Ele me traiu. E agora? Dói, mas pode acontecer. Levante a cabeça e siga em frente, perdoando ou
fazendo a fila andar. As dicas e as conclusões são da psicóloga Lúcia Geara

Fernanda Leonel
Repórter
30/05/06


A psicóloga Lúcia Bargiona Geara fala sobre a dificuldade de se entender uma traição e comenta sobre o posicionamento que se deve ter caso isso aconteça. Clique no ícone ao lado e assista ao vídeo!



Você vive um relacionamento estável, ama alguém, faz muitas coisas por aquela pessoa e, de repente, uma notícia chega como uma bomba na sua vida: você foi traída.

Traição é uma palavra forte. Seja traição de amigos, de princípios, de amores. Tudo dói. Mas há quem afirme que em um relacionamento amoroso, no qual se escolhe uma única pessoa para compartilhar os sentimentos, e se tem na figura dela a idéia de compaheirismo entre sexos opostos, a situação pode ser ainda pior.

A psicóloga, Lúcia Bargiona Geara (foto abaixo), concorda e afirma que é desse "problema do coração" que suas clientes mais reclamam. "Relacionamento é uma coisa muito difícil. Faz parte da vida das pessoas. Entre as dificuldades do relacionamento está a questão da fidelidade. Quase todo mundo já sofreu alguma vez com alguma traição".

Mas acreditar nas "estatísticas da fidelidade" não pode ser um motivo para acomodação ou desespero. Não adianta fechar os olhos frente ao problema e pensar que "acontece sempre" ou que "você nunca vai ser feliz". Nada de extremos. Como aconselha a psicóloga Lúcia, é preciso sempre pensar no assunto com cautela a analisar as possibilidades que vão te fazer feliz.

O primeiro passo é parar de acreditar que todo relacionamento precisa dar certo. Como destaca a psicóloga, relacionamento é um tipo de experiência e são dos desdobramentos do que se vive nele que vão sair os aprendizados e as escolhas da vida.

Pensando dessa forma, você exclui a possibilidade de carregar para o futuro algum tipo de culpa ou trauma. Se aquele relacionamento não deu certo, bola para frente. Não coloque culpados na história. Pense que você e seu companheiro viviam uma experiência e que sempre é possível ser feliz de novo.

Com o pensamento de relacionamento experiência é possível também refletir e entender de que forma é possível perdoar. É preciso deixar claro que traição é prova negativa de amor, mas pode ser que o casal consiga passar por cima dessa história.

"É preciso ter em mente a idéia de que ninguém faz nada de propósito. Alguma coisa estava acontecendo naquele relacionamento. É preciso refletir e, caso a conclusão tenda para o perdão, é bom deixar claro que a pessoa está tendo uma oportunidade. Nada mais."

A reflexão sobre o relacionamento consiste na análise de como quem foi traído estava se portando naquele momento. Havia carinho? Havia diálogo? Havia identificação? Como destaca a psicóloga, muitos relacionamentos perdem o vínculo afetivo e simplesmente se percebe. Por esta razão acabam acontecendo as traições.

Calma! Ninguém aqui quer dar razão ao traidor. Não é exatamente isso. É preciso sim, fazer uma reflexão para ser justo e entender a parcela de culpa que o companheiro pode ter nessa história, mas também para entender de que forma um relacionamento com quem traiu faz diferença na vida de quem foi traído. Nessas horas, orgulho e posse também se misturam muito com o amor.

Isso quer dizer que você pode estar sofrendo muito por alguém que só vai ser mais uma experiência na sua vida. Se o vínculo se desmembrou, a relação pode estar minguando. Ou então, o relacionamento pode estar padecendo da "falta do amor completo".

Lúcia destaca que ninguém ama só uma pessoa na vida. E que também não amamos só de um jeito. O que isso quer dizer na prática? Que é possível ser muito feliz de novo com outra pessoa (se essa for a sua vontade) e que é preciso entender qual é a forma que aprendemos a amar nosso parceiro. Pode ser que amemos ele muito, mas que ele nasceu só para ser um grande amigo.

Mas se a certeza do amor verdadeiro existe, e seu parceiro pisou na bola. Então, a situação é mais complicada. Muita coisa vai depender de você. E da certeza da sua decisão. Se você escolheu voltar, a dica de Lúcia Geara á clara: "Os atos falam mais que as palavras. Se houver dúvidas no que ele diz e faz, fique sempre com as ações. A verdade está no comportamento".

Logo, perdoe a pessoa porque se acha capaz de perdoar e porque tem provas ou certeza de sobra para imaginar que a situação pode ser diferente. Se imaginar que pode ser mais feliz convivendo com aquela pessoa de novo, assuma isso e não deposite a volta no que ela te disse. Ela errou, pisou na bola, provou com ações isso. As palavras valem só para o que vem pela frente.

Não procure causas e culpados

De acordo com a psicóloga Lúcia Geara, pessoas de boa fé são mais fáceis de serem traídas. É como se essas pessoas olhassem para o parceiros com os "olhos delas", imaginando o perfil do amado da forma que ela quer ver, e não com os traços que ele demonstra ter.

Isso não quer dizer se deva ser um parceiro desconfiado. Inocência e pegação no pé são duas coisas completamente diferentes. Lembre-se da velha frase de que é preciso regar um relacionamento para que ele dê frutos.

E cuidar não é sinônimo de estar junto. A desculpa de namorar ou morar longe do seu parceiro não pode servir como muleta para alguma coisa errada que ele tenha feito com você. Como explica a psicóloga, o que vale na hora do sentimento, da escolha em ter ou não ter um amante, não é a proximidade que o casal vive, mas o vínculo afetivo que existe no relacionamento.

Outra coisa muito importante. Traição também não tem sexo, então jogue fora essa história de que aos homens tudo é permitido. Existe uma comprovação científica: homens possuem mais dificuldades em estabelecer vínculos afetivos. O que é muito diferente de dizer que eles podem trair. Se o parceiro gostar mesmo, ou seja, já tiver deixado pra lá essa história de dificuldade amorosa, não há diferença nenhuma.

Quem trai, seja homem ou mulher, é quem sempre sai perdendo na história. Não se esqueça disso. Pessoas que perdem a chance de viver um relacionamento verdadeiro não se encontraram ainda, agem muito por vaidade. As conseqüências de tudo isso acabam aparecendo lá na frente.

Siga em frente!
Não há receita de bolo para sofrer mais ou menos em uma situação de traição. Mas algumas coisas podem ser colocadas em prática para reduzir os impactos negativos. As sugestões são da psicóloga Lúcia Bargiona Geara.

•Permita a dor e o reconhecimento de que essa situação é muito difícil. Não tenha vergonha de desabafar, de expor seus sentimentos para pessoas que mereçam a sua confiança.

•Lembre-se sempre que a vida segue e que você não pode carregar esse sentimento para novos relacionamentos e nem para o mesmo, caso vocês voltem. Tire um tempo para fazer coisas que você gosta. Se valorize e "massageie sua auto-estima".

• Não se esqueça que quem faz a sua felicidade é você. Um parceiro pode ajudar você a se sentir melhor, mas não pode ser responsável por você se sentir bem ou não. Mude a frase bíblica: ame a ti mesmo para depois amar ao próximo.

• Esqueça qualquer história de vingança. Mexer nessa história só vai fazer você sofrer mais. Vingança rouba tempo, pensamento e energia. O maior "troco" que se pode dar é a indiferença.

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