Um luxo de estimação A partir de quando o embelezamento do seu bichinho de estimação pode prejudicá-lo? Saiba em que você deve prestar atenção

Sílvia Zoche
09/01/06

Se for menina, vai usar lacinho na cabeça e se for menino, que tal uma gravatinha? E se não fizer bagunça, pode ganhar batata frita, chocolate e biscoitos. Tomar banho e passar perfume, escovar os dentes, fazer penteados diferentes, pintar o pêlo de outra cor. Pêlo? Isso mesmo. Estamos falando de bichinhos de estimação, principalmente cães. O mercado de produtos para este público aumentou e faz a cabeça dos donos dos animais.

A atendente de uma pet shop, Josiany Aparecida Gomes de Souza, diz que os produtos mais vendidos são as roupas e os petiscos. "Já teve uma cliente que gastou R$ 160 com o cachorro dela. Renovou tudo. Comprou roupas, brinquedos, vasilha, cama, petiscos, isso sem contar com o banho e a tosa", lembra.

Para a higienização, existem xampus, perfumes, colônias, pasta e escova de dentes, produto para não formar tártaro, para limpeza das orelhas, esmalte... São diversas opções para deixar o bichinho na moda. Os preços de alguns, como o xampu, chegam a ser mais caros que os que usamos em casa.

Na hora do lanche, as opções vão além da ração. Biscoitos, bifinhos com molho, chocolate. Mas é um chocolate que não contém a substância teobromina que, segundo a veterinária homeopata Neísa Teixeira Lourenço, pode causar problemas do coração. "A teobromina está presente no chocolate dos seres humanos e não pode ser dada aos animais", alerta.

Outro dado importante é não exagerar nos petiscos. "Tem gente que trabalha o dia inteiro e o animal fica sozinho em casa. Por isso, deixa o bicho comer à vontade os petiscos. Aqui na loja, a gente vê uns bichinhos gordos", conta Josiany. A veterinária lembra que o petisco não pode ocupar o espaço de uma alimento nutritivo. "O exagero pode acarretar até problemas de estômago e de fígado", diz.

Uma dica é usar os peticos como prêmios para o comportamento que você deseja. A cada ação correta, ele ganha uma das delícias.

Mas antes de entrar na moda, é bom tomar alguns cuidados, que são essenciais para o bichinho não ter problemas. Como diz Neísa (foto ao lado), não há problemas em tratar da beleza do animal, desde que os cuidados essenciais não fiquem para segundo plano. "É que tem gente que leva constantemente o animal ao banho e tosa, mas esquece de levar ao veterinário, de vacinar, de dar uma boa ração... esquece dos cuidados básicos", lembra.

Quem quer deixar o cachorro ou o gato na moda, com vestidos ou blusas, calcinhas, sapatos e chuquinhas, deve prestar atenção a reação do animal. "Cada um reage de uma forma. Tem uns que gostam e outros não", diz Neísa. Os gatos, por serem mais independentes, não gostam muito de coisas que tirem sua liberdade.

"Uma vez, tive que colocar uma roupa no meu gato, porque ele tinha passado por uma cirurgia e estava mexendo nos pontos. Quando eu vesti a roupa nele, ele ficou estático. Tentei colocá-lo no chão, mas ele caiu, parecia uma estátua. Tive que tirar a roupa dele", conta.

Usar chuquinhas nas fêmeas para tirar a franja dos olhos não têm problema. "É até uma forma de proteger os olhos do pêlo", diz a veterinária. Agora, cortar o pêlo do animal por conta própria não é recomendável. "Para isso, existem serviços especializados. Já vi casos de cães sem pedaço de orelha. É terrível".

As vacinas são essenciais, mas ele tem que estar com a saúde em dia, caso contrário, o organismo do animal não consegue responder ao estímulo. Por isso, consultas periódicas são uma boa pedida. O tipo de vacina recomendada pela veterinária é a chamada vacina ética. "São de laboratórios multinacionais, que desenvolvem pesquisas constantemente, já que os vírus estão sempre em mutação. Este tipo de vacina só é encontrato nos consultórios", alerta Neísa.

Ao procurar uma ração, Neísa indica as chamadas super prêmio. "Elas costumam ser mais caras, mas a qualidade é melhor, sustenta mais, o animal come menos, absorve mais ingredientes nobres e ainda tem maior teor proteico". Só que ao trocar a ração, deve-se misturar os tipos para que o animal acostume com o novo sabor. Diminua, aos poucos, a quantidade e cuidado para não ceder às vontades do animal, porque "este tipo de ração, normalmente, é mais gostosa e ele pode querer comer mais, sem necessidade", explica.

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