Só o diálogo resolve Nada da discutir a relação. "Discutir" nos remete a brigas e, na verdade, só uma conversa pode solucionar algumas crises comuns em um casamento

Sílvia Zoche
Repórter
31/10/06


Dê sua opinião na enquete. Qual a causa mais comum geradora de crises em um casamento?

Foto de duas mãos, uma sobre a outra. Uma das mãos e da esposa e a outra do esposo Mesmo que algumas pessoas comentem ou digam em alto e bom som que casamento não é algo fácil, quem sonha e planeja este momento, quer experimentar, mesmo que seja para saber se é verdade.

Claro que nem tudo pode ser levado a "ferro e fogo". Há pessoas e pessoas, mas sempre vai existir um momento que os conflitos vão aparecer.

A união de duas pessoas, seja no papel ou somente na prática, é a junção de duas criações diferentes. Cada um possui princípios moldados ao longo dos anos por cada uma de suas famílias. E surgem as crises no casamento, mas que podem ser superadas e bem resolvidas... basta querer.

Para Yury Vasconcellos, casado há três anos, o que mais provoca conflitos entre ele e sua esposa é o fator financeiro. "Ih! Não tenho dúvida. Um gasta demais, o outro de menos", afirma. Quando as controvérsias começam, Yury tem algumas soluções. "Só com diálogo" e aponta uma outra possibilidade que, segundo ele, é ainda melhor. "Contar até 100", ri.

A opinião de Kezia Marília de Almeida Nascimento, que vai completar 14 anos de casada em fevereiro de 2007, é diferente. Para ela, a crise mais comum no casamento é causada pela educação dos filhos. "É. Pode ser. Eu e minha esposa ainda não temos filhos", diz Yury.

Para Kezia, a divergência de pensamento na hora de educar é complicada. "Se um chama a atenção, o outro fala que exagerou na forma de falar" e os problemas começam.

O começo de um relacionamento

Foto de duas mãos, uma sobre a outra. Uma das mãos e da esposa e a outra do esposo Em julho de 2004, a novaiorquina Amanda Rose Ridings (foto ao lado) resolveu se mudar para o Brasil, mais especificamente, para Juiz de Fora (MG). Menos de um ano depois, ela conheceu Carlos Alberto B. N. Filho (foto ao lado). "Foi no dia 08 de abril de 2005", diz.

No mesmo dia que se conheceram, começaram o namoro. Três meses depois, ela voltou para os Estados Unidos. "Nunca foi tão útil a internet", comenta Carlos, lembrando que o namoro continuou à distância graças a tecnologia.

Três meses depois, Amanda voltou e morou na casa de Carlos, junto com a mãe dele. "Ficamos um mês procurando um apartamento e fomos morar juntos", conta a americana. E os dois confessam que o dia-a-dia juntos foi mais complicado no início.

Para Carlos, a diferença cultural não foi empecilho. "Ela já falava bem o português". Os hábitos alimentares diferentes também não causaram problemas. "Eu já me acostumei com a comida brasileira", afirma Amanda.

O que irritava Amanda eram atitudes que devem balançar as estruturas de algumas mulher. "Ele tomava café e deixava a louça toda na pia. Eu dizia: 'tem que lavar, Magrão. Não pode deixar. Agora, ele já aprendeu, não é, amor'". Toalha molhada em cima da cama foi outro exemplo que Amanda conta.

Para Carlos, as crises eram causadas porque Amanda era exagerada. E, por incrível que pareça, o ciúme dela em relação a ele aumentou. Amanda acredita que seja a convivência com os brasileiros. "Nunca vi uma cultura de gente tão ciumenta assim. Lá nos EUA, a mulher sai sozinha, o homem sai sozinho". E garante que seu ciúme não é tão exagerado quanto a dos brasileiros.

Mas a convivência é a melhor das soluções, segundo Carlos. "A partir do momento que você mora junto, divide as despesas, não vai ser uma briga que vai fazer os dois terminarem. O casamento veio firmar isso, dar uma força", afirma Carlos, contando que estão casados, oficialmente, há oito meses.

As crises mais comuns

Foto de duas mãos, uma sobre a outra. Uma das mãos e da esposa e a outra do esposo A psicoterapeuta Maria Cristina Brandão Heidenreich (foto) destaca alguns empecilhos que surtem algumas crises nos casamentos. "Existem incompatibilidades em vários níveis".

Em seu consultório, o que ela percebe é que o diálogo parece difícil entre os casais. A rotina em frente à televisão e ao computador ajudam a diminuir a conversa. "Tudo em exagero é prejudicial".

Mas os homens não precisam ficar tensos, porque a indicação de Maria Cristina não é a famosa frase precisamos discutir a relação. O ideal é que as conversas sobre as divergências aconteçam naturalmente na hora do café da manhã, por exemplo. "O problema é que, normalmente, as conversas viram cobranças e acusações. Sempre a culpa é do outro. Não existem culpas e sim falhas".

E é sempre bom lembrar que no casamento os dois vão ter que ceder, em algum momento. "Para ganhar uma coisa, tem que perder outra. No casamento você ganha a cumplicidade, a estabilidade... e perde a liberdade da forma que existia na época de solteiro", exemplifica.

Seis pontos que podem gerar crises no seu casamento:

  • Criação familiar - O casamento une pessoas de comportamento distintos. Por mais semelhanças que possam ter, as diferenças de princípios e educação vão se revelando. "Leva-se um tempo para adaptação".
  • Sexualidade - as pessoas possuem hábitos diferentes de se perceber sexualmente. No consultório de Maria Cristina, ela atende muitos casos de mulheres que se conhecem pouco. "Isso dificulta o relacionamento. Por não se conhecer, ela não consegue mostrar o que gosta para o companheiro", comenta.
  • Horários de trabalho - os dois chegam exaustos em casa e a mulher ainda acumula as tarefas de casa, normalmente.
  • Atenção aos filhos - a cobrança de dar atenção aos filhos, o tempo dedicado em grande parte na criação dos pequenos e também quando estão bem crescidos. Segundo a psicoterapeuta, os filhos já adultos ainda trazem os netos.
  • Religião - quando a religião é diferente e cada um continua com sua convicção, se não houver respeito pelas idéias do outros, podem surgir crises, principalmente, quando envolvem os filhos.
  • Finanças - o dinheiro, mais especificamente a falta dele, pode causar transtornos dentro de casa.
  • Em todos os itens citados, é preciso muito diálogo...

Por estarem envolvidos com a rotina do dia-a-dia seja no trabalho e/ou em casa, o casal esquece da importância do namoro. O cansaço, certas vezes, é tão grande que só de pensar em sair, o desânimo aumenta. "A rotina diária torna o casamento desgastante. Por isso, o casal tem que passear, ir em um bar, em um motel e não ficar em casa em frente a televisão, dormindo".

A solução é não deixar o bate-papo "morrer". O silêncio entre os casais, abafado pelos ruídos de casa, é prejudicial a qualquer relação.

Sua opinião

Qual a causa mais comum geradora de crises em um casamento?
      Criação familiar
      Sexualidade
      Horários de trabalho
      Atenção aos filhos
      Religião diferente
      Finanças
      Educação
      Mais de uma das apontadas acima
      Nenhuma das respostas acima
   

ATENÇÃO: o resultado desta enquete não tem valor de amostragem científica e se refere apenas a um grupo de visitantes do ACESSA.com.

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