TPM atinge cerca de 40% das mulheres Entre os sintomas estão o incômodo, o ganho de peso e depressão. Para amenizar estes sinas, o tratamento pode estar na alimentação e nos medicamentos

Priscila Magalhães
Repórter
Madalena Fernandes
Revisão
04/02/2009

A TPM não está ligada somente às disfunções hormonais do organismo da mulher durante o período que antecede a menstruação. Sua intensidade depende também do perfil psicológico de cada uma, como explica o ginecologista Elídio Lana. "Algumas já são ansiosas, deprimidas e agressivas, quadro que será agravado durante a TPM." Segundo o médico, cerca de 40% das mulheres têm algum grau de TPM e, em 8% destas o quadro é severo.

Inchação no abdome, pernas e mamas, aumento de peso, irritabilidade, depressão, choro fácil, insônia e ansiedade. Estes são alguns dos sintomas da Tensão Pré-Menstrual (TPM), que começa na ovulação e vai até o início ou final da menstruação.

Elídio prefere se referir à TPM como Síndrome Pré-Menstrual. "Prefiro chamar assim, porque a síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que afetam as pessoas e constituem doença", explica.

Para ele, a Síndrome Pré-Menstrual é uma doença funcional e subdivide-se em dois níveis. O primeiro é a disfunção pré-menstrual, uma TPM mais branda. Neste caso, a mulher não deixa de cumprir com suas atividades diárias, porém há prejuízo. "Ela pode ter dificuldade no aprendizado escolar, se atrapalhar no trabalho e nas tarefas domésticas."

O outro nível é a disforia, ou distúrbio disfórico, pré-menstrual. Neste caso, o quadro é mais acentuado e os sintomas ficam mais evidentes. O ginecologista explica que as mulheres que apresentam disforia ficam mais agressivas, sendo necessário intervenção psiquiátrica em alguns casos. "As mulheres com tendência suicida têm o caso agravado nesta época, quando ocorre a maior parte dos suicídios."

Elídio explica que a Síndrome Pré-Menstrual é acarretada por um conjunto de alterações hormonais em várias partes do organismo, como o cérebro, os ovários e a glândula supra-renal. As mulheres que sofrem de TPM têm aumento da aldosterona, um hormônio sintetizado na glândula supra-renal. É esse hormônio o responsável por favorecer a retenção de líquido e sal no organismo, o que provoca o aumento de peso. Desde a ovulação até o fim da menstruação, a mulher pode ganhar entre dois e seis quilos.

Tratamento

Segundo o médico, uma alimentação balanceada contribuiu para amenizar os sintomas da TPM. Por isso, as mulheres devem ter uma dieta reduzida em sal, ingerir muito líquido, reduzir o consumo de café e chá, consumir alimentos ricos em fibras - que controlam o intestino - e praticar esportes.

Além disso, o tratamento também pode ser feito com medicamentos nos 15 dias antes da menstruação. Para os casos mais brandos, de disfunção, o médico recomenda o uso de vitaminas, cálcio, diurético a ansiolíticos. Para os casos mais graves, de disforia, a mulher deve fazer o uso de antidepressivos, ansiolíticos mais fortes e tratamento psicológico com um médico.

O uso contínuo de anticoncepcional também pode solucionar o problema. Eles regulam as disfunções hormonais e melhoram o quadro. Entretanto, a pílula só é aconselhada para as mulheres que têm vida sexual ativa e querem fazer uso delas. "As que preferem não tomar o anticoncepcional, devem optar por outra forma de tratamento", completa.

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