Rações para cães e gatos precisam ser armazenadas com critério para evitar contaminação

Da fábrica ao potinho de comida do animal, muitos cuidados precisam ser tomados para evitar a deterioração do produto. Infecções graves podem levar até à morte

Raphael Placido
Repórter
27/4/2013
ração

Ao alimentar cães e gatos com ração, os donos precisam ficar atentos a vários pontos: a data de validade do produto, as condições de higiene a que são condicionadas, e, principalmente, os locais de armazenamento, evitando calor excessivo, umidade e a presença de insetos, pombos e até mesmo ratos. Precauções quanto a isso devem ser tomadas não só pelo consumidor final, mas pelo fabricante, o responsável pelo transporte e o lojista.

Proprietária da Quitanda dos Bichos, Angélica Shirashigue vende rações para cães e gatos. Ela explica que os produtos comercializados a granel exigem cuidados constantes. "Desde a chega do produto, é preciso ficar atento. Verificar o prazo de validade é fundamental. Se a embalagem chega rasgada, nós devolvemos. Veio para o tambor, é preciso deixar tampado", afirma. Um ponto muito importante a ser analisado pelo cliente é a rotatividade. "Quando o estoque da loja é muito grande, ou há pouca saída, o produto pode acabar se deteriorando. É importante não deixar o produto exposto aberto por muito tempo", explica. Mesmo dentro do prazo, se não for bem armazenada, a ração pode perder a validade rapidamente.

Além disso, pets e agropecuárias precisam ter cuidados redobrados com a assepsia. "A parte da limpeza precisa ser rigorosa porque é um produto que sempre acaba chamando a atenção de pombos e ratos. É preciso, constantemente, limpar os tambores com álcool. Outro cuidado importante que temos, e é preciso que o dono do animal também tenha, é não tocar a ração com a mão", ensina.

Umidade e calor são os principais inimigos da ração

Quem mora em casa, precisa de ainda mais cuidados do que os mantêm o animal em apartamento. Locais abertos são mais suscetíveis à presença de insetos, pombos e ratos, que podem contaminar o alimento. É fundamental armazená-los longe da presença desses animais, em locais sem umidade e não muito quentes. Produtos químicos e materiais de limpeza também não devem ser guardados no mesmo ambiente.

Uma dica para os consumidores é evitar comprar embalagens muito grandes para animais de pequeno porte. Um pacote de 15 quilos acaba durando muito quando é consumida por um cãozinho pequeno, por exemplo. Outra sugestão é não deixar o produto na embalagem, passando para um pote que pode ser bem fechado. A ração envelhecida, acaba perdendo boa parte dos nutrientes. No fim, o animal se alimenta só de farinha.

Mas a perda de vitaminas e proteínas não é a pior parte. Ao ser contaminada com fungos ou bactérias, a ração pode causar infecções graves nos cãezinhos e gatinhos, podendo levar até ao óbito. A veterinária Daniela Ferreira Milione explica que o grão contaminado começa a apresentar um aspecto mais mole. Caso o animal consuma o produto, há o risco de desenvolver patologias graves. "Doenças gastrointestinais, com vômito e diarreia, são situações comuns. Em se tratando de um filhote ou um animal idoso e debilitado, pode causar riscos à vida. Muitos acabam também desidratando", explica.

A veterinária alerta para uma prática comum: dar mais comida que a porção ideal e deixar sobras da refeição no potinho. Da mesma forma que as pessoas lavam os pratos para comer, a vasilha do animal precisa passar por higienização constante. "O correto é dar a quantidade exata para o animal se alimentar. Ao encostar a boca, o animal já aumenta a umidade da ração. Se ela ficar muito tempo ali, pode ir se deteriorando. É preciso, ainda, umas duas vezes por semana, lavar o potinho. Há casos em que as pessoas não limpam a vasilha do animal, chegando a criar bolor. A água também precisa ser trocada constantemente, evitando, até mesmo, a presença de larvas da dengue", finaliza.

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