles que nos recebem muito bem. Inclusive em lanchonetes e até na minha faculdade já foi autorizada a entrada da Mel".

O que muita gente não sabe é que, desde 2002, a lei número 2.996 garante o livre acesso não só do deficiente visual e físico com o cão-guia, mas também dos treinadores e famílias hospedeiras a qualquer estabelecimento.

Levada pela mesma corrente de Marina, a psicólogia Samira da Rocha é a única profissional da área a trabalhar com a terapia facilitada por cães em Juiz de Fora. "Há muito pouca informação sobre esses trabalhos no Brasil".

"Não é qualquer cão que pode ser guia", explica Marina. O temperamento dócil e equilibrado, facilidade de adaptação a novas situações, tamanho, tipo de pelagem, inteligência e facilidade em aprender são algumas das características desses cães. Em geral são escolhidos o Pastor Alemão, Retriever do Labrador e o Goldem Retriever .

O cão terá que passar por um longo período de treinamento que o capacitará a desempenhar uma série de funções fundamentais para o bem estar do seu dono.

Em Juiz de Fora, não existe um local onde estes animais são treinados para exercer a atividade de cão-guia. Como a Marina, os deficientes visuais da cidade que desejam ter este cão profissional devem buscar fora. O projeto pioneiro no Brasil está em Brasília (DF) e faz parte da Integra - uma instituição sem fins lucrativos, totalmente voltada para valorizar a vida. Através do Projeto, os deficientes visuais que desejam adquirir o cão são cadastrados e podem recebê-lo em casa, gratuitamente, em qualquer lugar do país. A expectativa da instituição é entregar de 15 a 18 cães-guia por ano.

Para saber mais sobre o projeto clique em: http://www.mpdft.gov.br/sicorde/caoguia.php. O telefone de contato da Integra é: (61) 3201-6410 ou (61) 3201-6412.

Esclarecendo algumas dúvidas:

1 - Qual é o trabalho do Cão-Guia?
R.: Ele recebe os comandos do seu usuário e o ajuda a se locomover com segurança e independência, evitando obstáculos, prevenindo acidentes, sendo um companheiro constante, melhorando a sua qualidade de vida e promovendo sua independência.

2 - É permitido falar com um Cão-Guia ou tocá-lo?
R.: Não. O Cão-Guia no trabalho está muito concentrado, portanto, falar ou tocá-lo poderá distraí-lo.

3 - É permitido alimentar um Cão-Guia?
R.: Não. Pois isto poderia atrapalhar o seu condicionamento e a sua concentração. Um Cão-Guia só se alimenta de ração.

4 - A pessoa cega pagará por um Cão-Guia e pelo treinamento de adaptação?
R.: Não. O Cão-Guia é de propriedade do INTEGRA e será entregue sem despesas ao seu usuário.

5 - Quem poderá receber um Cão-Guia?
R.: Todos os deficientes interessados em utilizar um Cão-Guia e que apresentarem boas condições de orientação e mobilidade. O deficiente visual deverá procurar a ABDV e preencher um cadastro para que a equipe técnica realize uma avaliação.

Importante
Os cães guias não devem ser tocados por pessoas estranhas durante o seu 'horário de trabalho'; Não distraia ou tente brincar com ele enquanto ele estiver trabalhando. O seu dia-a-dia é bastante estressante e deve ser respeitado.

*Renata Cristina é estudante do 8º período de Comunicação Social da UFJF

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