André Salles André Salles 17/09/2013

Os pensamentos incidem na totalidade do ambiente de trabalho

ambienteAtualmente, a economia globalizada acelera as necessidades de mudanças em todo o mundo. Poderíamos dizer que durante uma reação a estas mudanças ocorre uma "generalizada sensação de desorientação". Assim acontece devido à maneira que fomos educados: aprendemos a ter uma visão segmentada de tudo, a buscar soluções somente "nas partes", a olhar somente para os sintomas, a não buscar as causas das coisas. Uma nova maneira de pensar é, pois, neste caso, importantíssima para se admitir e encarar as mudanças dentro do contexto organizacional. É neste sentido que a Psicopedagogia tem a sua imprescindível contribuição. Portanto, o "correto pensar" é essencial para as organizações nos momentos de crise e fora deles, quando encarado com "critério" e "sentimento próprio".

Como o "correto pensar", que deveria vigorar na base Psicopedagógica, poderia colaborar com o processo de mudança dentro do ambiente de trabalho? É justamente o olhar fenomenológico que responde a esta pergunta. A visão do grupo organizacional, sua missão, sua visão de futuro e seus princípios são importantes. De igual maneira é importante considerar a presença dos pensamentos nos indivíduos que colaboram com o grupo. Uma ação pautada somente nos objetivos da Empresa poderia deixar lacunas no momento de tratar as mudanças, justamente pelo fato de que os objetivos da Empresa não se encontram separados dos objetivos e dos pensamentos de cada indivíduo que ali trabalha.

cerebroAdmitir um pensamento reducionista e afirmar que esta ou aquela técnica é a única capaz de tratar as mudanças também não é o melhor caminho. Seria continuar pensando de forma segmentada – um "pensamento não prático". Todos podem e devem contribuir com suas técnicas, desde que não se esqueçam da inseparabilidade dos três componentes que estruturam a complexidade das relações humanas: o físico, o psicológico e o mental (pensamento). Pensar desta forma é ter uma visão integral, ampliada do ambiente de trabalho. Esta trina estrutura é fácil de perceber no ser humano; porém, deveríamos estar imbuídos de coragem para admitir e perceber, também, a importância do componente "pensamento" de forma integral: nos indivíduos e "nas coisas".

Toda e qualquer mudança dentro do contexto de uma organização, somado à devida preparação, deveria ocorrer com o comprometimento de todos os trabalhadores, levando em conta a existência do componente "pensamento" que se encontra na totalidade do ambiente. Este elemento não pode ser esquecido, pois é a "claridade" que abre os caminhos nos processos de mudanças. Admitir a existência de "necessidades internas" no ato de pensar do ser humano e admitir o pensamento nas "coisas" envolve a totalidade do fenômeno que se manifesta. Daí a necessidade de uma visão integral (ampliada) do espaço de trabalho. É neste sentido que a Fenomenologia e a Antroposofia nos fornecem compreensão maior: "os pensamentos nunca deveriam coincidir com os hábitos e com as opiniões tradicionais" – existe uma maneira correta no ato de pensar que difere da forma que aprendemos a pensar.

trabalhoEnquanto os nossos pensamentos não forem capazes de ir além dos "hábitos costumeiros" estaremos sempre paralisados pelo medo, não teremos respostas, permaneceremos com aquela "sensação de desorientação diante das mudanças". É por isto que muitos questionamentos relativos ao grupo organizacional permanecem sem respostas. Falta a coragem para ir além daquilo que comumente se aprendeu. Envolve outro trabalho, talvez mais árduo: a assimilação de um "novo modo de sentir e de pensar que abranja um mundo mais vasto do que os simples pensamentos lógicos."


André Salles é Bacharel em Psicologia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de FOra; Pós-Graduado Latu-Sensu em Psicologia Fenomenológico-Existencial pela PUC-MG; Pós-Graduado Stricto-Sensu em área de Concentração Filosófica pela Universidade Federal de Juiz de Fora; Formação em Docência pelo DETRAN-MG - atuou como Professor e pesquisador em Psicologia Aplicada em Centros de Treinamentos de Condutores na cidade de Juiz de Fora; Foi Educador em disciplinas de Psicologia e Filosofia na Faculdade Sudeste de Minas – FACSUM; Atua em Grupo de Estudos pela divulgação e reconhecimento da Psicologia Antroposófica no Brasil adjunto ao Conselho Regional de Psicologia em Juiz de Fora – CRP/04; Conselheiro Administrativo em Psicologia Organizacional Ampliada junto ao Instituto Joaquim Soares de Oliveira, na cidade de Santos Dumont-MG; Detentor de Cargo Público do Governo Federal, onde atua em serviços Técnicos na área Operacional de gestão de Pessoas, desde o ano de 2001; Participa em Curso de Formação Antroposófica e Educação Waldorf – Foundation Courses and Waldorf Certificate Program - pelo Sophia Institute – US.Saiba mais clicando aqui

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