Etiquetas de roupas infantis vão conter medidas das criançasNorma da ABNT estabelece que as etiquetas contenham informações sobre a altura da criança, largura do tórax e cintura. Objetivo é facilitar a compra

Clecius Campos
Repórter
26/1/2010

As etiquetas de numeração de roupas infantis deverão seguir o padrão estabelecido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O órgão regulamentou a exposição de medidas básicas das crianças em etiquetas, por meio da norma NBR 15.800. A regra prevê a disponibilização das informações de, pelo menos, três medidas — altura da criança, largura do tórax e cintura —, além do tamanho da roupa.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Indústrias do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad, algumas confecções já apresentaram as novas etiquetas na Feira Internacional do Setor Infanto-Juvenil e Bebê (FIT), realizada na última semana, em São Paulo. "A expectativa é de que as indústrias tragam as informações na próxima coleção de verão." A adesão à norma não é obrigatória.

O proprietário de uma confecção da cidade, José Carlos, afirma que a empresa pretende tomar conhecimento da norma e tentar realizar as adequações. "Mesmo que não seja obrigatória, é importante que a norma seja seguida, por uma questão de padronização. No entanto, vai ser difícil divulgar as informações e agradar todo mundo, pois há crianças de todos os tamanhos."

Para a gerente de vendas Elizabeth de Oliveira, as informações adicionais vão facilitar. "Conheço o tamanho da minha filha de 2 anos, pois acompanho o crescimento dela com o pediatra. Mas na hora de ganhar presentes é sempre o mesmo problema. Ela é maior, veste 3 em vez de 2, e tenho que trocar." A atendente Ana Paula Assis passa pela mesma complicação com a filha de nove anos. "Ela é alta e veste 12. Quase todas as roupinhas e calçados que ela ganhou no Natal foram trocados." Para Ana Paula, a mudança pode tanto trazer benefício, quanto causar confusão. "Imagina só precisar da altura, largura do tórax e cintura da criança antes de fazer uma compra. Fica meio difícil."

Vantagens

Segundo Chadad, entre as principais vantagens está a maior possibilidade de acerto no momento da compra de roupas infantis. "O mais interessante para o comércio final e para o consumidor é que a informação vai diminuir o volume de trocas pós-compra, muito comuns no caso de vestuário infantil. Isso porque, com as medidas em mãos, o acerto é mais garantido."

Além da aplicabilidade prática, as mudanças nas etiquetas vão permitir que o consumidor tenha uma informação a mais sobre o produto. "No rótulo de uma lata de sardinha vem discriminado a quantidade de sardinha e de azeite. Antes da norma, o setor do vestuário só informava um número, que não significava nada, já que, devido à diferença entre as marcas, os tamanhos são variados. O comprador vai contar com o máximo de dados possível sobre o produto."

Foto de loja de roupas infantis Foto de roupas infantis

Ao todo, a norma regulamenta a divulgação de 22 medidas do corpo infantil, como três diferentes tamanhos de manga e três distintos comprimentos de calça. Segundo Chadad, as 14 numerações utilizadas atualmente pela indústria do vestuário são as mesmas, indo de RN (recém-nascido), P, M, G e GG para bebês, 1, 2 e 3 para primeiros passos e 4, 6, 8, 10, 12 e 14 para infanto-juvenil. "Na prática, não haverá mudanças nas linhas de produção ou na rotina dentro das confecções. A alteração é referente apenas à divulgação das informações."

Padronização das marcas

Para a proprietária de uma loja de roupas infantis multimarcas, Silvana Souza, a publicação das medidas na etiqueta pode ajudar no momento da compra. Porém, o ideal seria que houvesse uma padronização entre as marcas. "O tamanho 8 era para ser referente à idade de 8 anos, mas, às vezes, uma criança dessa idade veste o tamanho 10 em uma marca, 8 em outra e o 12 em uma terceira. Esse é o grande problema."

De acordo com Chadad, a padronização não é interessante, uma vez que cada estilista tem sua própria maneira de criar. "Às vezes uma confecção faz roupas mais justas ou mais largas, o que é um diferencial. A palavra hoje não é padronização e sim vestibilidade. Com a descrição de altura, tamanho do tórax e cintura é fácil vestir bem qualquer criança."

Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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