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    Educação por redes
    Estudar por redes virtuais pode agilizar a aprendizagem,
    desde que existam regras e relações sociais para isso

    Sílvia Zoche
    Repórter
    14/09/05

    Ouça o que o líder do NETEC/UFJF, José Antonio Avarena Reyes, fala sobre a importância das redes, atualmente. Clique ao lado!

    A necessidade de melhorar e agilizar a forma de aprendizagem entre alunos e professores faz da internet uma aliada no dia-a-dia. Mas o uso do computador, simples e puramente, não é o bastante para que os resultados de pesquisas, estudos e trocas de idéias, por exemplo, sejam satisfatórias por completo.

    Neste contexto, surge o que se chama de educação à distância, em que professores e alunos ficam em espaços diferentes (em cidades distintas, por exemplo) ligados pela tecnologia.

    Para o professor doutor e líder do do Núcleo de Estudos e Projetos em Educação Tecnológica (NETEC), José Antonio Aravena Reyes, na verdade, o termo correto seria educação por redes. "Não existe uma distância, propriamente dita. O que há é uma reprodução do espaço físico para o virtual. O ideal é que todas as instituições de ensino, e não somente as de área técnica, pudessem interagir pela rede", diz.

    Na educação por rede, Aravena alerta que o professor deve captar as demandas dos alunos. "O professor precisa construir um diálogo coletivo. Cada aluno tem uma dúvida diferente, que deve ser respondida na conversa e que todos vão ler", afirma. A educação semi-presencial é uma das alternativas adotadas por Aravena. "Costumo dividir as aulas em 70% de leituras e discussões através da rede e 30% delas, os alunos devem estar presentes em sala. Mas práticas do dia-a-dia, o encontro pode ser somente por rede", acredita.

    O estudante de Ciências de Computação, Eric Vieira de Souza (foto ao lado), escreve, em sua monografia de fim de curso, uma nova proposta educacional, para depois colocar em prática o estudo em faculdades e escolas através de redes.

    "Primeiro, as instituições de ensino não deveriam ser rígidas quanto a horários e disciplinas, por exemplo. O melhor seria existir grupos de estudos sobre temas determinados e que acontecesse os encontros presenciais, mas, também, que eles fossem ligados por um site, como o orkut, por exemplo, em que existe uma página pessoal e comunidades que se têm interesse", explica.

    Relações sociais
    "A internet não é isolada do ser humano. Ela é um instrumento de aproximação", é o que diz o professor-doutor do NETEC, Waldir Azevedo Junior (foto ao lado, à direita).

    Antes da tecnologia, é preciso que o estudante, o professor seja um internauta com contatos sociais e objetivos direcionados para que sua busca por informações tenham resultados convincentes. "É mais importante, em primeiro lugar, ter uma rede social do que uma rede física. A internet existe como ferramenta", diz o professor-doutor Mauricio Aguilar Molina.

    Mas a tecnologia não deve ser rejeitada, na opinião dos professores, porque esta já faz parte do cotidiano. "A tecnologia não está alheia a tudo isso. Ela vem ajudar, tornando-se suporte para sistema de colaboração, de internet", completa Aravena (foto acima, à esquerda).

    A sociabilidade na internet não é somente conhecer pessoas, mas também forçar uma interação através de protocolos. "Se não existem regras, padrões, fica complicado dialogar", diz Aguilar.

    Aravena comenta que é primordial criar-se um valor, uma atitude na rede internet. "A pessoa tem que "ser", muito mais do que propriamente "estar" na internet. A educação que vê a rede, considera essa rede como uma dimensão técnica das relações sociais que já existem. E se isso não for implementado no processo educativo, nós simplesmente estaremos mutilando nosso futuros alunos a expressões humanas que se tornarão corriqueiras", conclui.

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