Castrar pode ser a solução
Ao contrário do que se pensa, a castração traz alívio
para os animais e seus proprietários

Marinella Souza
*Colaboração
14/04/2008

A castração dos animais de estimação sempre foi uma questão polêmica. Os donos dos animaizinhos têm medo e alegam que castrá-los é ir contra a natureza do animal. Mas a veterinária Kátia Mafra garante que, nas novas condições a que cães e gatos estão submetidos, a castração é o ideal para evitar as situações de estresse.

"Os animais confinados não têm as mesmas condições daqueles de vida livre: as fêmeas não podem cruzar em todos os cios, os machos, por sua vez, não podem copular toda vez que são excitados pelo odor de uma fêmea no cio e isso acaba levando-os a uma situação de estresse. Nós submetemos os animais a muitas coisas que não lhe são naturais, nós os alimentamos com ração, os colocamos para dormir em caminhas. Nada disso é natural, nem por isso, faz mal aos bichos".

Foto: cadelas
castradas Kátia garante que a esterilização traz vários benefícios para machos e fêmeas de várias espécies. Nas cadelas, a cirurgia prematura reduz a incidência de tumores de mama e previne a piometra, que é um problema uterino em cadelas idosas.

Além disso, elas não apresentam os problemas gestacionais depois de cada cio. "Muitas pessoas confundem esses sintomas com 'gravidez psicológica, mas na verdade, é um comportamento normal nas cadelas depois do cio. Elas costumam 'adotar' objetos ou bichinhos pela casa, choram muito, produzem leite e podem até tentar cavar ninhos ou se esconder pelos cantos", explica. Nos cães, diminui a marcação territorial com urina e a agressividade entre os machos na defesa territorial, mas não perdem a guarda.

A cirurgia é bem simples e o resultado é um animal mais calmo. Na fêmea, retira-se o útero e os ovários através da cavidade abdominal e, no macho, ocorre a retirada dos testículos. "A cirurgia é muito simples e o risco anestésico ou de alguma infecção pós-cirúrgica é mínimo", diz. Após a cirurgia, o canino deve ficar com o colar elisabetano para evitar que tire os pontos e fazer um repouso moderado. Nos gatos, a cirurgia é ainda mais simples e o pós-operatório exige apenas repouso para evitar pulos exagerados.

Foto: pontos
 da castração A veterinária comenta que a esterilização felina é quase obrigatória porque se a fêmea não cruza ela repete cio e isso gera muito estresse. "A gata só ovula quando cruza, se isso não acontece, ela faz cio a cada 15 dias e isso é ruim para ela e para o dono porque ela fica mais agitada, mia muito, tende a querer fugir, pular a janela". Os machos dessa espécie, por sua vez, quando não podem cruzar, ficam mais agressivos, aumentam a marcação de território e também tentam fugir. Quando têm vida livre, aumentam os riscos de acidentes e lesões provocadas por brigas.

A idade ideal para se fazer a castração é depois da fase das vacinas, entre os cinco e sete meses de vida do animal, para evitar que ele desenvolva os comportamentos sexuais. "Depois dessa idade pode ser que o macho não pare de demarcar território e a fêmea continua vulnerável aos tumores de mama. Mas em 70% dos casos, o animal para de marcar o território, ou pelo menos, reduz esse processo".

Kátia garante que o cachorro castrado não altera seu comportamento. "Existem alguns mitos em relação à esterilização. O cachorro não fica 'bobão', ele mantém a mesma personalidade, o que muda são só os comportamentos sexuais, mais nada. Outra bobagem é dizer que tem que esperar a cadela ter a primeira cria para castrar, isso tudo são mitos que as pessoas acreditam, mas não têm nada a ver com a realidade".

Diretor técnico da ONG Animal e Natureza, Paulo Medeiros, acredita que a castração é uma maneira de controlar a população de animais abandonados. "Castrar os animais é um ato de responsabilidade com ele e com o meio ambiente. Os animais ficam mais tranqüilos e mais fáceis de controlar e permanecem aptos para fazer a guarda. A ONG castra todos os cães que recolhe nas ruas e eu fiz o mesmo com o meu cão, que é de guarda", defende.

Foto da veterinária com as
cadelinhas A veterinária acredita que as pessoas têm medo de castrar seus animais porque se trata de uma intervenção cirúrgica em um animal saudável, ou seja, é o dono que está escolhendo fazer e se der errado, vai se sentir culpado. Mas ela afirma que esterilizar um animal jovem e saudável implica em riscos mínimos e resultados maravilhosos.

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