Especial

Pílula anticoncepcional oral

Dosagens dos hormônios sintéticos são cada vez menores para interferir menos no organismo feminino

Sílvia Zoche
Repórter
22/04/2005

O médico ginecologista, Álvaro Fernando Polisseni, fala a respeito das pílulas anticoncepcionais.

Veja! Veja!

O que não faltam no mercado são opções de métodos contraceptivos. A partir deste mês, o Portal ACESSA.com traz um especial sobre todos os métodos disponíveis. A cada mês você saberá mais detalhes sobre cada um. A pílula anticoncepcional será a primeira por ser a mais usada pelas mulheres.

Além de evitar a gravidez, ela também serve para tratamento de ovários policísticos. Existem várias marcas, mas cada mulher se adapta melhor a um determinado remédio. O que é excelente para uma, pode causar náuseas em outra, por exemplo.

O certo é que as indústrias farmacêuticas continuam suas pesquisas para que os hormônios sintéticos estejam em quantidades menores nas pílulas, sem que isso afete a eficácia das mesmas. O máximo de estrogênio na fórmula é de 50 mcg (microgramas). E o mínimo que existe é de 20 mcg - para se ter uma idéia, já existiu pílula com 150 mcg. A presença do estrogênio no anticoncepcional é para manter regularidade cíclica (menstrual) e o progestagênio é o hormônio responsável pela contracepção.

De acordo com o médico ginecologista, Álvaro Fernando Polisseni (foto ao lado), os anticoncepcionais trazem conseqüências preocupantes para o organismo da mulher. Por isso, existem pesquisas para se diminuir as dosagens de hormônios. "Pode aumentar a coagulação sangüínea e a pressão arterial", exemplifica.

Ele lembra que a primeira geração de pílulas era composta por altas doses de estrogênio (até 150mcg) e de progestagênio (até 10 mg). "Muitas mulheres morreram por trombose".

Como funciona
Algumas pílulas são boas para diminuir a retenção de líquido no organismo. Outras, têm uma boa ação sobre a oleosidade da pele, por exemplo.

As mulheres que possuem ovários micropolicísticos ou policísticos usam o remédio como tratamento da oleosidade intensa da pele e de pêlos. Os ovários com pequenos cistos são, na verdade, folículos que não crescem por não terem estímulo hormonal suficiente.

Dessa forma, não se rompem para ovulação e há um acúmulo de hormônio masculino: o androgênio, que a mulher produz em pequenas quantidades. Ao tomar o remédio, os hormônios sintéticos se responsabilizam pelo equilíbrio do ciclo menstrual.

Para evitar a gravidez, os anticoncepcionais orais bloqueiam primeiramente a área cerebral: hipotálamo-hipofisário. "Isso evita a produção de hormônios que estimulam o ovário", explica. Inibe, também, a produção de muco cevical que, no perído fértil, favorece a subida dos espermatozóides. "O progestagênio diminui a produção desse muco". Altera a motividade das trompas e a nutrição dentro delas, se ocorresse uma gravidez. Além disso, diminui o crescimento do endométrio, parte interna do útero responsável por acomodar o embrião. "Esse mecanismo complexo é que dá uma eficácia intensa aos anticoncepcionais hormonais, orais combinados".

Efeitos colaterais
Cada mulher reage de uma forma ao uso de pílulas. Se não acerta na escolha da primeira vez, só trocando e testando.

Um dos efeitos colaterais é a diminuição da libido, porque o organismo absorve menos a vitamina B6, que forma a serotonina cerebral. Para que esse efeito não seja preponderante, algumas pílulas com progestagênio possuem uma pequena quantidade de androgênio, hormônio masculino. "O que colabora para melhorar as fantasias sexuais da mulher", diz o médico.

 


Efeitos colaterais

 

  • Náusea
  • Vômito
  • Irritabilidade, nervosismo e depressão
  • Ganho de peso (predisposição individual)
  • Aumento de varizes
  • Aumento de volume das mamas
  • Diminuição da libido
  • Redução do fluxo menstrual
  • Acne, pele oleosa e hipertricose (apesar de não ser muito comum)

     

  • Tipos de pílulas orais
    As pílulas orais podem ser monofásicas (dosagem de hormônios igual em todas as pílulas), bifásicas e trifásicas (dosagem de componentes varia de acordo com o ciclo).

    Além disso, existem nas formas combinadas (estrogênio e progestagênio); pílula somente de progestagênio, minipílula e a do dia seguinte. A de progestagênio é indicada para mulheres com intolerância ao uso de estrogênio. A minipílula possui, também, somente progestagênio, só que em pequenas quantidades. A desvantagem é que possui menor eficácia. "Mas a mulher, no período de amamentação, já está protegida por um aumento natural de hormônio contraceptivo. O uso da minipílula é para aumentar a segurança de não engravidar neste período".

    A pílula do dia seguinte (pílula pós-coital) (foto ao lado) é para ser usada por mulheres que não usaram nenhum método contraceptivo. "É para casos de emergência", lembra o médico. São somente duas pílulas com doses maiores de hormônio. Devem ser ingerida até, no máximo, 72 horas após o ato sexual. A segunda pílula deve ser tomada com intervalo de 12 horas em relação a primeira. Depois de 3 a 5 dias, a mulher irá menstruar.

    A pílula vaginal é outra alternativa para aquelas mulheres que repelem os remédios orais. "Algumas mulheres têm náuseas e vômitos. Para elas, é indicado o uso". Isso porque tanto o vômito quanto a diarréia diminuem a eficiência da pílula, que já não é 100%. A eficácia teórica da pílula oral é de que em um ano, em cada 100 mulheres, 0,3 a 07 mulheres ficarão grávidas. Mas como algumas esquecem de tomar ou passam mal e vomitam, o que acontece na realidade é que de 5 a 8 mulheres ficarão grávidas num universo de 100 mulheres.

    Então, cuide-se e fique atenta se não quiser engravidar. Oriente-se com o seu médico.

     

    No próximo mês, vamos falar sobre os métodos
    anticoncepcionais injetáveis. Aguarde!

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