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    Affonso Romano de Sant'Anna
    Escritor lança novo livro em Juiz de Fora

    Luciana Mendonça
    18/07/2001

    Poeta, ensaísta, cronista e professor, Affonso Romano de Sant'Anna é um ícone da literatura brasileira contemporânea. Nasceu em Belo Horizonte, em 27 de março de 1937, mas morou em Juiz de Fora durante a infância e adolescência. No último dia 16 de julho, esteve na cidade, para lançar o livro “Barroco: do Quadrado à Elipse”, quando concedeu entrevista exclusiva ao JFService.

    “Juiz de Fora, hoje, é outro mundo”, afirma o escritor, comparando o atual momento cultural da cidade com o que vivenciou no passado. “O Festival de Música Colonial, por exemplo, é de altíssimo nível. Com 18 anos, eu fazia crítica do nada existente na cidade. Cheguei a procurar o Pantaleão Arcuri (importante empresário local da época), na tentativa de resgatar a cultura artística, e fui informado de que não havia nem piano de calda aqui”.

    A preocupação com a cultura de Juiz de Fora é uma atitude constante de Affonso Romano. Neste mês, o escritor realizou nova doação de livros de seu acervo pessoal para a Biblioteca Municipal Murilo Mendes. Esta é a quarta doação, somando 2 mil exemplares. “Pretendo continuar doando, para contribuir para o futuro dos leitores de Juiz de Fora”, afirma. A Funalfa está catalogando os livros e pretende transformar a biblioteca em uma referência da poesia latino-americana.

    Ainda menino, ele freqüentava as bibliotecas da cidade. Foi em jornais juizforanos que iniciou sua carreira como escritor, aos 16 anos, com críticas diárias sobre teatro e cinema na Gazeta Comercial e, mais tarde, no Diário Mercantil.

    De sua infância, Affonso Romano recordou-se, durante a entrevista, das brincadeiras no morro que havia na Cândido Tostes e de quando nadava em um açude em São Pedro. Ele morou em cerca de dez endereços: na rua São Mateus, na rua Padre Thiago, na Cândido Tostes, dentre outras. “As Paradas de 7 de Setembro também estão marcadas na minha memória. Eu estudava no Granbery e havia disputas de jogos com a Academia. Anos depois, me lembro de quando servi o Exército - fiquei muitas vezes de sentinela.”

    “Barroco: do quadrado à Elipse”

    Atualmente, o escritor está trabalhando em outro livro de ensaios e, além de escrever as crônicas semanais para o caderno Prosa e Verso do jornal O Globo, tem viajado para outros países, para participar de cursos e conferências.

    No Brasil, está lançando o livro “Barroco: do Quadrado à Elipse”, pela Editora Rocco. “Somos todos barrocos, de ontem e de hoje, felizmente”. Esta é a tese deste ensaio, conforme explicou o próprio autor, durante palestra sobre a publicação, realizada no dia 16 de julho, no Teatro Pró-Música de Juiz de Fora. O evento integrou a programação do "12 Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga”.

    Segundo Affonso Romano, obras de escritores como Gabriel García Márquez, Guimarães Rosa e José Saramago são exemplos da metáfora barroca, presente na arte contemporânea. “O barroco é uma estratégia de ver e interpretar o mundo; é a deformação do mundo geometricamente construído.”

    A arquitetura de Oscar Niemeyer é outro exemplo citado pelo autor. “A elipse, a movimentação, a linha curva e o descentramento são características do barroco que podem ser notadas nas colunas do Palácio da Alvorada, em Brasília”.

    Com uma linguagem simples e quase didática, o livro tem um caráter enciclopédico. Aborda temas poucos explorados como a gastronomia, o vestuário e a própria guerra barroca e interpreta obras de grandes escritores, desde padre Antônio Vieira, até clássicos do século 20, como Joyce, Kafka, Borges e García Márquez, os brasileiros Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Osman Lins e até o cineasta Gláuber Rocha.


    Família
    Affonso Romano é filho do Capitão da Polícia Militar de Belo Horizonte, Jorge Firmino de Sant'Anna e de D. Maria Romano de Sant'Anna. Em 1965, nasceu sua primeira filha, Fabiana. Casou-se em 1971 com a escritora e jornalista Marina Colasanti. Alessandra, a segunda filha, nasceu em 1972.

    O professor
    Doutor em Letras pela UFMG, sua tese “Carlos Drumond de Andrade, o Poeta "Gauche", no Tempo e Espaço" foi publicada em 1972, tendo recebido os quatro prêmios mais importantes da literatura brasileira. Lecionou nas universidades da Califórnia e Texas (EUA), Aix-en-Provence (França), Colônia (Alemanha), PUC-RJ e UFRJ.

    Foi presidente da Biblioteca Nacional de 1990 a 1996. Criou o Sistema Nacional de Bibliotecas, que reúne 3.000 instituições, e o PROLER (Programa de Promoção da Leitura), que contou com mais de 30 mil voluntários e estabeleceu-se em 300 municípios.

    Publicações
    Affonso Romano foi considerado pela revista Imprensa um dos dez jornalistas que mais influenciam a opinião pública. Ele escreve crônicas, todos os sábados, no caderno Prosa e Verso do jornal O Globo. É também considerado um sucessor de Carlos Drummond de Andrade, tendo substituído o escritor a partir de 1984, como cronista do Jornal do Brasil.

    Seu primeiro livro, o ensaio "O Desemprego da Poesia", foi lançado em 1962, quando Affonso tinha 25 anos. O primeiro livro de poesias, “Canto e Palavra”, saiu em 1971. Já a primeira publicação como cronista, “A Mulher Madura”, aconteceu em 1986.

    Suas obras, assim, como a biografia, poemas e outros textos podem ser consultados no site http://pagina.de/affonso

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