Juiz de Fora se rende à moda das academias femininas Movimento crescente em Juiz de Fora, as academias de ginástica só para mulheres ganham cada vez mais a aceitação no mercado

Marinella Souza
*Colaboração
12/11/2008

Praticar exercícios físicos é uma necessidade da mulher moderna que deseja manter o corpo e mente saudáveis, mas muitas desanimam quando pensam naquele universo de homens "sarados" puxando pesos enormes e deixando os aparelhos pesados e suados.

Sem contar no fato de que a posição de alguns exercícios para o bumbum, por exemplo, é um tanto constrangedora. Pensando em conquistar esse novo nicho de mercado, Márcio Ragone (foto abaixo) abre sua primeira academia em Juiz de Fora há 20 anos. Ragone conta que a cidade demorou a aceitar essa nova proposta.

"Recentemente estive em um evento em São Paulo onde foi constatado que as academias femininas são as que mais crescem no mundo. Em Juiz de Fora isso não deu muito certo no início porque as pessoas não se importavam com isso, queriam uma academia que fosse perto de casa e tudo em Juiz de Fora é perto. Mas nos grandes centros, isso existe há muito tempo e as pessoas aceitam bem", comenta.

Diferenças

A principal diferença de uma academia feminina são as aulas coletivas, que são pensadas especificamente para esse público, ou seja, com foco nos exercícios para deixar durinhos bumbum, perna e barriga.

Foto de Márcio Ragone No estabelecimento que comanda, Ragone acrescenta ainda, um lay out diferenciado com cores e formas que agradam as mulheres. Além das aulas temáticas, que sempre agradam a esse público.

Os aparelhos são os mesmos vistos em uma academia mista, com a vantagem de nunca terem cargas pesadas demais que dificultam e atrasam os exercícios, afinal, homens e mulheres têm objetivos diferentes. Eles querem ganhar massa muscular para ficarem fortes, elas querem eliminar gorduras em pontos estratégicos do corpo.

A professora de Educação Física Graziela Marques Leão (foto abaixo) explica que também não há diferença na forma de trabalhar. "A maior diferença é mesmo para as alunas, que se sentem mais à vontade, mas o nosso trabalho não sofre alteração."

A professora explica que quando a aluna chega à academia passa por uma avaliação que, juntamente com os objetivos dela, serve de base para o programa de treinamento que vai ser elaborado.

Vantagens

Foto de Graziela Leão Graziela comenta que os resultados finais melhoram muito para a mulher em uma academia feminina. "Nas academias mistas, elas ficam com vergonha de fazer determinados movimentos e acabam não fazendo direito, o que compromete o resultado", explica.

A vendedora Adriana de Fátima Pereira confirma essa teoria. "Eu malhei muitos anos em uma academia mista, mas tem umas posições que eram muito chatas de fazer. Aqui a gente tem mais liberdade para fazer os exercícios", diz.

"Liberdade é a coisa melhor do mundo", declara a professora aposentada, Marina Gonçalves e Carvalho quando questionada sobre os motivos que a levaram a optar por uma academia só para mulheres. E completa: "Deve ser horrível malhar no meio daqueles homens fortes. Acho que tira a razão de ser da ginástica porque a gente fica inibida", comenta a professora, que, aos 82 anos, malha por opção própria.

"Eu sofri um tombo que me deixou dois anos em cima da cama tomando anti-inflamatório. Um dia eu acordei e decidi que ia sair da cama. Já sabia que existia essa academia só para mulheres e vim. Há sete anos estou aqui e estou muito feliz".

Foto de Luana Paiva Com um histórico diferente de Adriana e Marina, a estudante Luana Paiva (foto ao lado) foi parar numa academia feminina por acaso, mas agora que experimentou, declara que não voltaria para uma mista. A moça conta que procurava uma academia que oferecesse mais opções de aeróbica, aulas para glúteos e pernas, não pensava em uma academia segmentada.

"Por mais que em uma academia como essa tenha homens, são profissionais, o que te deixa muito mais à vontade para fazer algumas posições que, em uma academia mista, são muito chatas de fazer", justifica-se.

Graziela conta que tem ainda um outro fator que leva as mulheres a uma academia feminina. "Muitas não admitem, mas eu sei de casos de maridos ou namorados que pedem que a mulher escolha um espaço como esse para malhar. Eles se sentem mais seguros", revela.

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF

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